A histeria estorva a acção

O humorista Ricardo Araújo Pereira escreveu uma crónica a “atacar” a tentativa de pinkwashing da Fox News, em parceria com o braço armado da comunidade LGBTQI+ do Partido Socialista, a ILGA, onde aponta o facto de, nessa mesma parceria, se descolar o género da identidade sexual (que, na verdade, andam e andarão sempre de mãos dadas, pois um não existirá sem o outro). Conclui o humorista que, se querem tirar a carga sexual das atracções que são, fundamentalmente, sexuais, então que chamem homogenerais aos homossexuais.

Para melhor compreensão do tema, recomendo também a crónica de Carmo Afonso no jornal Público, onde a mesma tem uma frase salutar: “É uma chamada de atenção para a esquerda. (…) Leiam antes de atirar as pedras. Pode não ser uma blasfémia.” O que parece ser a espuma das ondas em que se mergulha hoje em dia: a opinião imediata, nunca fundamentada e que procura dividir, à esquerda e à direita, a sociedade entre “nós” e “os outros”, sem atender ao que, de facto, está escrito e fundamentado.

Digo isto com alguma pena de mim próprio, porque, infelizmente, parece que não podemos ser crianças para sempre; mas sou do tempo em que a esquerda se unia em torno de causas que achava primordiais e saía à rua, fazia barulho na rua pelos direitos que achava serem inalienáveis. Hoje, também com muita pena minha, denoto que esquerda, em vez de se unir nas ruas por esse país afora, inunda as redes sociais e as caixas de comentários com opiniões enraivecidas que, ao invés de tentarem “educar”, tentam impor uma visão unipessoal de alguns temas, sem que o debate se faça seriamente e com fundamento.

Resumindo: a esquerda, nomeadamente uma certa esquerda que se acha ‘woke’, está com o vício de atacar diversos autores, colunistas e opinadores, sem sequer ler os fundamentos. E, depois, caem neste erro de atacar quem os está, na verdade, a defender. Mais uma vez, parece-me, é o capital a levar a melhor – e essa certa esquerda nem disso se apercebe, na ânsia de americanizar a política social portuguesa.

Nunca se mudarão mentalidades à força. Legislar o direito ao aborto, o direito ao divórcio ou o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, não se fez num dia – porque Roma não foi construída num dia.

Comments

  1. JgMenos says:

    Pois há gente que se diz de esquerda e está farta dessa treta da identidade de género e LGBT+oquevenha?

    Será que começaram a usar os neurónios?

    • POIS! says:

      Pois não.

      Sempre usaram.

      Vosselência é que promete começar a usar, mas para a semana. Isto há, pelo Menos, uns 48 anos. A caminho dos 50!

  2. Paulo Marques says:

    Têm que ouvir melhor e estudar mais: o sexo, o género, as preferências amorosas, e as preferências sexuais estão correlacionadas, mas não são a mesma coisa. Vai-se a ver, cruzes, credo, ainda se percebe que são todos conceitos culturais, o horror!
    Se calhar começar por reparar quem diz o quê era meio caminho para chegar lá. Certo é que o jovem piadolas pode ao menos ter coração, mas, como o ex-colegas, continua a não passar de um profissional de piadolas.


  3. É preciso pagar para ler. Como não quero pagar estou-me lixando.

  4. Anonimo says:

    Cancelar o araujo pereira. Custou, mas chegou.

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