“Caprichos onanísticos”

O líder de um partido político que se refere à adopção e co-adopção por casais homossexuais como “disponibilizar crianças para satisfazer os caprichos onanísticos e preconceitos heterofóbicos dos gays e das lésbicas” deve saber que está a descer ao nível mais baixo da política, aquele em que não se hesita em aviltar um conjunto de cidadãos para marcar uma posição face a um adversário político. É isto que faz Marinho e Pinto neste artigo. Degrada e calunia tanto as famílias compostas por casais homossexuais que já existem como aquelas que poderiam vir a formar-se, reduzindo a vontade de dar um lar a uma criança a “caprichos onanísticos” e manifestação de “heterofobia”, e fá-lo porque encontrou nisso uma arma de arremesso político que ele provavelmente entende que pode valer-lhe uns votos.

Marinho e Pinto poderia esgrimir argumentos contra a adopção homossexual, ou não tivesse ele o direito a opor-se a essa possibilidade, mas não o faz, opta pela generalização ofensiva e aviltante. Poderá ser porque não sabe fazer melhor do que isso ou apenas porque é esse o caminho mais fácil. Seja como for, e para usar as palavras dele, “é bom que o país saiba o que pode esperar”, caso tenha andado distraído até aqui.

(Via Malomil)

Das macholiberalidades

De muito macho a mariquinhas e do tudo muito liberal ao vamos lá com calma.
 

I’m a lumberjack, and I’m okay.
I sleep all night and I work all day.

I cut down trees. I eat my lunch.
I go to the lavatory.
On Wednesdays I go shoppin’
And have buttered scones for tea

I cut down trees. I wear high heels,
Suspendies, and a bra.
I wish I’d been a girlie,
Just like my dear Papa.

Sou lenhador e sou a preceito.
Durmo toda a noite e trabalho o dia todo.

Corto árvores. Como o almoço.
Vou ao quarto de banho.
Às quartas vou às compras
E como scones com manteiga ao chá

Corto árvores. Uso saltos altos,
Ligas e sutiã.
Queria ter sido um mariquinhas,
Tal como o meu querido papá.

Pedro Passos Coelho almoça com Blogger – Parte III:

O prometido é devido, aqui fica a terceira parte do almoço com Pedro Passos Coelho:

Termina hoje a série “Almoço de Pedro Passos Coelho com bloggers” com a divulgação dos temas: Regionalização, PSD, Liberalização das Drogas Leves e a adopção por casais homossexuais.

Ficou para o fim por ter sido, igualmente, o tema de final do encontro. Vou procurar ser breve e sucinto.

No tocante à Regionalização deu para perceber que não quer a Regionalização. Mesmo afirmando que a não quer para já, entendendo que é necessário fazer uma ampla discussão sobre os poderes que serão atribuídos às regiões e a forma como as mesmas se terão de organizar, levei deste encontro que Pedro Passos Coelho não quer a Regionalização.

É claro que se afirmou, em termos de princípio, como favorável. Considera é que não temos hipótese de a realizar nos próximos anos, mais precisamente, quatro a seis anos:

“Desenvolver um processo destes agora seria um erro”

Defende é que em sede de revisão constitucional se deveria avançar para a criação de uma região piloto, testando modelos de competências, de recursos humanos e de financiamento. Pois. Obviamente, algo obrigatório em todo o programa eleitoral, é a favor da descentralização. Pois.

Em suma, como venho afirmando junto de alguns amigos regionalistas, isto só lá vai pela força!

Quanto ao PSD, preferia ter concorrência. Se ganhar vai criar um governo sombra a trabalhar a tempo inteiro. Afirmando-se Liberal nos princípios mas de esquerda na medida em que não é um conservador, diz não ter nada contra a direita mas não gosta desta simplificação classificativa por a entender como um referencial muito pobre. Acha que o PSD ainda é muito pouco liberal nos costumes sendo mais liberal em termos económicos. O resto, foi em off, eheheheheh.

“É necessário melhorar os mecanismos de adopção”

No tocante à adopção pelos casais homossexuais tocou numa tecla diferenciadora: O actual regime de adopção é péssimo e o caminho, desde já, é alterar o modelo e, alterando-o criar novas fórmulas, novos modelos onde o que importa é o interesse da criança, a idoneidade dos adoptantes, a garantia de meios de subsistência e não o “tipo de casamento”.

“A repressão não é a solução”

Na sua opinião, as vias convencionais de combate à droga não estão a resultar, hoje temos mais consumidores e os estados estão mais desprotegidos. Entendendo que a repressão não é a solução, admite descriminalizar o seu consumo e liberalizar a sua venda mas numa escala mais alargada. Alguém comentou: é necessário mudar o paradigma, ao que ele respondeu: “exactamente”.

Em jeito de conclusão, Pedro Passos Coelho apresentou-se cordato, bastante calmo, suficientemente preparada em diversas matérias, minimamente consistente e, acredito, franco. Não é fácil enfrentar mais de uma dezena de bloggers, todos em roda livre e representativos de alguns dos mais lidos blogues em Portugal, o que me levou a pensar que teria à minha espera um político receoso, calculista e procurando agradar a tudo e todos. Não vi pinga de receio, não o vi a querer agradar a tudo e todos e não me pareceu minimamente receoso.

Não vai ser pêra doce ganhar a Pedro Passos Coelho: é um excelente comunicador, está atento à realidade, é menos liberal do que pintam e, certamente, conhece bem o partido.

Entendo que o actual PSD necessita de mudar, de mudar de vida (como na canção…), precisa de ser mais liberal nos costumes, utilizando uma sua expressão, deixar-se de complexos e ser um verdadeiro partido reformista largando a costela conservadora. Mas será que Pedro Passos Coelho é a “revolução” que o PSD precisa?

O Aventar disse presente. Como dirá sempre que for convidado por qualquer candidato, seja de que partido for. Para todos nós, estou certo, estes convites (e outros que sei já estarem a caminho) são o reconhecimento de que vale a pena apostar em juntar pessoas tão diferentes sob a égide de um blogue profundamente pluralista e defensor intransigente de um valor supremo: a Liberdade.

O Aventar é, quiçá, o único blogue nacional que junta indivíduos politicamente tão diferentes, da extrema-esquerda à extrema direita, republicanos e monárquicos, ateus e crentes mas todos com um objectivo comum: exercer o seu direito à livre expressão. Não somos nem melhores nem piores, somos apenas e só o Aventar.