A música é de José Barata Moura e chama-se «Vamos Brincar à Caridadezinha». Editada pela Orfeu, em 1973, faz parte do primeiro disco do artista e é essenciamente uma música de protesto e de crítica ao regime e à sociedade do tempo da Ditadura.
Sobres esta música, escreveu ernando Madail no «Diário de Notícias» de 22 de Dezembro de 2007: «”Vamos brincar à caridadezinha, festa, canasta e boa comidinha”, cantava José Barata Moura em tom de crítica àquele tipo de senhora que “passa a tarde descansada, mastigando a torrada, com muita pena do pobre, coitada!” O músico, que seria reitor da Universidade de Lisboa entre 1998 e 2006, devia estar cansado de ler notícias como a que o DN publicava no dia 18 de Dezembro de 1965 sobre uma “obra de amor e de bem-fazer”.
A explicação vinha logo no título daquela notícia a meio da sétima página : “A sede dos ‘Fernandinhos Pobres’ começou a encher-se de crianças dos bairros humildes de Lisboa que ali vão buscar alegria e agasalhos”. E a legenda acrescentava: “dirigentes e benfeitoras dos ‘Fernandinhos Pobres’, durante a festa de ontem”.
Para os espíritos mais progressivos, parecia impossível escrever algo deste género: “Uma centena de crianças humildes de Lisboa foi já, ontem à tarde, ao grupo ‘Fernandinhos Pobres’ receber alguns dos donativos que ali costumam distribuir na quadra do Natal”. Mas, enfim, nessa longa noite do fascismo lusitano, havia – já se sabe! – exploração.
“Presidiu à cerimónia a sr.ª D. Maria Natália Rodrigues Thomaz, filha do Chefe do Estado [acerca da qual corriam quase tantas anedotas como sobre o pai]. Presentes, também, muitas senhoras da alta sociedade que patrocinam aquela obra de caridade.” Ah! Essa amaldiçoada palavra “caridade”!
“A partir das 14 horas, começaram a afluir os gaiatos, juntamente com as mães e outros familiares à sede daquele organismo de beneficência. Eram crianças das mais pobres que há na cidade [como se isso fosse um motivo de orgulho para elas] , filhas dos casais que vivem nos bairros mais humildes, tais como Sete Moinhos, Casal Ventoso e Curraleira [provavelmente uma garantia de que, afinal, não eram os falsos pobres de que sempre se suspeita, seja na distribuição de prendas aos pobrezinhos ou no rendimento mínimo]. A pouco e pouco as cem alcofas foram sendo distribuídas. A primeira foi entregue pela sr.ª D. Maria Natália Rodrigues Thomaz [apontada, então, quase como sendo um sinónimo da fealdade], a segunda pela sr.ª D. Maria Madalena Morais, presidente da Cruz Vermelha, e a terceira pela sr.ª D. Maria Emília Castro, esposa do sr. dr. Augusto de Castro [director do Diário de Notícias e, obviamente, uma figura do regime]. E, durante mais de duas horas estas e outras senhoras espalharam, com estes donativos, alegria e conforto a tantas famílias.”
Lá cantava José Barata Moura, no seu timbre claro, em que todas as sílabas se entendem perfeitamente, que “o pobre, no seu penar, habitua-se a rastejar e, no campo ou na cidade, faz da sua infelicidade algo para os desportistas da caridade”. Adiante.
“Na sede dos ‘Fernandinhos Pobres’ reinava uma atmosfera de ternura e de felicidade contagiantes. As crianças riam ou abriam os olhitos com aquela expressão de encanto que é apanágio das suas horas de emoção mais alta.” Seja lá este aspecto o que for…
“As beneméritas protectoras do grupo, a que preside a sr.ª D. Virgínia Lopes da Silva, comungavam, também, na satisfação geral dos seus protegidos, que se sentiam com o Natal deste ano mais iluminado e mais aberto à esperança.” Estávamos, pois – nunca se deve esquecer! -, em pleno fascismo, um tempo de ignorância e de miséria. Aliás, a notícia do lado parecia uma metáfora velada, pois “Lisboa sem sol foi ontem uma cidade triste” e “o nevoeiro deu-lhe uma poesia estranha e fantasmagórica fora dos hábitos alegres dos alfacinhas” – em contrapartida, registavam-se 40 graus em Lourenço Marques, como se designava, nesse tempo de guerra contra os turras (os guerrilheiros da Frelimo), a agora Maputo.
“Hoje, à tarde”, concluía o jornalista, “o mesmo grupo e as mesmas senhoras vão ainda distribuir por mais quatrocentas crianças outras valiosas prendas. São peças de vestuário e de calçado, um lanche e umas guloseimas, para que os miúdos participem, com algo de concreto, no sortilégio mágico do Natal.”
Moral da História: 42 anos depois, derrubado o regime fascista e finda a guerra colonial, com 33 anos de democracia e 22 de adesão europeia, ainda continuamos a necessitar de instituições como a dos “Fernandinhos Pobres”. E a canção parece não ter perdido actualidade: “Não vamos brincar à caridadezinha, festa, canasta e falsa intençãozinha.»
Sons de Abril: José Barata Moura
O monstro debaixo da cama
Há uns meses, Tim, vocalista de Xutos & Pontapés, dizia que por cada disco vendido a banda recebia muito pouco. Era tão pouco que acabavam por receber, em proporção, mais dinheiro cada vez que um fã comprava um toque de telemóvel com uma pequena parte de uma canção.
Este é um daqueles segredos de polichinelo. Há muito, para não dizer desde sempre, que os maiores rendimentos em redor da indústria da música vão para os editores e outros agentes, deixando os verdadeiros protagonistas, os músicos, com uma fatia mais pequena.
Não espanta que, em todo o mundo, a guerra contra a distribuição digital ilegal de ficheiros de música tenha sido liderada pelos administradores das editoras e pela associação que representa estes tubarões da indústia. Ficaram famosos os processos da RIAA (Associação da Indústria Discográfica Americana) a algumas pessoas que fizeram downloads ilegais de música. Alguns deles terminaram com condenações ao pagamento da multas ridículas de milhões de dólares. A RIAA, como outras entidades, incluindo algumas portuguesas, seguiu o caminho da repressão. Já que não consegues vence-los, processa-os. A estratégia foi a pior de todas. Foi uma reacção de quem não vê um boi à frente mesmo que os seus cornos estejam quase a entrar pelos olhos. Enquanto se processam uns desgraçados, que tiveram azar, milhões de outros continuam a descarregar música de forma ilegal. Por certo, a industria musical lamenta não poder sentar todos no banco dos arguidos. Os amantes da música lamentam que a indústria da música continue a seguir um caminho autista. Os músicos continuam a ser os principais derrotados.
Em França, os deputados aprovaram, no início deste mês, uma emenda à lei que obrigava os internautas condenados por transferência ilegal de ficheiros a pagar o serviço da internet, mesmo não o podendo utilizar, devido a limitação judicial. Isto é, depois de apanhado a copiar produtos defendidos por direitos de autor e após dois avisos, o cliente de um provedor de internet seria julgado, multado, impedido de utilizar o serviço de net mas teria de o pagar até cumprir a penalização. A justiça teria mesmo de ser cega para aceitar uma coisa deste género.
A lei, que foi sabiamente emendada, pretendia fazer dos provedores de acesso à net os bufos perfeitos: acusavam alegados infractores e continuavam a receber dinheiro do cliente denunciado, além deste não poder usar o serviço. Os “ratos” perfeitos. Em Portugal, alguns protagonistas da indústria queriam o mesmo.
Acontece que a pirataria só vai ter menos praticantes – mas nunca será eliminada -, quando os preços da música ficarem mais acessíveis. A compra de música é demasiado cara e a maior parte dos rendimentos não segue para os criadores. Segue para uma série de parasitas que gravitam em volta de quem cria para eles e pouco mais fazem que um agente de jogadores de futebol.
Há cerca de um mês, num outro espaço, disse que nos dias de hoje, as editoras e etiquetas musicais, os agentes de artistas e bandas, além dos promotores de espectáculos insistem em anunciar os espectáculos de grande parte dos intérpretes como fazendo parte da “digressão de promoção do novo álbum”. Uma estratégia de marketing como qualquer outra e baseado nas fórmulas de outros tempos.
Disse ainda que no passado, os músicos lançavam discos e iam para a estrada promove-los. Era, claro, uma forma de ganhar dinheiro, mas sobretudo de contacto com os fãs e fazer com que comprassem discos, antes ou depois dos espectáculos. Os tempos agora são outros e o dinheiro para os artistas está do outro lado do arco-íris chamado “concertos”. É na estrada, em espectáculos em estádios, pavilhões, salas de concertos ou pequenos clubes e bares, que os músicos ganham dinheiro. A fórmula está alterada. Do tempo em que faziam uma “digressão de promoção do novo álbum” passamos, passaram os artistas, ao tempo em que lançam um novo disco para promover a digressão.
Os discos, sejam CDs ou DVDs musicais ou ainda ficheiros em MP3 ou outros formatos de distribuição, representam a fatia fina do rendimentos dos artistas.
O dinheiro investido na compra de música por parte dos fãs começa por pagar à editora os custos de produção – desde pagamento do estúdio, técnicos, promoção, gravação, produção de imagens, entre outros -, depois paga à editora a percentagem da editora, depois há outras pequenas despesas a suportar e só no final da linha os artistas.
É claro que auferem ainda os direitos de autor ao longo dos tempos. Se não fosse isso, e os concertos, mais valeria tocar e cantar as canções no metropolitano ou nas ruas das cidades. Há uns anos, na comunidade dos músicos, falava-se de que os concertos estavam em queda. Há um ano e meio alguns agentes anunciavam que a crise dos artistas estava a chegar, não só porque a música era “sacada” da internet sem que os intérpretes recebessem algo por ela, mas também porque a crise ia inibir os fãs de pagar bilhete para assistir aos espectáculos. Não foi isso que aconteceu. Antes pelo contrário. Daí que sejam os concertos a fornecer real rendimento, do dinheiro a sério, aos músicos.
Os dados divulgados no início de Fevereiro pela norte-americana Billboard mostram isso mesmo. É na estrada, nas “tours”, que está o “show me the money” das bandas e cantores. Basta olhar para o top dos fazedores de dinheiro em 2008 no mundo da música. Os primeiros 20 fizeram diversos concertos ou digressões inteiras. Com Madonna no topo.
Duvidam? Perguntem a um músico. Em Portugal perguntem, por exemplo, a Xutos e Pontapés ou a Tony Carreira. O mais popular dos cantores nacionais não deve ter muitos fãs a “sacar” canções ou discos inteiros da Internet sem pagar. Vende milhares de exemplares de cada disco, o último é platina por cinco vezes, mas por cada ano faz dezenas de espectáculos e os primeiros de cada digressão são de produção própria, através da sua empresa.
Há menos de um mês, o Diário de Notícias contava que a venda de discos continua a cair. Em 2008 o mercado discográfico português, conta o jornal, só facturou 44.332.628,09 euros. É muito, é pouco? É menos 12,47 por cento que em 2007. No entanto, apesar desta queda, o segmento digital cresceu. Em 2007, os downloads de músicas e toques de telemóvel tinham rendido 2.631.520,89 euros. No ano passado, aumentou quase 17 por cento, para 3.077.128,18 euros. A Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) fez as contas e apurou que foram aquiridos 46.043 álbuns, 423.077 singles, principalmente de artistas internacionais, e 829.347 toques de telemóvel.
“Desde o ano 2000 até hoje, as vendas desceram de 105,8 milhões de euros para os actuais 44,3 milhões, e o sector perdeu aproximadamente 138,8 por cento da sua facturação”, diz-nos ainda o jornal.
Claro que a AFP aponta a “pirataria digital” como é a responsável pela quebra das vendas de música. Dizem que está tudo ainda por fazer para a combater. É verdade. Sugiro que dêem um primeiro passo e comecem este processo através da redução do preço da música. Será um primeiro passo. A sensibilização do público, sobretudo dos mais jovens, é outra opção obrigatória, mas por si só, não
chega.
Continuar a bater na tecla de que a culpa é só da pirataria é tentar tapar o sol com a peneira. Até porque muitos desses ‘bandidos’ são aqueles que compram bilhetes para os espectáculos dos artistas e bandas. São estes os consumidores de música que convém captar para o lado dos não infractores. São estes os potenciais clientes da indústria musical que esta não soube captar porque os seus administradores estiveram mais interessados em contar dinheiro do que em compreender o mundo que circulava à volta deles.
Persistir no caminho trilhado até aqui será como procurar monstros debaixo da cama. Tenho quase a certeza que não estarão lá.
Woody Harrelson e os zombies
Woody Harrelson é um prato. Não sei se ainda se utiliza, mas há uns anos, quando se queria definir alguém como sendo divertido e engraçado, autor de umas piadas catitas, costumava dizer-se que fulano “é um prato”. Foi do que me lembrei quando li uma notícia, na CNN, sobre a explicação de Woody Harrelson para ter batido num fotógrafo no aeroporto de Nova Iorque.
O actor, já nomeado para um Oscar, por “Larry Flint”, e vencedor de um Emmy, por “Cheers, Aquele Bar”, é conhecido por ter um certo mau feitio.
Não chega ao mau feitio do pai, um assassino profissional contratado por grupos criminosos, mas por vezes fica irritado. Foi o que aconteceu no aeroporto de La Guardia. Perseguido por um paparazzi da agência TMZ, a ‘mostarda’ não demorou a chegar ao nariz do actor que agrediu o fotógrafo. Nas declarações à polícia, contou que participou num filme, “Zombieland”, no qual era perseguido por um zombie. Ao ser perseguido pelo fotógrafo no aeroporto, confundiu-o com um zombie e desatou à bofetada.
Daqui se podem tirar algumas ilações. Primeiro, que Woody tem tendência a confundir ficção com a realidade; Segundo, que já ninguém respeita os zombies.
Se isto chega a Portugal ainda há sarilhos. Bem, como em boa parte das vezes os paparazzi são chamados por quem, depois, se mostra indignado, talvez não.
Aventar à bruta
“A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.” – Peter Druker
Inicio com uma citação, porque acho que no futuro uma empresa chinesa irá registar os direitos de autor de todas as citações. Isso fará com que eu tenha de pagar uma pequena contribuição sempre que as escrever. Vou aproveitar agora, que ainda decorrem as negociações. Já recebi duas contas da Warner para pagar, por ter cantado o “Parabéns a você” este ano. Falei com um advogado para ver se não pagava nada, porque eu não sabia que a canção tinha direitos de autor, mas ele disse-me logo: 250 euros! Depois disse-me então que era uma questão complexa e ainda estava a ler todos os apêndices num site que encontrou.
Passando à frente. Como os Monty Python vão juntar-se, de novo, aproveitei e revi o “Brazil” do Terry Gilliam. É curioso perceber que uma utopia imaginada em 1985 seja uma realidade hoje em dia! Eu sempre achei que os Monty Python tinham “ligações superiores”. Até para prever o futuro.
Portanto, aventando à bruta para a frente. Para o Futuro, que é onde todos nós iremos viver.
Sem especificar datas certas, mas certamente acontecimentos para “breve”.
Cientistas neo-zelandeses inventam a primeira batata totalmente sintética. É feita do ADN decomposto do feijão. Técnicos da Sony desenvolvem a “nova” cassete “Beta”. Cientistas americanos, chineses, russos e alemães mostram, com recurso a estudos em Powerpoint, que afinal o Planeta está bem de saúde e não há razões para preocupações alarmistas. A indústria automóvel revoluciona os meios de transportes ao lançar um veículo com 2 entradas USB e suporte para 2 (dois!) I-Phones. Está em preparação o carro que não consome energia. O Estado pretende criar o ISM, Imposto sobre o Movimento.
A Inglaterra invoca o recentemente aprovado “Tratado de Lisboa” e abandona a UE, com o pretexto de não estar “ligada” fisicamente à Europa. Os Estados Unidos aprovam. Portugal também. O EU invadem o Tadjiquistão involuntariamente. Portugal envia involuntariamente 2 GNRs para o Uzbequistão. A China compra a Coreia do Norte. África torna-se o continente mais rico do mundo. O FMI e o Banco Mundial decidem intervir para não desestabilizar o plano financeiro internacional.
Depois da “crise” ter sido dada como terminada numa reunião do G2, os créditos para compra de habitação estarão com as melhores condições de sempre e será possível comprar uma casa T0-1 em “apenas” 120 anos (casa-de-banho não incluída). No plano dos créditos, uma subsidiária da “Corporación Dermoestética” lança um crédito especificamente para operações estéticas que consistem em ficar cirurgicamente igual ao Cristiano Ronaldo. As Farmácias Portuguesas oferecem uma operação “Cristiano Ronaldo” ao primeiro utente a acumular 1.000.000 de pontos em medicamentos genéricos. O sexo já não é um tabu e é legalmente permitido na Assembleia da República. O Bloco de Esquerda aplaude. O CDS insurge-se e abandona o Parlamento.
A Quimonda é reconvertida num pólo de robótica e patrocina a abertura na Maia, do primeiro Zoo totalmente robotizado. Funcionários, plantas e animais, tudo é robotizado, sinal do grande poder de inovação e avanço tecnológico do Estado e da Câmara da Maia. Ecologistas protestam em cartaz: “Pandas robóticos não se reproduzem”. Vanessa Fernandes tiro o curso de Genética Quântica Avançada pelas Novas Oportunidades. Pela terceira vez.
É criado o ISTOI, Imposto Sobre Todos os Impostos. O governo aplaude, a oposição critica e o povo protesta. É criada a lei 37.852/2019 de 3 de Fevereiro que institui e determina, definitiva e legalmente, o termo “ponto percentual”. O FC Porto festejará finalmente o Hepta, numa altura em que se pondera a criação do “Sporting, Lisboa e Benfica”, para “moralizar o futebol português”.
Um jornalista independente descobre que o caso Casa Pia ainda não terminou. Mantêm-se recursos em tribunal. É lançado o 17.º livro sobre o caso. O caso Freeport ainda se encontra em Segredo de Justiça, e para já o único interveniente julgado e levado a tribunal, é o de um empregado de pastelaria que trabalha em frente ao Ministério Público que sentiu uma “pressão” e não disse nada a ninguém! Foi condenado a 2 meses de pena suspensa. Apresentou recurso.
O actual PM, Francisco Louçã demite-se porque, e cito: “Eu nem a brincar pensei que pudesse ser eleito. O que é que faço agora?”. Manuela Ferreira Leite, presidente da recém nacionalizada Sonae, SGPS responde: “O imobilismo é uma arma poderosa”. É movida mais uma acção em tribunal contra José Sócrates (ex-Ministro do Ambiente, ex-Primeiro Ministro, ex-Engenheiro) que se encontra em paradeiro desconhecido, apesar de ter sido recentemente nomeado para administrador geral da EAEP – Empresa de Água e Energias de Portugal (ex-Galp, EDP e Águas de Portugal), cargo deixado vago pela saída de Dias Loureiro para a presidência da UE.
O processo (conhecido como a disputa sobre a etimologia do “decesso do esparadrapo“) foi movido pela apresentadora do Jornal de Sexta da TVI, Fernanda Câncio.
E eu? Provavelmente, ainda andarei a tentar safar-me disto tudo…
Xutos e Pontapés – sem eira nem beira
Car@s aventador@s,
os Xutos estão de volta, apesar de nunca daqui terem saído.
São 30 anos ao longo da minha vida – cresci com eles. Sou da geração Xutos. Cada pontapé deles torna-se um momento marcante. Para começar destaco uma música, bem à Xutos, com uma letra que merece ser ouvida.
Senhoras e Senhores,
os Xutos e Pontapés, “Sem eira nem beira”
Por mim, dedico esta música ao Sr. Engenheiro:
http://xml.truveo.com/eb/i/2507090900/a/58ef677afb89fc040e3dec6de7dd6c26/p/1
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A LETRA PARA O ’SR. ENGENHEIRO’ ( do maismusicanova.com)
‘Anda tudo do avesso/nesta rua que atravesso/dão milhões a quem os tem/aos outros um passou-bem – – Não consigo perceber/quem é que nos quer tramar/enganar/despedir/e ainda se ficam a rir — Eu quero acreditar/ que esta m*** vai mudar/e espero vir a ter/uma vida melhor/
Mas se eu nada fizer/isto nunca vai mudar/conseguir/encontrar/mais força para lutar…
Senhor engenheiro/dê-me um pouco de atenção/há dez anos que estou preso/há trinta que sou ladrão/não tenho eira nem beira/mas ainda consigo ver/quem anda na roubalheira/e quem me anda a comer
É difícil ser honesto/é difícil de engolir/quem não tem nada vai preso/quem tem muito fica a rir – Ainda espero ver alguém/assumir que já andou/a roubar/a enganar/o povo que acreditou — Conseguir encontrar mais força para lutar/mais força para lutar/conseguir encontrar mais força para lutar…
– Senhor engenheiro/dê-me um pouco de atenção/há dez anos que estou preso/há trinta que sou ladrão/não tenho eira nem beira/mas ainda consigo ver quem anda na roubalheira/e quem me anda a f****
– Há dez anos que estou preso/há trinta que sou ladrão/mas eu sou um homem honesto/só errei na profissão’
Artes lusas: Manuela Justino

Sopro de Água: Uma homenagem às fontes, chafarizes e correntes de água. Há lugares que têm alma e neles perdura um sentido de imortalidade conferido pela duração das nossas vidas. É como se na poesia da sua natureza e no deslumbramento da sua arquitectura nos contassem vivências, segredos e tradições que nos antecedem, acompanham e continuam.
Manuela Justino – http://manuelajustino.blogspot.com/
Ter o cinema mais próximo de nós
Sem grandes surpresas, a produtora cinematográfica DreamWorks anunciou que todas as suas animações futuras vão utilizar a tecnologia 3-D, tal como já acontece com “Monstros vs. Aliens”, recem chegado às salas nacionais.
Os filmes em 3-D não são recentes, tendo as experiências com esta tecnologia começado na década de 50 do século passado. Nos últimos anos o 3-D conheceu avanços tecnológicos mas os óculos especiais, com as ‘lentes’ vermelha e azul, ainda são necessários.
A grande questão é que o 3-D é visto como uma forma das grandes produtoras combaterem a pirataria e levarem pessoas às salas. Sem grandes capacidades imaginativas para ultrapassar os desafios colocados pelas fórmulas piratas de distribuição de filmes, através da Internet, os estúdios tentam encontrar o seu caminho.
O “Panda do Kung Fu 2” e “Shrek Goes Fourth” serão alguns dos próximos exemplos de animações que nos vão chegar em três dimensões.A opção feita para “Monstros vs. Aliens” deu resultados positivos nos EUA, com 43,5 milhões de euros arrecadados nas bilheteiras só no primeiro fim-de-semana, o mais importante de todos no sistema de distribuição norte-americano.
A Pixar/Disney também anunciou que oito dos seus próximos nove filmes, a estrear até 2012, serão feitos em 3-D. O Festival de Cinema de Cannes vai, pela primeira vez em mais de 60 anos, abrir com uma película de animação, “Up”, também feita em 3-D.
Até 2012 deverão estrear 45 filmes deste tipo, mas nem todos serão animações, como a próxima longa-metragem de Tim Burton, “Alice no país das maravilhas”, a nova ficção de James Cameron, realizador de “Titanic”, e o próximo de Steven Spielberg.
Jeffrey Katzenberg, produtor da DreamWorks, disse, recentemente, à revista Vanity Fair que os filmes em 3-D representam “a terceira revolução no cinema” e admite que, no futuro, todos os filmes sejam feitos em 3-D. Diz que se as histórias forem boas o público aceitará pagar mais para ver as fitas com imagens em três dimensões.
Aqui está outro problema. As boas histórias, e, já agora, originais, estão cada vez mais longe de Hollywood. São cada vez menos os bons argumentos e cada vez é também menor a vontade de arriscar por parte dos grandes estúdios. Daí a opção por sequelas, mesmo de filme que não renderam assim tanto dinheiro, e por remakes. Por isso, não será de espantar que alguns êxitos de outros tempos possam ser recuperados em versões 3-D. Por isso, não será difícil de prever que, um dia, Freddy Kruger terá as suas garras muito mais próximas de nós, que a serra eléctrica texana nos faça desviar dos salpicos de sangue ou que o beijo de Scarlett Johansson nos seja destinado.
Vamos ver o lado belo da vida
Os Monty Python vão juntar-se, de novo, para preparar “Monty Python: Almost The Truth (The Lawyers`Cut)”, um documentário autobiográfico destinado a celebrar os 40 anos de estreia na televisão.
O documentário será dividido em seis capítulos e vai incluir entrevistas com John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones e Michael Palin, incluindo várias declarações de Graham Chapman, que morreu em 1989. Para além do documentário, será também lançado em DVD o programa de estreia do grupo na BBC, em 1969, “Monty Python’s Flying Circus”.
Fiéis depositários de um rude e tradicional humor britânico, o grupo fez história na televisão e no cinema. Não é humor para todos. Não há rábulas simples ou piadas físicas, como quedas despropositadas em jeito dos brilhantes programas de apanhados em que algumas pessoas encontram piada nas desgraças alheias.
Monty Python usavam o sarcasmo, a ironia pura e dura, a roçar o cinismo. Detentores de um apurado sentido negro da sociedade, mostraram nas suas histórias as contradições dos mais significativos agentes sociais, desde os políticos até à igreja, passando pelo simples e comum cidadão, também ele um imenso mar de contradições, apesar de, no dia-a-dia, refilar contra tudo e contra todos.
Em “A vida de Bryan”, um homem confundido pelo povo como sendo “o Messias”, Brian, claro, acaba crucificado ao lado de outros criminosos. Nem percebeu como está ali mas, ao lado, os seus companheiros de infortúnio não lhe dão descanso e incitam-no a ver “o lado belo da vida”. Nunca percebi porque é que as televisões não o exibem na quadra pascal.
Ninguém escapou aos Monty Python, nem os próprios Monty Python. Hoje têm uma legião de seguidores em todo o mundo e grande parte do humor dos nossos dias vai beber às fórmulas e ao estilo do grupo.
Pergunto-me como seriam se os Monty Python fizessem humor no Portugal dos nossos dias…
Sons de Abril: Luís Cília
Luís Cília canta a sua canção de 1964 e hino de resistência, «Canção Final, Canção de Sempre», com poema de Manuel Alegre. A gravação foi feita num restaurante de Paris, onde o autor, exilado, ganhava a vida cantando. Devido à proibição dos seus discos em Portugal, esta música foi editada no nosso país com a voz de Adriano Correia de Oliveira.
Luís Cília nasceu no Huambo, Angola, em 1943. Veio para Portugal com 16 anos. Começou a dedicar-se à música em 1962, depois de conhecer o poeta Daniel Filipe. Dois anos depois, era obrigado a partir para Paris, onde se manteve até ao 25 de Abril.
Ao longo da sua carreira, gravou dezoito discos, sendo que o primeiro, «Portugal – Angola: Chants de lutte», foi publicado em França em 1964. Dele consta o referido «Canção Final, Canção de Sempre» e ainda outros hinos de resistência, como «Meu País», «Canto do Desertor» ou «Sou Barco».
De regresso a Portugal, após a Revolução, continuou a gravar como compositor e intérprete e a dedicar-se aos recitais. Consagrou alguns dos seus discos a poetas como Eugénio de Andrade, Jorge de Sena ou David Mourão Ferreira.
Nos últimos anos tem-se dedicado apenas à composição, nomeadamente para Teatro, Bailado e Cinema.
Souls of Fire: Reggae de intervenção
«Eu não quero dizer mal de nenhum sound system / São irmãos nesta luta de mensagem activista / O que eu quero explicar é que alguém ganha por tabela / Promovem uma mentira e anda lucram com ela».






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