Putinistas há muitos, seus palermas

Apesar de não ser comunista e de não me rever nas tomadas de posição do PCP, não no conteúdo, mas na forma, assumo que vai-me dando um gozo especial ouvir aqueles que nunca perdem a oportunidade para vaticinar a morte do Partido Comunista, um partido “moribundo”, dizem, mas que sempre ocupa o imaginário de vingança PRECquiana de tais neurónios. O imaginário de vingança e os sonhos molhados, acredito, porque isto é gente com patologias.

Digo isto porque não deixa de ser estranho que os que acusam o PCP de “totalitarismo”, sejam os mesmos que agora querem afastar um executivo democraticamente eleito, com base em “alegadamente”s. É Putin na Ucrânia, os EUA em qualquer sul-americanismo que mexa, o PSD em Setúbal, centenas nas redes sociais e dois ou três no Aventar. Tudo ganha ainda mais cinismo quando situações como a de Setúbal aconteceram em Albufeira, Gondomar ou Aveiro, em Câmaras governadas por PS ou PSD, mas aí está, aparentemente, tudo bem. Ou isso, ou os jornalistas ainda não descobriram tal. Confesso que teria a sua piada, e é bem possível que aconteça, que em Setúbal se realizassem eleições para a Câmara Municipal e a CDU ganhasse outra vez. E junto mais um motivo: quando Zelenskyy veio à Assembleia da República, o PCP não compareceu – fez mal, mas não compareceu; ora, segundo notícias da altura, mais de um terço das pessoas questionadas também não seriam a favor da presença do presidente ucraniano no Parlamento. Mérito ou demérito, uma coisa é certa: o PCP continua a ter representação porque continua a representar partes da população. É tão simples como 1+1 ser igual a 2. Mas, como de costume, os decisores não escutam o povo. Não o auscultam. Não o tentam favorecer. Ao invés, imbuem-se de uma sede de poder a qualquer custo e até uma guerra a Leste serve as pretensões da direita em Portugal. Na arte do aproveitamento político, nunca ninguém será melhor do que a direita. Especialmente, esta nova direita: mais reactiva, mais capaz de baralhar e confundir, mais populista e artificialmente erecta.

Gostaria de escutar os argumentos, de assistir às novas tentativas de ascender a todo o custo ao poder, de ver a fabulação daqueles que, antes, eram pró-oligarcas e agora são anti-matrioscas e de me rir com a falta de vergonha que o PSD (e outros mal paridos) tem na cara. Oxalá se concretize.

Vivemos dias em que se atira um “putinista” para lá, um “putinista” para cá… e até os mais ávidos putinistas deixaram de o ser, com a direita portuguesa a travestir-se ao máximo neste particular. É caso para dizer: putinistas há muitos, seus palermas!

Comments

  1. António says:

    Parabéns pelo sei óptimo comentário e a sua redação! Advirto já que não sou do PCP, senão os “palermas” e imbecis, veem logo dizer que sou ‘putanista’. Efectivamente atravessamos uma época em que a psicopatologia pode esclarecer melhor, estas mentes perversas e deformadas, pelo direitismo e reacionarismo primário, sobretudo numa direita e extrema direita com alma fascista e maquiavélica, que tem sobretudo raízes, no narcisismo patológico e até pior. O ser Fascista e Nazi, não será por si, somente e politicamente, mas na conduta diária de maus e perversos valores, conduzindo a actos para com os outros, um inferno. Até existe um livro “O Inferno são os outros”. Ressalvo que não é o inferno dos católicos, esse gerador de grandes traumas na infância, mas as desgraças, os crimes e as guerras gerados por essas mentes, que além de “PALERMAS”, são um terror para a sociedade!

  2. Paulo Marques says:

    É natural, é o pânico dissonante de quem sente que foi mentido sobre a iminente falência, a bondade sancionatória, a liberdade de expressão a ficar mais arbitrária, os combustíveis fósseis que afinal não desaparecem por decreto, os heróis perfeitos que afinal têm falhas, a defensividade da NATO, a guerra prolongada que afinal tem custos, e outras maiores e menores aldrabices com que têm que lidar cognitivamente à medida que o que é continua a ser.
    Irá escalar a indignação e a parvoeira, até desaparecer de um dia para o outro deixando a intacta a plena convicção de que nunca erraram, porque processar o disparate maior que é a violência desumanizante do conflito é muito mais complicado, e as explicações simples estão numa bonita bandeja. Já vimos este filme. E vamos ver outra vez.


  3. A palermice não é exclusiva do povo português.
    86% do povo alemão está cego e ucraniano.
    O chanceler alemão que não quer entrar no jogo, está lixado.
    O insolente do embaixador ucraniano em Berlim, insulta os membros do governo e eles ainda pedem desculpa.
    Os Verdes estão da cor da azeitona.

    • João L Maio says:

      Não é incomum. A embaixadora ucraniana em Portugal também já anda a “tomar partido”, literalmente. Não é o seu papel e alguém devia dizer-lhe. Para não falar do presidente daquela associação, que num laivo de ignorância mostrou desconhecer a História de Portugal.

      • Teresa Palmira Hoffbauer says:

        O chanceler Olaf Scholz anunciou que não irá visitar proximamente Kiev e o embaixador ucraniano em Berlim, Andrij Melnyk, logo lhe respondeu com sarcasmos diversos e com um epíteto quase intraduzível.

        O “nosso” insolente conhece bem a História da Alemanha 🇩🇪 e a História do Terceiro Reino. Esquece de mencionar que é neto de um nazi ucraniano que colaborou com os nazis alemães nos terríveis massacres, onde não só morreram judeus. Uma vergonha para os alemães como também para os colaboradores ucranianos.

  4. JgMenos says:

    Longe de mim querer o desaparecimento do PCP ou dos que dele discordam «não no conteúdo, mas na forma».

    São o padrão maior da falsidade e cretinice esquerdalha, são a luz de tão excelsa estupidez, bandeira de toda a traição aos valores da Pátria Portuguesa, símbolo perene de subserviência a soviéticos, russos ou o mais que hasteie os símbolos do poder totalitário com promessas ou vagas esperanças de obscuras e idiotas igualdades.

    Longa vida aos símbolos de tamanhos desastres para que sempre os façam recordar.

    • Paulo Marques says:

      O Menos prefere os valores da pátria com subserviência às famílias de bem que hasteiem os símbolos do poder totalitário com promessas que lhe dê migalhas por tão bem lamber botas, ao ponto de se masturbar com tanta concordância temporária no disparate.
      Vai chorando, bebé.

    • POIS! says:

      Pronto, seja! Associemo-nos patrioticamente ao apelo do Menos!

      Longa vida ó Oliveira da Cerejeira! Longa vida aos Kaulzas, Neves e todos os militarões! Longa vida ao Quarto Pastorinho!
      Longa vida ao JgMenos!

  5. Ana Moreno says:

    Viva João,
    “Mas, como de costume, os decisores não escutam o povo. Não o auscultam. Não o tentam favorecer. Ao invés, imbuem-se de uma sede de poder a qualquer custo e até uma guerra a Leste serve as pretensões da direita em Portugal. Na arte do aproveitamento político, nunca ninguém será melhor do que a direita. Especialmente, esta nova direita: mais reactiva, mais capaz de baralhar e confundir, mais populista e artificialmente erecta.”
    Parabéns pelo conteúdo e a forma.

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  1. […] É o que eu digo: putinistas há muitosputinistas há muitos. […]

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