A contradição do costume voltou em força: em Democracia todos os fascistas votam. E, se nem todos os que votam em neo-fascistas (dos Fratelli ao Lega, em Itália, do CHEGA, em Portugal, ao Vox, em Espanha, do Fidesz, na Hungria, ao PiS, na Polónia, passando pelo SD, na Suécia) são neo-fascistas, a verdade é que a “moderna” extrema-direita europeia se soube re-inventar e aproveitar os fracassos dos partidos democráticos, sobretudo de esquerda, catapultando-se para o poder.
O aproveitamento populista de certos temas, o cultivo do ódio e do ressentimento pelos próximos e por quem é pobre e/ou diferente, a cultura do “contra tudo-contra todos” não são factores novos nem foram inventados pelos que, agora, se chamam “iliberais”; ao invés, são fotocópias ajustadas aos tempos de hoje, daquilo que foi a estratégia dos – outrora – fascistas dos anos 20 em diante para tomar o poder. E é sabido que quando a coisa aperta, o fascismo aperta também. O povo vai atrás, porque se revê na ideia do “Salvador”, na imagem do deus supremo que tudo resolverá e, também, porque os partidos democráticos lhes falharam e continuam a falhar.
Dizia Pepe Mujica, antigo presidente do Uruguai, que o Ser Humano é provável que seja o único animal que é capaz de tropeçar vinte vezes na mesma pedra sem aprender a desviar-se dela. A onda fascista que ameaça, de novo, a Europa é prova dessa mesma incapacidade de nos tornarmos sagazes.
A Itália propagou o fascismo, enforcou-o e agora ressuscita-o. As melhoras, Itália.
Ah, só mais uma coisa: hoje, Vladimir Putin também ganhou.

Giorgia Meloni. Fotografia: Getty






“A eleição da primeira primeira ministra num país representa sempre uma ruptura com o passado e é certamente uma boa coisa. Mas depois, como para qualquer líder, mulher ou homem, tem de ser julgada por aquilo que faz. Não estive sempre de acordo com Margaret Thatcher, mas admirei a sua determinação.”
Citada a nossa querida e iluminada aliada (adivinhem), parece-me que é uma derrota auto-inflingida insistir em chamar fascista ao que é diferente e que, de resto, nunca foi propriamente uma ideologia bem definida. Embora a base supremacista e corporativista seja a mesma, bem como os mitos do passado, baseia-se ao contrário deste, no neoliberalismo bem entranhado para questionar o globalismo, do qual depende como o outro não dependia, protegendo-o no fundamental “senso comum” da acumulação interna para cima, para atacar o acessório do respeito pelo outro, a única modernidade consensual da direita ao centro-esquerda com o braço armado da propaganda dos donos dos média.
Não é a mesma pedra; esta está bem contente em agradar ao mestre estrangeiro, que também está bem com isso, desde que não atrapalhe a liberdade fundamental da hierarquia financeira. Afinal de contas, estava tudo tão bem com a Rússia e China (ou antes Iraque ou Líbia), ou Hungria e Turquia, como com a Arábia Saudita ou Singapura, não estava?
Com que então chamar fascista ao que é diferente e que, de resto, nunca foi propriamente uma ideologia bem definida? Dizer isso só prova que não conhece a História. Em 1922, faz agora 100 anos, que se implantou pela primeira vez o regime fascista em Itália, com Mussolini, que é a Ditadura terrorista do capital financeiro que foi aperfeiçoado e implantado na Alemanha em 1933 sob a designação de Nazismo e que conduziu à 2.ª Guerra Mundial.
A ditadura terrorista do capital financeiro, concretizada no favorecimento do capital industrial interno com a substituição do papel da banca com dificuldades e o fecho do capital estrangeiro. Aperfeiçoado na Alemanha, não só receptora de capitalismo europeu e americano, como não fechando as trocas comerciais pelos materiais que necessitava para a máquina de guerra, e cujas primeiras políticas foram de privatização e liberalismo económico.
Tem razão, consistente e bem definido. Um tinha propaganda futurista baseada na modernização da estrutura conservadora, outro na reconstrução do país megalómana. Certamente não há literatura quando se junta ainda Franco e Salazar à mistura a discutir diferenças e semelhanças; não, é mesmo exactamente o mesmo e é por isso que a equivalência é facilmente aceite.
O ressentimento por quem é pobre, ou rico, ou simplesmente remediado mas não tão pobre como nós.
As pessoas procuraram respostas, opções e alternativas, nem sempre (ou quase nunca) usando a razão. De barriga vazia e cabeça à nora é mais difícil.
Os ditos partidos democráticos têm usado o papão dos partidos fachos, funciona (como em frança) até deixar de funcionar. Mas longe deles assumirem qualquer responsabilidade. É o capital, o neoliberalismo, os tecnocratas, os populistas e em última instância o povo burro, racista e ignorante.
O caso sueco é interessante; muita aversão à imigração, mas também muita aversão à cultura do país não por parte dos imigrantes, mas dos seus descendentes já nascidos na Europa.
É adorável ver a azia dos “esquerdistas”.
É ainda mais adorável ver a sua preocupação com o Putin. Curiosamente, não os vejo preocupados com o Zelensky (agora arvorado em “grande defensor dos valores ocidentais” mas apoiante de indubitáveis nazis das milícias armadas ucranianas, como Batalhão Azov).
Tal como não estavam preocupados quando criaram aramaram e apoiaram a Al Qaeda. Depois… foi o que se viu.
Fernando, é começar a pensar num colete de forças. Isso de misturar os comprimidos com o álcool não está a dar bom resultado.
O Zé nem sabe onde põe as armas, quanto mais interferir e financiar eleições externas ou atacar sistemas informáticos.
Qual Al Qaeda, essa foi armada ali pelos nossos grandes amigos Sauditas; o que devia servir de aviso era o consenso para apoiar mudanças de regime no mundo árabe a qualquer custo, acabaram bem.
«animal que é capaz de tropeçar vinte vezes na mesma pedra sem aprender a desviar-se dela»
Notável definição de esquerdalho!
Cala-te, calhau.
Mais preocupante que os números da extrema direita, são os números da abstenção. São pessoas que abdicaram do direito de voto, desistiram de lutar nas urnas. Não querem saber, ou estão desiludidas, o que é ainda pior. No dia em que os partidos extremistas conseguirem enfeitiçar estes, aí sim teremos um problema.
Em Portugal, a abstenção é grande (e a jovem* devia ser caso de estudo), mas os partidos estão-se borrifando. Lançam os clichés do costume, depois culpam os cadernos, e siga. Limitam-se a disputar o eleitorado tradicional, desde o Cavaco ao Costa, os pensionistas e funcionários públicos, desde que estes cheguem para os manter no poder, o resto não conta.
*votar era um privilégio, uma alegria até. Percebo que ao fim de umas décadas a coisa se torne uma formalidade, quase que uma obrigação, tal o desencanto, mas com 18-20 anos…
PUTIN PUTIN PUTIN (é o que antecipo ser a reação da comunicação social)
Falta rigor. É só procurar as posições da Meloni e dos fachos italianos sobre a Russia e a NATO para ver que nada diferem dos verdes alemães e outros rottweilers belicistas, podem contar com a meloni e (quase) todos os neo-fascistas europeus (exceto o orban) em cada passo da escalad- quer dizer do esforço de guerra entre a nato e a russia.
É um sinal de desprezo pelos problemas reais que os italianos passam reduzir esta eleição á questão da ucrania, não porque este novo governo vai resolver alguma coisa, já se comprometeu a aplicar a mesma austeridade que a italia sofre há 20 anos por diktat europeu mas agora mais do que nunca as populações imigrantes que já servem de bode escapatório vão sofrer ainda mais.
Mas fale-se menos da UE, do euro, da austeridade da ausência da esquerda e mascare-se a cena com o putin
É mais complicado que isso; nem a Itália está muito para virada para sanções, principalmente A Liga, nem a austeridade tem 20 anos, o plano Draghi do vínculo externo austeritário tem 30.
Que opinião tão facista ou à MSoares, aquele que é um dos responsáveis pelos genocídios ocorridos em Angola, Guiné e Moçambique na sequência da socialista guerra civil com que ele brindou os africanos. em 1975. Assassinou mais gente que o socialista Mussolini? Creio que sim, com o aborto!
Ora pois!
O Mussolini era um grande socialista!
Assim como o Obreiro do Estado Novo que era seu um grande admirador. Até lá tinha um retrato por cima da secretária, autografado e tudo (*).
Aliás, Mussolini tinha planeado retribuir o gesto aquando do 56º aniversário de Salazar. Infelizmente, segundo reza a História, terá sido chamado para voos mais altos, ao lado da sua querida Petacci e a ocasião gorou-se.
Aliás, nos arquivos agora abertos, constatou-se que o Obreiro da Nação lhe tinha dedicado uma quadra muito linda:
” A tua foto Mussolini,
Tenho na escrivaninha.
Todo o dia rezo a Deus,
P’ra que ganhes a guerrinha”
(*) Consta que em privado teria outros, com poses e dedicatórias mais atrevidas. Mas nunca foram encontrados. Apenas uma singela pagela do Cerejeira em tronco nu durante uma peregrinação ao Meco. Mas adiante!
Ufa, tavam bem era a levar com G3 para comerem os próprios colhões, rais parta o Soares que estragou o ensino do seu lugar.