Refugiados da Ucrânia que ninguém quer

Já se sabia disto há algumas semanas, mas assobiamos todos para o lado, na esperança que a coisa se resolvesse. E sim, esta situação era mais do que expectável. Por muito que o queiram negar, Portugal tem um problema de racismo e esta situação só o veio confirmar.

Segundo Laurinda Alves, vereadora da CM de Lisboa, estão cerca de 60 refugiados, vindos da Ucrânia, no abrigo temporário da autarquia, porque, afirma a vereadora, “ninguém os quer”.

E porquê?

Porque o tom de pele está no pantone errado.

Nenhum deles é branco.

São sobretudo estudantes de países africanos.
E, muito provavelmente, rezam a um Deus diferente.

Vale a pena recordar que os próprios ucranianos foram tratados como lixo, quando cá começaram a chegar nos anos 90. Lembro-me bem do estigma, da discriminação e do tom ofensivo, da falta de oportunidades para pessoas que, não raras vezes, eram altamente qualificadas. Ser ucraniano, para muitos portugueses, era insulto em si. A xenofobia era permanente e gratuita. Eram seres inferiores. E para muitos continuam a ser. Mas agora está na moda ser solidário com os ucranianos, parece bem. E as modas, como sabemos, andam sempre de mão dada com doses cavalares de hipocrisia.

A ONU prevê que, até Setembro, 350 mil crianças morram de desnutrição na Somália. 350 mil crianças, vítimas de guerras, alterações climáticas e de pequenos Putins que, sorte a deles (dos Putins), não afectam o normal funcionamento dos mercados ocidentais. E tem boas commodities para vender. Curiosamente, não existe um milésimo da mobilização para salvar estas 350 mil crianças somalis. Sabem porquê?

Porque não são brancas.

Mas são crianças. Crianças que sofrem como qualquer criança em situações limite. Crianças condenadas a morrer de fome.

Sem escapatória.

Se ao menos passassem no telejornal…

Comments

  1. Anonimo says:

    “Ninguém os quer” foi a expressão usada? Excelente…

    A Europa não é racista. Soubessem os rapazes programar em Java ou Ruby, criava-se um “cluster” para os receber. Ou se em vez de pirogas conseguissem atravessar o mar nuns barris de crude. Cheios.
    A Europa tem tanto de benévola como de hipócrita. Tal como todos os outros Blocos políticos.

    • ze santos says:

      São sobretudo estudantes de países africanos.????????? mas são refugiados de onde? já agoira a laurinha quantos levou para casa? com o dinheiro dos outros qualquer sapateira é heroina

      • Anonimo says:

        Não sei se a Laura levou uns quantos, ou quantos o Bloco de Esquerda e o Mamadu já acolheram.
        Claro que o caminho fácil é perguntar a cada um que se insurge quantos acolheram. Ou recolheram. Desconheço a terminologia.
        Nem acho que seja racismo, mas sim por conforto. Ou egoísmo.

      • Paulo Marques says:

        Conflitos em África? Ditaduras financiadas em África? Problemas ambientais em África?
        Nem pode ser verdade, nem pode ter nada a ver connosco, são fenómenos naturais.

  2. Joana Quelhas says:

    O Elitismo no seu melhor.
    O Povão tem todos os defeitos. Pela mente distorcida do Elitista o povo é racista, xenófobo , é desumano , faz tudo mal etc etc.

    O Elitista na sua imensa arrogância intelectual , sabe de todos o defeitos da ralé e ao mesmo tempo tem a solução para todos os problemas.
    Só lhe falta o poder.
    O poder de endireitar o mundo. O poder para fazer o paraíso na Terra.

    Dêem o poder a um comuna ( mesmo que não saiba que o é ou racionalize face á terra queimada quando olha para trás) e ele se encarregará de implantar o Éden que tem na sua cabecinha pouco humilde e inconsciente de como aqui chegamos, das conquistas de que desfruta são obra de muitos homens e mulheres muito melhores que ele.

    O Elitista é Racional , é Positivista ele conseguirá…doa a quem doer…

    Joana Quelhas

    • Chega, Menos! says:

      “Só lhe falta o poder.
      O poder de endireitar o mundo. O poder para fazer o paraíso na Terra.”

      Ó Joaninha, o poder de en(direitar) o mundo é coisa mais para teu transgénero virtual, não achas?

    • ze santos says:

      quntas levaste p tua casa? phodem-me dinheiro nos impostos, pelo menos perguntem-me para que o usam. ou é só roubar? qualquer rato com o dinheiro dos outros é heroi

    • Paulo Marques says:

      Saúda-se a confirmação de que, de facto, o tal temível e imparável adversário não tem poder. Lá vão admitindo no meio do festejo para ver se alguém se sente insultado.
      Mas falha ao lado, o problema não é, nem é dito que é, a ralé. É ser um problema expectável para o qual as boas declarações que ia correr tudo bem não é governar, é fugir para a frente para ficar bem na fotografia.

    • POIS! says:

      Pois é, ó Quevelhass…

      A tática de escrever comentários que ficam à espera que apareça um post a condizer tem os seus problemas.

      Por vezes, ao fim de um certo tempo, começam a entrar em decomposição.

      Este, pelo menos, deita um pivete suspeito, já não aguentava muito mais no frigorífico. Tinha de sair nem que o post fosse sobre cuecas de senhora, baratas comestíveis ou a vida sexual dos dragões de komodo.

  3. JgMenos says:

    O ser estranho, o ser anormal, está cancelado!
    Feio ou bonito, gordo ou magro, preto ou branco, macho ou fêmea, nacional ou estrangeiro… tudo está coberto pelo diáfano manto da igualdade esquerdalha!
    Uma igualdade instantânea e universal! (1)
    E para tudo isso há palavras definidoras.
    As palavras servem para fixar diferenças, formar sentenças que estabeleçam desigualdades: racistas, elitistas, nacionalistas, machistas, feministas, homofóbicos, … todo um cardápio que é coletânea de cajados com que os pastores querem o rebanho com um comportamento uniforme, um pensamento uniforme, uma uniforme forma de obediência ao padrão que definam.
    À ‘ocupação de espaços’ segue-se a ‘ocupação de mentes’.

    Os fascistas limitavam a acção? É pouco, a esquerdalhada quer limitar o pensar, o sentir, o vocabulário…

    (1) Sempre há uma excepção €

    • Paulo Marques says:

      É o Menos que está a negar a diferença plasmada na realidade. Se acha que está bem assim, diga que está bem assim, homem. Ou que devem ser recambiados, ou que devem ir para um campo de concentração, ou lá o que defende.
      Agora que isto não é o que se prometeu, nem digno, não é.

    • POIS! says:

      Pois é inacreditável!

      Vosselência cancelado? Ao quisto chegou!

  4. Paulo Marques says:

    A melhor forma de combater a xenofobia seria assegurar a prosperidade e segurança nos países de origem, bem como nos de destino, para que se deslocasse mais quem pode do que quem precise, invés de depois ser filtrado por critérios obscuros e desumanizantes para ser atirado desprotegido para uma população que não está preparada para isso.
    Era bonito que se recebesse sempre bem e se integrasse rapidamente, mas há sempre um qualquer limite em qualquer parte do mundo. Por muita falta de governação, certamente, mas, com ou sem melanina, existe sempre. E os pobres ucranianos também o vão sentir, só falta o tempo e a crise.


  5. Olá! A sensibilidade desse tema é algo impressionante. Recentemente compartilhei minhas ponderações acerca dos refugiados e os preconceitos que enfrentam!
    Meu blog é novo por aqui, a intenção é compartilhar textos jornalísticos de minha autoria sobre os mais diversos temas. Se puder seguir e interagir, será de grande ajuda.

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