A crise em "letras"

Com 2,5 milhões de euros (uma pechinca comparando com as astronómicas verbas que já se falaram nesta crise) é já possível criar um simulador de crises. Óptimo! Isto quer dizer que não haverá mais crises. Tecnicamente, e prevendo o modo como os mercados vão evoluir, as crises podem ser debeladas mesmo antes de acontecerem, acabando assim com estes “incómodos” para os mercados financeiros.

Portanto, vou aproveitar esta “última” oportunidade para opinar sobre a crise, que muitos dizem até já acabou… [Read more…]

Contradições…

Ver um homem receber o Prémio Nobel da Paz e defender a “necessidade da guerra”, é como ver alguém a viver na Era da Informação e do Conhecimento a defender a necessidade da estupidez.

Coisas que não entendo

"A cantora colombiana Shakira propôs hoje à presidente da Argentina que o desenvolvimento infantil e a educação desde a primeira infância sejam temas prioritários na cimeira ibero-americana que terá Cristina Kirchner como anfitriã, no próximo ano."

Sim, é mesmo a Shakira. Aquela moça que canta e dança como se tivesse episódios regulares de espasmos musculares. Sinceramente pensei que era uma piada, porque continuei a ler a notícia que diz  que "As declarações de Shakira foram feitas numa cerimónia realizada à margem da XIX Cimeira ibero-americana, mas que contou com a presença de cinco presidentes que participam nos trabalhos da reunião de governantes de 22 países da Europa e América Latina e do secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias". Shakira?!? Enrique Iglesias?!? Não, isto deve ser uma piada. Mas não! É mesmo verdade.

Primeiro leio que a Shakira destaca "a importância dos governos investirem nas crianças, considerando-as a base do futuro", propõe "que a educação das crianças até aos seis anos seja um dos temas em destaque", destaca "a importância dos benefícios para a sociedade alcançados com o estímulo das crianças desde os primeiros tempos de vida" e para finalizar remata que "investir nas crianças é investir na estabilidade, na segurança e na paz". Depois vou dar uma vista de olhos no novo teledisco da cantora e fico sem entender o que isto quer dizer. A única coisa que eu entendo é que, vindo de quem vem, estas declarações inserem-se mais que perfeitamente no conceito de coisas que não entendo. Mas é que não entendo mesmo.

 

Estranhas aventuras… na praia de Inverno

Normalmente sou “obrigado” a ir à praia durante as férias de Verão, por causa do meu miúdo, por isso uma ida à praia de livre e espontânea vontade é um acontecimento raro. Não é que não goste de praia, mas sinceramente prefiro o campo e a montanha. Por isso mesmo, prefiro ir à praia no Inverno; o clima é mais agreste como o da montanha e como bónus, fica-se muito mais à vontade porque não há “montes” de pessoal a acotovelarem-se por um sítio livre onde possam ver e ser vistos por toda a gente. Isto faz-me pensar que na realidade as pessoas gostam do calor do sol e não da praia propriamente dita. A prova disso é que no Inverno a praia está sempre vazia.

Tenho de reconhecer que não entendo o fenómeno da praia-praia. Aquela normal praia de Verão. Não percebo como se consegue estar para ali espraiado a esturricar ao sol, tentando avidamente obter o bronzeado mais homogéneo e escuro possível. Nem sequer entendo o próprio fenómeno do querer ficar bronzeado.

Não tenho paciência nenhuma para estar sentado/deitado na areia a queimar a pele ao sol, cronometrando precisamente o número de vezes em que preciso de me virar para obter “aquele” bronzeado uniforme e espectacular. Até o conseguiria suportar se volta e meia conseguisse mergulhar na água. O problema é que as águas do Norte têm essa característica peculiar de serem absolutamente gélidas. É como acabar de tomar um banho quente e depois ir meter os pés num bidé cheio de pedras de gelo. Depois é a própria lógica da coisa que não faz sentido: aquecer o máximo possível ao sol, até a um nível insuportável que depois torne suportável entrar em águas geladas, que por sua vez tornam novamente suportável o facto de se estar tecnicamente a esturricar aos poucos… não entendo.

Mas também não vejo mal nenhum nisso. Pelo menos, existe um contacto directo com a natureza, coisa rara nos dias de hoje, repletos de betão e centros comerciais. É apenas a lógica da coisa que eu não entendo.

As raras vezes que vou à praia de livre vontade é porque me apetece apenas olhar o mar. Sentir a sua imensa força e poder, o seu cheiro e o medo que me inspira. Adoro o som forte e seco das ondas a rebentar nos rochedos. Convida à reflexão. E estando aqui a olhar para o mar não consigo deixar de me perguntar: donde veio toda esta água? Sendo que o ciclo da água é um ciclo fechado, e que eu saiba, não é possível “criar” água, portanto, donde terá vindo esta água toda? E porque é que este planeta coberto em dois terços da sua área por água se chama Terra?

Muitas mais questões me surgem enquanto olho o mar, mas sinceramente, não consigo responder. Sentado sozinho na areia, gelado pelo vento, a escrever num velho caderno preto, sem acesso ao grande cérebro digital que é a internet, sem “googlar” e “wikipediar”, chego à conclusão que não sei muita coisa básica porque tomo estes e outros "factos" como garantidos. Sentir o mar “põe-me no meu lugar” perante a complexidade e força da natureza. Põe-me no meu minúsculo lugarzinho no Mundo, mostrando-me, verdadeira e friamente, o que é a pequenez e a insignificância. Mas mostra-me acima de tudo que não é nada boa ideia ir contra a natureza e continuar na senda de destruição deste belo planeta azul. Por um lado, porque o empenho humano não tem limites (assim como a sua estupidez) e portanto, é bem capaz de o conseguir, mas por outro lado, o mais importante, é porque o planeta é capaz de “ripostar”, e já é mais ou menos evidente que  vai mesmo fazê-lo. É nitidamente uma má ideia, porque este planeta além de ser bipolar (muito inspirador belo numas alturas e muito agressivo e brutal noutras) não me parece que vá alinhar em grandes conversações, discussões ou políticas diplomáticas… Veremos se as nossas grandes acções têm ou não, grandes repercussões.

A praia de Inverno e especialmente o mar revoltoso fazem-me reflectir.

Fazem-me pensar em coisas que eu não entendo. Questões complexas e coisas simples, lá está, como ir à praia de Verão. Estender um pano no chão e bronzear ao sol. A minha visão dessa “praia de Verão” é esta: um lugar onde as pessoas se deitam em cima de um material de construção civil, a esturricar com o efeito da combustão de hidrogénio e hélio a milhões de quilómetros de distância, para depois irem mergulhar numa quantidade enorme e gélida de água que ninguém sabe donde veio.

A praia de Verão, esse sítio estranho onde, em público, se pode passear de roupa interior.

Um golaço de outros tempos

 

Há 24 anos também a selecção portuguesa lutava por um lugar na fase final do Campeonato do Mundo. Espero que hoje apareça na Bósnia um novo Carlos Manuel…

 

"Sem mais comentários. Isto é só para ver."

2012, o fim do mundo americano

O Roland Emmerich fez um filme sobre o fim do mundo e a NASA teve de vir desmentir o "facto" face às preocupações crescentes de muitos americanos. Tenho de concluir que estes americanos não batem muito bem. Um país que que espalha a paz por esse mundo fora à bomba e a tiros de metralhadora e que acima de tudo não consegue discernir entre realidade e ficção é mesmo para ter medo. Eu tenho medo dos americanos, porque decididamente já não jogam com o baralho todo.

 

""Some people went to that movie and they thought it was reality, that it was an actual documentary," Betts said.

Morrison says Sony has crossed a line with promoting "2012."

"I think people are really, really worried about the world coming to an end. Kids are contemplating suicide. Adults tell me they can’t sleep and can’t stop crying. There are people who are really, really scared," he said.

"People are very gullible," he added. "It a sad testimonial that you need NASA to tell you the world’s not going to end.""

Estranhas aventuras… pelos caminhos da devoção

Como a religião, e neste caso particular, a devoção, influencia as pessoas actualmente ou como a sociedade (uma parte dela, pelo menos) funciona na realidade.

O que levará as pessoas a acreditarem que alguém, que foi muito boa pessoa ao ponto de ser “santo”, mas que morreu há centenas de anos, consegue, na actualidade, interceder em favor dos terrenos, seja para milagrosamente salvar o filho da morte, salvar a Segurança Social da instabilidade financeira ou fazer com que o Benfica seja campeão?

Há uns anos atrás, fiz uma viagem até ao expoente máximo da devoção, Fátima, para tentar perceber melhor e in loco o fenómeno. Se calhar, por não ser católico, admito que vim como fui. Este fenómeno social permaneceu para mim como um mistério total, até que vi por acaso uma pequena entrevista a uma devota ao Senhor dos Aflitos.

Numa entrevista para um programa qualquer na televisão, uma senhora já nos seus 60 ou 70 anos explica para o intrigado jornalista o quanto ela acredita nas acções benéficas do Senhor dos Aflitos e como é fácil demonstrar que de facto ele age se assim lhe for pedido. O exemplo: uma comadre dessa mesma senhora contou-lhe que por causa de problemas de falta de dinheiro na Segurança Social, poderiam perder as reformas. Sim, as reformas!

“O quê? Como é que eu vou viver sem a minha reforma?” – responde a senhora com uma reacção mista de resignação e incredulidade.

 

Numa tentativa de solucionar um problema que pode ser real muito brevemente, a senhora recorre ao Senhor dos Aflitos, pedindo-lhe que a situação se resolva.

O principal motivo porque a tal senhora não deveria perder a reforma era o seguinte: com a perda da reforma, se ela não tiver dinheiro disponível, como o poderá doar para as obras do Senhor dos Aflitos?!? Se ela não tiver dinheiro, como lhe poderá oferecer flores?!? Aparentemente e perante este argumentos, o Senhor dos Aflitos interferiu mesmo, agiu e milagrosamente fez com que a simpática senhora não perdesse a reforma!

Isto faz-me concluir que a devoção é uma espécie de troca comercial ao nível espiritual: “eu dou o que te prometo SE tu me deres o que te peço”. “Ah, e faço-te publicidade!” É um compromisso negocial que se cumpre. Uma raridade hoje em dia.

Sendo assim, como é que é possível não gostar do Senhor dos Aflitos ou qualquer outro “santo” que cumpra o seu contrato?

Nos estranhos caminhos da devoção, o que conta é mesmo é ter uma excelente argumentação. Mas mais importante que a argumentação é… que funciona mesmo! Finalmente percebi.

“O Senhor dos Aflitos é bom para a gente” – senhora simpática que esteve quase a perder a suas reforma, não fosse a intervenção do Santo na estabilização financeira da Segurança Social e dos estranhos desígnios da devoção. Eu assino por baixo.

Volta e meia, as coisas correm-me mal e por isso preciso de “ajuda externa”. Como tal e já que trabalho na área gráfica com muita incidência na área da publicidade, vou-me tornar devoto da Santa Tecla e da Nossa Senhora dos Anúncios. Pode ser que ajude.

 

Estranhas aventuras… pela Economia.

A economia interessa-me, mesmo não sendo um tema que me atraia muito. Aliás, o mais interessante no tema economia é poder estar em contacto com algo que não é natural e totalmente anormal. É só para fugir um pouco à rotina.

O principal problema é que me causa uma certa bipolaridade linguística.

Numa situação normal, no dia-a-dia dos empregos, se eu tenho um problema falo com o meu chefe. Mas na realidade económica, tudo é muito mais estranho e parece que se é transportado para um universo paralelo. No planeta-economia, quando se tem um problema no emprego, obrigatoriamente tem de se marcar um reunião. Aliás, há empresas que têm casas-de-banho nas salas de reunião, tal é a enormidade de tempo que o pessoal lá passa. Marcada a reunião com o CEO e ouvidas as exigências do assalariado, o CEO pergunta ao funcionário se ele sabe o que quer dizer lay-off. Chateado, o funcionário relembra-lhe que na perspectiva da empresa se tornar um dos key-players do mercado, a estratégia passou por recorrer ao outsourcing e que esse é o caso dele. Se tivesse algum problema com as suas prestações laborais que fizesse uma exposição ao General Manager ou então que financiasse uma temporada com um Business Coach para se manter up-to-date. Sendo que o CEO era um homem já bastante rotinado nos negócios do franchising de "one-stop-shops", não gostou da atitude de afronta do funcionário e relembrou-lhe que o feedback que tem tido das suas prestações não tem sido positivo apesar do know-how disponibilizado pela empresa…

Isto foi há duas semanas e a reunião ainda continua…

Agora o assunto económico sério: 

Estava eu a dar uma vista de olhos no Jornal de Negócios, quando encontro este artigo do Francesco P. Marconi, “Do "Homo Economicus" ao "Homer Economicus"”.

Depois de uma historieta sobre economia e desenhos animados (não serão a mesma coisa, mas para públicos diferentes?!) vem a parte sumarenta: a crise atirou com a credibilidade da economia ao tapete. Engraçado, ainda não tinha reparado. Então o que fazer com esta situação e como melhorar a prestação da economia na realidade do dia-a-dia?

 

“Uma das tendências que se tem vindo a desenhar no mundo académico é a da economia comportamental, que, integrando a psicologia na economia clássica, estuda como é que os agentes económicos reais tomam decisões, e cria instrumentos para os induzir a agir com mais racionalidade.”

Na realidade das pessoas normais, que não pensam constantemente em pontos percentuais, o que raios quererá isto dizer? Francesco P. Marconi elucida novamente:

 

“Um simples exemplo: dizem os economistas comportamentais que a experiência laboratorial mostra que, quando recebemos uma grande quantidade de dinheiro, temos tendência a poupar; pelo contrário se a recebermos em pequenas parcelas aumentamos o nosso consumo.”

Alguém tem de explicar como as coisas realmente funcionam na vida real, fora dos cúbiculos com ar condicionado onde os economistas passam a vida reunidos. Vou tentar explicar este exemplo do ponto de vista do cidadão comum, sem usar o termo “experiência laboratorial” porque me lembra de cobaias e não de pessoas.

“Um simples exemplo: dizem os economistas comportamentais que quando alguém recebe uma pipa de massa, gasta que se farta em tudo o que lhe apetece para massajar o ego e ainda lhe sobra montes de pasta para meter em PPR’s; pelo contrário se recebermos de ordenado o que alguém gasta só para mandar polir o Rolls Royce, temos tendência a pagar as continhas todas ao fim do mês e a gastar o resto que sobra em três cafés e um pacote de chicletes”.

Francesco P. Marconi e caros companheiros da economia: aparentemente, vocês não batem muito bem da bola e confundem alhos com bugalhos. Vão tomar um Core-Business ou fumar uma Joint Venture que isso passa-vos.

 

10% em Banco de Sementes

"Botânicos britânicos anunciaram ontem ter reunido sementes de 10% das plantas mais ameaçadas do planeta, naquela que é a primeira etapa de um "banco" destinado a preservar a biodiversidade mundial."

"Para Stephen Hopper, director dos Jardins Botânicos Reais, num momento em que aumenta a inquietação com as alterações climáticas e a perda da biodiversidade, o Banco de Sementes do Milénio é "uma verdadeira mensagem de esperança e um recurso vital num mundo de incerteza"."

Para mim, isto quer dizer: "Bem, parece que este planeta está mesmo marado, portanto mais vale começar a guardar "originais" antes que vão desta para melhor". Se calhar sou só eu a pensar assim, já que sou extremamente pessimista. Mas vai daí, estas alterações climáticas, que já se sentem bem, podem ser passageiras. Depois da tempestade, vem sempre a bonança, não é verdade? O que também não deixa de ser verdade, é que depois da bonança, também vem sempre a tempestade. Resta saber em que ponto estamos agora. Acho curioso é que se refira que "não existe outro banco de sementes deste tipo no mundo", quando no ano passado, o nosso Durão Barroso andou a inaugurar uma mega estrutura enterrada no Ártico (Svalbard International Seed Vault), precisamente para salvaguardar a biodiversidade das espécies de cultivo.

Motivo para alarme?! Não, nada disso! Afinal, são só cientistas e empreendedores a construírem bancos de sementes e mega-estruturas em regiões remotas, com o intuito de preservar a biodiversidade… só para o caso de algo correr mal.

Estou confiante. Vai correr tudo bem…

"Entre 60 mil e 100 mil espécies de plantas estão ameaçadas de extinção, ou seja, um quarto das espécies conhecidas, o que se deve sobretudo à desflorestação, segundo os responsáveis dos Jardins Botânicos reais."

Comprar só para relaxar

Tenho uma certa tendência para coisas estranhas e ridículas. Nem preciso de fazer um grande esforço para as encontrar. É uma espécie de magnetismo que não consigo explicar. Há uns tempos atrás encontrei à venda uma “forma I Love You” para tostas!!! Apenas por 4.95 €!

tosta i love youMas quando pensei que não encontraria um artigo mais ridículo, encontro a “Embalagem de Nada“… É um bocado mais caro (6.95€) mas também é muito mais idiota. Ideal para aquelas pessoas que já têm tudo.

bolha com nadaCostuma-se dizer que se existe, está à venda na net. E é verdade. Existe uma variedade quase infinita de produtos totalmente idiotas onde qualquer um pode gastar dinheiro. Pode-se confirmar isto, por exemplo, no site da empresa Blue Q. No entanto, pode também tentar a sorte na Amazon e provavelmente arranjar mais em conta o “Do-it-Yourself Vasectomy Magnet Kit“.

vasecmotia

Para todas aquelas pessoas que têm o frigorífico cheio de ímanes (quem é que não tem?!?), estes são, sem dúvida nenhuma, os mais originais de todos. E também os mais idiotas…

grow up to be gay

Gosto especialmente do ênfase dado às propriedades do produto:

“A fabulous five magnet set for little boys that helps America’s children play and be gay!”

Quente e Seco

O mês de Setembro de 2009 foi o mais seco dos últimos 22 anos, em Portugal continental, sendo o 9º mais seco desde o início dos registos, em 1931.

A quantidade de precipitação registada no mês, no continente, situou-se bastante abaixo dos valores médios de 1971-2000, com uma expressão de 18% em relação ao respectivo valor médio, classificando-se, assim, Setembro como seco a muito seco na grande generalidade do Continente, com uma única excepção para o Baixo Alentejo. Em termos mensais, o mês registou uma quantidade de precipitação, em relação ao valor médio (1971-2000), inferior a 60% em quase todo o território, sendo mesmo inferior a 10% na região Norte e parte do Centro. Somente no Baixo Alentejo este parâmetro se situou acima do respectivo valor médio.

Setembro caracterizou-se por valores médios de temperatura máxima do ar superiores aos valores normais, 1971-2000, em todo o território do Continente, com uma anomalia de + 1,6ºC. A temperatura mínima situou-se muito próxima dos valores normais, com uma anomalia de + 0,1ºC e a temperatura média também acima dos valores normais com uma anomalia de + 0,8ºC.

No final de Setembro mantém-se a situação de seca meteorológica, com agravamento em relação ao mês anterior, com a totalidade do território continental em situação de seca meteorológica, sendo que 43% se encontrava em situação de seca severa, 3% em seca extrema , 44% em seca moderada e 10% em seca fraca. (Fonte: Inst. de Meteorologia)

Nada de muito preocupante como se pode constatar, até porque 54% do território encontra-se apenas em seca moderada e fraca. Há que ver as coisas sempre pelo lado positivo, não é verdade? Em pleno Outubro, há pessoas a fazer praia! Mais grave ainda, é ouvir conversas de rua em que as pessoas acham que isto (o tempo) deveria sempre assim, porque o frio e a chuva são muito desagradáveis!!! Pode ser que a preocupação apareça no mesmo momento em que as torneiras lá de casa deixem de pingar…

Uma volta no expresso…

Passando a publicidade, ontem dei uma volta no Expresso on-line. E foi uma volta estranhíssima que me deixou, mais uma vez, preocupado. Costumo passar lá para ler as novidades da Emily. Presa no gelo, na base Amundsen-Scott relata a sua permanência na estação junto com outros investigadores. Não é que tenha grande interesse técnico em saber o que a rapariga faz por lá, mas é uma oportunidade única para mim, saber como é viver com recursos muito limitados, completamente isolado do resto mundo e, também, ter a hipótese de ver fenómenos naturais extremos. Interessam-me as “travessias no deserto”, ainda que neste caso seja mais “estadia no deserto”. Tivesse eu oportunidade (e dinheiro) e o Pólo Sul seria um dos meus destinos de sonho. No entanto, enquanto lia mais umas novidades da base, olho para a barra dos links do lado direito e vejo: “Supositório-bomba é a nova arma da Al-Qaeda”. Como?!? Não resisto e sigo o link. E não é que é mesmo verdade? Agora nem se sabe se o possível “terrorista” sentado ao nosso lado no autocarro não vai explodir mal lhe toque o telemóvel! Paranóia!

“O novo modus operandi da Al-Qaeda foi descoberto na sequência das investigações sobre o atentado cometido contra o príncipe Mohammed bin Nayef , responsável pela luta contra o extremismo na Arábia Saudita. Ficou provado que o activista islâmico Abul Khair trazia o explosivo dentro de um supositório, algo até aqui inédito, tendo utilizado um telemóvel para provocar a explosão.”

Bem, é melhor desdramatizar um pouco a situação e ver umas notícias menos “pesadas” – pensei eu. Mas não dá. Novamente do lado direito, pisca um link que alerta: Gripe A é uma doença “banalíssima”. Quem o diz é Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos. Como disse?!?!

“”Há claramente um excesso de alarme, de zelo”, disse Pedro Nunes, referindo que “não passa de uma gripe, uma doença banal, pouco letal“. Neste sentido, frisou, “o melhor contributo da Ordem dos Médicos é chamar a atenção dos médicos e, através deles, das pessoas, de que isto é uma doença banalíssima e que não é preciso andarmos todos assustados“”

Há coisas que eu não entendo. Mas então anda a miudagem toda a cantar nas escolas para evitar o monstro da Gripe A, juntamente com milhões de portugueses que não conseguem parar de lavar as mãos com aquele gel de álcool e agora é que se lembram de avisar que afinal não é assim tão grave? Mas assim sendo, é ou não é grave? Não tenho o direito a saber? Ou tenho de tirar um curso rápido de medicina para tirar  as minhas próprias conclusões? O cidadão comum já nem tem o direito de ser informado sem contradições evidentes? E o mais preocupante de tudo isto é ler os comentários à própria notícia. Comentários totalmente paranóicos sobre uma conspiração para dramatizar a Gripe A, negócios obscuros com as vacinas, implantação de chips e, claro, a Nova Ordem Mundial . E já não é a primeira vez que noto esta queda geral para a paranóia, partindo seja de que tema for. Não consigo deixar de observar que, lentamente, a paranóia invade a sociedade. E não consigo deixar de pensar que a génese da paranóia é precisamente a contradição, o que equivale a dizer, a mentira.

Isto foi uma autêntica volta no Expresso Preocupado. Desisto de ler as notícias… Se calhar, o melhor que tenho a fazer é tentar arranjar algo para fazer na base Amundsen-Scott.

Escrevi este texto durante a manhã. No entanto, quando ia para publicar, o Aventar foi-se abaixo e ficou em baixo. Terá sido coincidência ou acto propositado? Não se sabe. E é assim que começa a paranóia.

Manipulação, outra vez

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Fotografia retocada com o fim de modificar a aparência corporal de uma pessoa.” Se tudo correr como previsto, e se a lei proposta for aprovada, é esta a frase que vai aparecer junto das imagens retocadas digitalmente.

Provavelmente, alguém no estrangeiro andou a ler umas coisas aqui no Aventar sobre a manipulação de imagem. Vai daí, querem estabelecer regras sobre o uso de imagens manipuladas. Não me admira nada que sejam deputadas europeias que queiram regulamentar estas imagens! Fico satisfeito por alguém reconhecer que há um efeito pernicioso latente quando alguém pega numa imagem e a altera completamente, mostrando algo que não é real.

Ainda assim, nem todos precisam de recorrer à manipulação digital. Munidos apenas com um pouco de imaginação há quem chegue a resultados igualmente surpreendentes.

sem photoshop

Mais uma sugestão livre de manipulações digitais.

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Esmiuçar…

site da rtp

Os Gatos Fedorentos não esmiúçam nada! Esmiuçar é com a RTP.

O site da RTP tem tudo sobre os resultados das Legislativas. Mas mesmo tudo. Consegue-se ver o número de votos ao pormenor. Por zona, por hora, por partido, tudo! Dá, por exemplo, para ver que alguém na freguesia de N. Sra. da Graça Póvoa e Meadas, no concelho de Castelo de Vide, no Distrito de Portalegre, votou no Partido Operário de Unidade Socialista (POUS). Apenas e só, uma única pessoa num Concelho inteiro! Este dado deixa-me curioso. Quem será?

"Inventona"!?

A propósito desta coisa das escutas. Eu estive à procura em dicionários e inventona é uma palavra que não encontro. Será que esta palavra existe mesmo? Se não é “inventona“, se calhar também não é “disparate“…

Só para ajudar

Nestlé compra leite à família Mugabe. Claro, claro! Já toda a gente sabe que é apenas para ajudar os probrezinhos. Até vou já comprar um chocolate para ajudar.

Rescaldo

Como sempre acontece nestas coisas da política, todos ganham. É sempre assim. Por isso mesmo, decidi assistir, sem som, ao espectáculo circense das televisões à volta das eleições legislativas. Um pouco à moda antiga, quando nas tascas se via um derby de futebol com o som desligado mas com a rádio aos berros para ser mais emotivo. Como não tenho rádio, assisti a tudo em silêncio. Curiosamente, não ouvindo nada do que os políticos têm para dizer (na realidade nunca dizem nada de novo), consegui “ver” mais do que o normal. Vi rostos fechados, olhares suspeitos e cautelosos, vi tiques e preocupações escondidas e vi pequenos indícios e sinais despercebidos que nunca teria reparado se o som estivesse ligado e estivesse distraído pelos normais gritos de vitória. E consegui ver algumas situações preocupantes. O que eu vi ontem, e em destaque, foi um José Sócrates bastante aborrecido (estava na cara) por “uma extraordinária vitória do PS”. Não era cansaço. Eu vi, era mesmo aborrecimento. O mesmo tipo de aborrecimento quando não se arruma logo o adversário numa partida de xadrez e apesar de ter o jogo ganho, ainda tem de se esperar novo movimento do adversário para definitivamente terminar o jogo. Neste enorme jogo de tabuleiro administrativo a que chama de política, as jogadas podem demorar bastante tempo a serem efectuadas e para quem está (mal) habituado a que tudo seja feito no instante, é um enorme aborrecimento ter de esperar.

Considerações e possíveis consequências.

O mais preocupante de tudo isto é mesmo aquela cara chateada com que Sócrates presenteou o País, apesar da tal “extraordinária vitória”. É um sinal óbvio de quem está a pensar que terá que passar por esta coisa chata das campanhas eleitorais para novas legislativas e provavelmente muito em breve. Mas também sinal da confiança numa nova maioria absoluta. Claramente, nasce aqui uma hegemonia do PS na política nacional. Se isso não era bem notório até hoje, por força do contrapeso PSD, é agora bem visível que se tornou em definitivo como o “partido português” por muitos e bons anos. Aliás, isso nota-se bem, por um lado, na aproximação fanática dos seus apoiantes ao partido e ao líder, como se nota, por outro, no aguerrido e ainda mais fanático ódio por parte dos opositores. Perante esta derrota (teve menos votos), o PS veio clamar uma “extraordinária vitória”. Perante esta derrota (menos pessoas estão de acordo com a forma de governar), o PS veio alertar que as políticas e a forma de fazer política será a mesma. Perante esta derrota (mais pessoas votaram noutros partidos), o PS veio lembrar que a governação futura depende da “oposição responsável”. Eu tiro as minhas ilações: contrariamente ao que se tem dito, o PS continua com as todas cartas e trunfos na mão, e ainda por cima, tem a chave da próxima (breve) maioria absoluta. “Não nos deixam governar” “O País precisa de estabilidade”. Não tenho dúvida nenhuma que estes serão os motes seguintes para pedir uma nova maioria absoluta e não é nada difícil de a conseguir. Notou-se que isso até seria possível já nestas eleições, houvesse um pouco mais de tempo de campanha. Alguns analistas e políticos apontam para que o governo não se aguente muito tempo e, digo eu, não se irá aguentar mesmo, pela simples razão que este cenário político não interessa a ninguém. Ninguém, leiam-se corporações e agentes económicos que querem continuar os seus negócios e não podem, nem gostam de negociar ou ficar à espera de decisões políticas ou ideológicas que podem importar às pessoas na generalidade, mas não importam rigorosamente nada a quem quer continuar a fazer obra e dinheiro… Como representante corporativo na política, ao PS é facílimo abrir um conflito político e “obrigar” os outros partidos a provocarem a queda do governo. Por alguma razão, as “tais” questões fracturantes foram completamente esquecidas da campanha. Serão as próximas armas de arremesso. Quanto mais não fosse, existe ainda o TGV para servir de alavanca e desestabilizar tudo sempre que for necessário. As medidas não-populares de aumentar impostos para combater (novamente) o défice, também estão neste lote. O argumento continuará a ser o mesmo. “Tudo isto é absolutamente necessário para a modernização do País e para o relançamento da Economia“. Já funcionou uma vez, porque não há-de funcionar novamente?. É apenas uma questão de escolher o melhor timing. A meu ver, José Sócrates e o PS têm todo o controlo político na mão e não fará qualquer aliança com mais nenhum partido. Principalmente porque não precisam, e mais importante que todos os argumentos, não querem. Já deu para perceber que “este” PS só funciona numa governação “orgulhosamente só”. E tem todos os factores a seu favor. Ninguém na oposição poderá ir contra as políticas do PS, porque serão sempre vistos (e apontados) como uma força desestabilizadora. Esta lógica já funcionou nesta campanha com o constante recurso ao “optimismo” em contraste à crítica do “rasgar, inverter e anular” do PSD. Existirá melhor argumento para usar nas futuras eleições? Terão os outros partidos algum argumento político novo contra o PS?

A contrastar com a hegemonia do PS, não será de ignorar a morte do PSD. Para todos aqueles que apelam constantemente ao fim da dualidade política e do “centrão”, este pode ser o pior cenário de todos. Um partido como o PSD, que em termos ideológicos já nada tem para oferecer num mundo dominado pelo corporativismo, morre lentamente. A liderança não existe. A continuidade é uma incógnita e só mesmo o futuro dirá se aparece um líder à altura para refazer todo o mal que tem sido feito. É ainda o reflexo de um “enorme” Cavaco que secou tudo à sua volta. Pode até ser o prenúncio do futuro do PS, mas neste momento é a realidade do PSD. O pior que podia ter acontecido ao PSD foi mesmo a re-eleição de Durão Barroso. Foi o adeus definitivo à política portuguesa e com ele um fechar de ciclo de líderes laranja que dificilmente aparecerá novamente. Aliás, a grande esperança (mais ou menos consensual) do PSD é Paulo Rangel. Está tudo dito. Com a saída pela porta pequena de Cavaco, já nem há notáveis visíveis, e o mais visível de todos, Alberto João, causa mais danos que outra coisa e as suas atitudes maníacas promovidas pelo irreal círculo fechado onde habita, falam por si só, e é obviamente uma carta fora do baralho. Não sei se a intenção de Cavaco (se é que a intenção foi dele) com esta questão das “escutas programadas” teve como propósito enfraquecer o PS ou o próprio PSD. Só o próprio Cavaco (se algum dia vier mesmo a  falar) pode esclarecer se queria minar a confiança pública no PS ou destruir o PSD para o aparecimento de um novo partido ajustado à realidade do século XXI, pois este PSD, como partido, definitivamente já não existe. A realidade é que Cavaco interveio e foi um acto de enorme e negativo significado para o partido laranja. Apenas o tempo lhe dará razão. Ou não. Neste momento, o PSD irá assistir novamente a uma tentativa de liderança que não reunirá, de certeza, consenso. O PSD é agora um animal ferido, raivoso com várias cabeças a atacarem-se mutuamente para controlarem o corpo esquelético dum outrora grande partido. Calha bem o próximo sufrágio, em que muitos, motivados pela antipatia ao PS virar-se-ão novamente para o PSD. A velha lógica do “centrão” ainda a funcionar. Mas conviria reflectir que uma eventual vitória (digo eu) será por demérito dos outros e não por méritos próprios, como aconteceu nas Europeias. No futuro imediato, o PSD irá definhar ainda mais, e por mais irónico que possa parecer irá depender do PS a sua continuidade como partido de equilíbrio do poder. Com esta forma de actuação do PS, o mais provável é que esmague ainda mais a já débil saúde do PSD.
N

um pouco de boa disposição

Tanta política deixa uma pessoa carrancuda… com excepção de Berlusconi e da conhecida família “bronzeada” Obama.

Confrontos no G20

Como já começa a ser normal nestas grandes cimeiras.

Grupos ecologistas e antiglobalização envolveram-se em confrontos com a polícia e o centro da cidade transformou-se num campo de batalha.

Mas há coisas que eu não entendo muito bem. Estes confrontos deram-se porque um grupo anarquista fez uma manifestação não autorizada. E eu pergunto-me: e se pedissem autorização para se manifestarem (sendo anarquistas), alguma vez lha dariam? O que será afinal um anarquista? Pessoal que causa confrontos? Pessoal que causa distúrbios mas que usam gorros e têm a cara tapada? Pessoal que faz manifestações (ou exposições públicas) sem autorização? Então não será a Greenpeace ou a “nossa” Quercus, por exemplo, uma organização anarquista?

Ando mesmo preocupado

Inacreditável! A Sociedade Ponto Verde, para evitar falência, vai abandonar a reciclagem de um dos tipos de plástico. E mais grave ainda, deixa no ar, que “na crise que vivemos não há sectores protegidos e alerta para “a gravidade da situação financeira da Sociedade Ponto Verde“. Neste caso específico, e por falta de fundos, a reciclagem de plásticos mistos será interrompida, e todos os resíduos deste tipo irão para aterros ou para incineração. Os efeitos desta acção já são bastante conhecidos e são nefastos. Os ministérios do Ambiente e da Economia vão-se encontrar com responsáveis da SPV para resolver este problema. É e mesmo um problema. É o problema da economia a interferir directamente e prejudicar o equilíbrio ecológico, e por consequência a todos. É o problema duma questão económica se sobrepor a uma questão de saúde pública. Sinceramente, espero que esta decisão seja anulada e que os responsáveis governamentais usem da mesma força com que têm presenteado o país e apoiem financeiramente esta iniciativa da SPV. Mas fico preocupado porque existe também a possibilidade de esta decisão se manter e o plástico não ser reciclado. Tudo porque “está já garantida a meta de reciclagem dos plásticos“. Tudo se resume a números. Apenas e só a números. Isto é mesmo estar a olhar para o saco de plástico do supermercado como o anti-Cristo ecológico e não olhar para tudo o que lá vai dentro. E é tudo de plástico. Numa autêntica “sociedade de plástico” como esta em que vivemos, interromper a reciclagem por questões financeiras deixa-me mesmo preocupado.

Pensamento informático

Li na Wired Magazine que uma máquina chamada de Adão fez umas experiências e chegou a uma conclusão. Tudo sozinho. Como as máquinas pensam hoje em dia! Vendo bem, pensam muito melhor que eu, que faço montes de experiências e não chego a conclusão nenhuma. Um pouco à luz do “pensamento” das máquinas eu penso desta maneira:  abrir um documento do Word com um texto, por exemplo: “Este é o Aventar do Isaac a pensar sozinho.“, seleccionar este texto, fazer um cut, fechar o documento sem o gravar e apagar o ficheiro. Depois criar e abrir uma folha de Excel, fazer o paste do documento, gravar e fechar. Eu penso exactamente assim. O meu pensamento é precisamente “aquele bocado de nada” que fica na “memória”, mesmo já não havendo ficheiro nenhum, logo depois do copy e antes do paste. E aqui reside o problema principal. É que tenho um problema grave que acho que partilho com o resto das pessoas : às vezes esqueço-me de fazer paste. Às vezes, esqueço-me até de fazer copy. Às vezes, esqueço-me da célula de Excel onde fiz o paste. Muitas vezes, depois de fazer paste no documento Excel, esqueço-me de o consultar. Uma multiplicidade de falhas que se transformam em singularidade e que me tornam muito provavelmente único. Se a singularidade humana já é grave o suficiente, então a “tal” singularidade tecnológica é que me parece muito, muito preocupante. A máquina pensa sem falhas e é perfeita neste aspecto. É-lhe ordenado que pense perfeitamente e ela cumpre. Os cientistas querem ir mais longe e introduzir uma espécie de inteligência humana no pensamento das máquinas para elas serem mais como nós… e cometerem erros. Isto não me parece nada lógico. Se calhar o futuro não precisa mesmo de nós.

Ofereço: Sugestão para reportagem

Estamos em eleições. É completamente impossível que haja uma pessoa neste país que não saiba que estamos em eleições. Alguém que regressasse agora, ao fim de dois anos numa viagem à volta ao mundo, a primeira palavra que ouviria seria “política” e saberia logo que estamos em eleições. Liga-se a televisão e é só política, política, política. No ar, debates políticos, declarações políticas, políticos a andarem de carro e até políticos a tentarem fazer piadas. Nota-se que começa a ser cada vez mais difícil preencher tanto espaço de antena dedicado à politica. O que irão fazer a seguir? Arranjar uma forma de fazer um jogo de futebol com políticos em coligação? Vê-se de tudo, mas acho que não se vê nada. Numa altura de reportagens, sondagens e estudos exautivos a tudo e mais alguma coisa, eu gostava de ver, por exemplo, um estudo sobre o número de pessoas que sabe o significado de palavras como demagogia, democracia, marketing ou retórica. Só para deixar de parte, por momentos, o “fogo de artifício”, as peixeiras e o Salazar. É que o homem ainda ganha como aconteceu no Concurso dos Grandes Portugueses.

Para não ser só “dizer mal”, vou “oferecer” uma sugestão: Que tal uma boa reportagem sobre o marketing político? Aposto que existe muita gente que gostaria de ver. Daria um bom share, ou lá como é que se chama à medida das televisões. Acho que era até, bastante importante, já que t-a-n-t-o se fala de política e eleições.

Para responder a questões como: Qual a importância e valor das sondagens? Como funciona uma empresa de sondagens? Como se organiza um comício? Quem trata da imagem dos políticos? Quem trata da imagem dos partidos? Quem trata da imagem das campanhas? Qual a sua importância? Pode influenciar na escolha do voto?

Crítica à Crítica

Reparei que ultimamente, muita gente discorda da crítica em tom de sátira. Mas mais importante que isso, reparei que meio mundo critica o facto do outro meio mundo criticar alguma coisa. A própósito disto, queria só dizer uma coisinha rápida…

Uma crítica que faço a mim próprio é a de ser demasiado agressivo verbalmente. Volta e meia, perco as estribeiras e rebento em asneiradas. Está mal. Às vezes, sou até bastante estúpido, precisamente porque fervo em pouca água. Embora, a quente, discorde de mim próprio. É estranho, mas é verdade. Critico tanta coisa, que acabo até por me criticar. Ainda há pouco tempo estive envolvido numa discussão acesa, na qual, depois de longa argumentação, consegui piorar mais ainda a situação, chamando estúpidas às pessoas que vêem telenovelas, porque, para mim, as telenovelas são mesmo uma estupidez pegada e uma anestesia cerebral. Obviamente, a mãe ou a avó de alguém (eu incluído) vê religiosamente “a telenovela” (como se não existissem aí umas quinze) e acho que até acreditam que aquela porcaria é mesmo verdadeira, e que aquelas personagens se chamam mesmo Dulcineide e Wordinaldo. Portanto, devido a esse estranho item denominado de “proximidade”, não se pode dizer estúpido, nem nada. E também por respeito, mas hei!, estamos no século XXI, que respeito é que estamos mesmo a falar?!? A minha liberdade de falar abertamente (e criticar) esbarra na liberdade de outro não me querer ouvir e querer responder na mesma moeda. Ou, levemente inspirado, nas palavras do “nosso” ainda Primeiro Ministro: a minha vontade de te dar um soco nas trombas, termina na falta de vontade do teu nariz. Percebo isso. Mas também aprendi a ser verdadeiro. Sempre me ensinaram a não mentir, e analisando o mundo em meu redor, todas as suas implicações e todas as suas complexas relações, e se acho que algo é estúpido, não sinto nenhum pudor em lhe chamar como acho que deve ser chamado. Tenho é de o fazer “para dentro” ou muito baixinho, precisamente por causa da tal dualidade própria de me exprimir livremente. E também porque entendo o conceito de empatia. É que do outro lado, pode estar um gajo com um maior “arsenal de asneiras” e mais meio metro de altura. É tudo uma questão de força. Eu, por exemplo, reajo muito mal à crítica. Tanto positiva como negativa. Se no caso da crítica positiva, não sei muito bem o que fazer ou dizer e preferia muito sinceramente que ninguém dissesse nada, por outro lado, a reacção às críticas negativas pode ser, digamos, um pouco violenta. Violenta, não. Emotiva, como se diz na política. “Tanta coisa está terrivelmente mal no mundo e eu é que sou o criticado, só por criticar?” Não reajo bem. Não sou político ou figura pública, portanto sou imune à perfeição e posso ser violento/emotivo, como todo o ser humano normal por esse mundo fora. Não podem ser só virtudes. E depois penso novamente na empatia e critico-me a mim próprio por estar sempre a criticar tudo. Portanto, não sei muito bem se a crítica, no sentido geral, é válida. Mas também, se não criticar o que acho que está mal, acabo por entrar na lógica do “quem cala consente”. Dúvidas existenciais profundas só porque um gajo qualquer se lembrou de fazer um provérbio.  É claro que se a crítica girar em torno de algo em que toda a gente (ou uma maioria) está de acordo, esse problema de contenção e “proximidade” já não existe. Se num grupo de pessoas apolíticas alguém critica a política e/ou chama a um qualquer político de ladrão ou mentiroso, todos os outros aplaudem e conseguem até arranjar uma forma de criar novos palavrões ainda piores. Mas isto acontece num círculo fechado. Em aberto, publicamente, pura e simplemente não acontece.

E assim, devido a todos estes condicionalismos, a crítica cómica, o sketch e a sátira, tornam-se a arma de eleição para criticar sem criticar e, principalmente, para criticar sem esperar represálias. Tudo com um sorriso nos lábios, que é bem melhor do que levar um soco nos dentes. E também por uma questão de audiência. Ninguém (ou quase) quer estar a ouvir um homenzinho muito sério, com um tom de voz sério, à frente de um cenário muito sério, a falar de coisas sérias. Mesmo o Marcelo R. Sousa tem aqueles tiques todos e uma maneira esquisita de falar, só para não parecer tão sério. Aquelas histórias de ele ler 20 livros enquanto dorme também é com o mesmo propósito. Gajos sérios não têm piada nenhuma. Os portugueses já são um Povo deprimido por natureza, não estão para aturar mais um gajo sério. Por outro lado, a crítica “séria” quase não existe, e não existe porque paira no ar uma consciência de que não é possível criticar os gajos sérios, sem se meter numa carga de trabalhos, arranjar inimizades duradouras, passar um longo tempo em tribunais, atolados em papéis para provar que não disse o que disse. Enfim, a suprema violência burocrática. E a carga de trabalhos é proporcional ao tamanho do criticado. Tenho ideia de que na altura em que a crítica se tornar mais séria, directa e objectiva, as contendas vão-se resolver à porrada, num mano-a-mano de mangas arregaçadas. Alguém tem tomates suficientemente grandes para ir contra e criticar aberta e publicamente o núcleo duro da Política? Da Banca? Das Corporações? Bem, o Francisco Louçã faz isto, mas como tem também aquela maneira esquisita de falar e um programa de governo de extrema-esquerda ninguém o leva a sério. Eu sou sincero e desmarco-me desde já. Ainda é preciso levar muitos “carolos” e umas chapadas “à padrasto” para chegar a esse ponto. Mas para lá caminho. Fico com a dúvida se a crítica “na brincadeira” existe porque afinal as coisas não estão assim tão más, até porque ainda dá para ir “mandando umas piadinhas”… ou se existe porque quem critica está meio acagaçado e é melhor não abrir a boca toda.

Pensando bem, para quê tanto trabalho, para quê as nódoas negras e um corte no sobrolho, para quê o “inferno dos papéis” se se pode criticar exactamente a mesma coisa, ainda por cima, com a possibilidade de o alvo das críticas poder estar ao nosso lado a rir-se, apenas tendo para isso, que fazer um pouco de parvo para ninguém me levar demasiado a sério? É preciso ter noção que, hoje em dia, para criticar alguém ou alguma coisa na praça pública, é necessário fazer um inquérito prévio para determinar todas as opiniões e tomadas de posição envolvidas, de modo a não suscitar acesas discussões que suscitem demasiada argumentação. Até porque toda a gente sabe que, acabando os argumentos, só resta virar costas à discussão ou dizer palavrões e/ou falar mais alto que os outros, e isso é considerado uma extrema falta de educação. Novamente, o exemplo da política: sendo que a argumentação há muito que já não existe, resta apenas o insulto (apesar de muitos virarem as costas à discussão). E um dos poucos insultos permitidos é chamar o outro de demagogo, o que não aflige quase ninguém, porque também quase ninguém sabe o quer quer dizer. Fica apenas o recado para “dentro” e é praticamente uma piada própria da Assembleia da República. É o sinal para acabar com as discussões, antes que alguém chame outro de néscio.

Conclusão: actualmente, quem tem voz pública, tem uma táctica que passa por criticar mas sem criticar ninguém, nem magoar ninguém, nem insultar ninguém. O P.R. deu o mote institucional: falar, falar e não dizer nada. A única crítica verdadeiramente autorizada é a crítica positiva, mas também não seria de esperar outra coisa, já que vivemos no Tempo do Optimismo-Salvador e dos Manuais de Auto-Ajuda. Para criticar alguém convenientemente, de preferência têm de se citar autores mais ou menos desconhecidos que criticaram dissimuladamente situações mais ou menos parecidas com o que se quer criticar ou utilizar linguagem que quase ninguém perceba. E depois discute-se se o autor A tem mais livros editados do qu
e
o autor B e esquece-se a crítica.

A crítica aberta, em praça pública, fica assim restrita a um estilo moderno de “Revista à Portuguesa”, sem os adereços populares, o improviso e uma vareira a cantar um “faduncho”, até porque sendo a Identidade de Portugal, o fado, esse ninguém o critica. Pessoalmente, continuo a ver a crítica, seja ela qual for (positiva, negativa, séria, cómica, colorida), apenas como uma gigantesca sondagem ao País e ao Mundo. Obviamente, menos fiável, mas muito mais abrangente. Mas também, qual é a sondagem que é fiável hoje em dia? Por isso mesmo, acho que todos devem criticar e ser criticados de volta. Todos, menos eu, claro.

Digo tudo isto a brincar, não vá alguém se ofender…

Que série é esta?

“‘E-mail’ denuncia que Fernando Lima, assessor de Cavaco, entregou ao ‘Público’ um ‘dossier’ sobre as suspeitas de espionagem do Governo a Belém.” “

“Num encontro, que terá decorrido em Abril de 2008, “num café discreto da Av. de Roma”, o assessor de Belém entregou a Luciano Alvarez um dossier sobre Rui Paulo de Figueiredo, adjunto jurídico de José Sócrates, cujo comportamento levantou suspeitas aquando da visita de Cavaco Silva à Madeira. Lima estaria convencido que este adjunto de Sócrates integrou a comitiva para “observar, o mais dentro possível, os passos da visita do Presidente e o modo de funcionamento interno do staff presidencial”.

Todas estas informações constam de um e-mail enviado por Alvarez ao correspondente na Madeira, Tolentino de Nóbrega, no qual relata o encontro com Fernando Lima e sugere que até seria bom que a história viesse da Madeira, para que o ónus não recaísse sobre a Presidência: “O Lima sugere e eu acho bem duas perguntas para o início do trabalho (até porque a eles também interessa que isto comece na Madeira para não parecer que foi Belém que passou esta informação, mas sim alguém ligado ao Jardim).”

Este e-mail é apenas um dos  vários documentos a que o DN teve acesso, cujo conteúdo se refere a questões internas do jornal.”

Excerto tirado do Diário de Notícias… ou do Público?!? Já nem sei… Mas este enredo é um bocado confuso demais, não? Até parece interessante, mas não se percebe nada! Tenho pena de não ter acompanhado esta série desde a primeira temporada!

Há coisas que não entendo

Acabei de ver na TV um anúncio da Sapo Fibra em que se fala em “Velocidade com qualidade”, mas a seguir mostra uma mulherzinha aos tombos dentro de um carro a grande velocidade… Mas onde é que anda a coerência? Há coisas que não entendo. Por exemplo, na realidade política portuguesa. A incoerência é por demais evidente nas campanhas políticas. Nos debates, os nossos políticos, que (quase) toda a gente já percebeu que são meros testas-de-ferro do poder corporativo, são todos educados, eloquentes e no frente-a-frente é só “Senhor Engenheiro” para cá, “Senhora Doutora” para lá, mas passado um dia, nos comícios, só lhes falta insultarem-se de filhos da £*]@. De manhã, estão sérios, a espumarem-se de raiva e a dar socos na mesa, mas depois à noite estão a fazer programas de humor e a dizer piadinhas. Mas este pessoal tem dupla personalidade, ou quê? Não percebem que há pessoas atentas a isto? E que podem haver criancinhas a ver?

Outra coisa que não entendo é esta questão do TGV. Espero que o slogan não venha também a ser “Velocidade com qualidade”. O TGV cai-nos de repente no colo e aparece em todas as conversas de café, sem que grande parte das pessoas saiba sequer o que a sigla quer dizer, quanto mais a parte técnica da coisa, eu incluído neste segundo grupo. Digo isto, porque hoje de manhã, estavam dois homens no café aqui da esquina a discutirem se o TGV era Comboio de Alta Velocidade ou Comboio de Grande Velocidade. De repente, e se calhar por causa desta divergência, transforma-se em Investimento Público e é o grande salvador do descalabro do País e a alavanca mágica para tirar Portugal da crise, isto apesar da crise ser tão antiga que já deve ter filhos. O preço não interessa para nada, os pormenores são irrelevantes, porque o que interessa é pôr todo o pessoal a trabalhar e a economia a mexer rapidamente. Ainda há pouco tempo, não havia sequer dinheiro para manter todos os centros de saúde a funcionar, mas agora já há. Precisamos de estar ligados à “centralidade europeia”, mas não vai haver dinheiro para os bilhetes, porque assim que acabe a construção fica tudo desempregado outra vez. Mas então, na mesma linha megalómana, porque não fazer o edifício mais alto do Mundo, no meio do Alentejo? Porque não ligar o Metro do Porto ao de Lisboa? Fazer um túnel submarino até à Madeira ou Açores? E depois, o que me preocupa é que o TGV (ou Investimento Público) é a tábua de salvação do País perante o actual estado de crise e, ao que parece como definitivo, não há mesmo outra solução. Mas então, que remédio milagroso vai ser aplicado ao “doente” na próxima crise? Outro TGV?

O que se lê…

Depois de ver alguns destes últimos debates, acho que sei quais os livros que andam a ler os candidatos a primeiro-ministro…

Mesinha de cabeceira de José Sócrates:

js

Mesinha de cabeceira (fabrico nacional) de Manuela Ferreira Leite:

Manuela Ferreira Leite

Afinal, quem é que manda?

Eu acho que se percebe muito bem quem é que tem as rédeas na mão.

Eu até acho, que se calhar, mais vale começar é a votar para os Conselhos de Administração da Nestlé, Monsanto, PetroChina, Exxon Mobil,  General Motors, EDP, Sonae, Brisa, Portugal Telecom, Galp, etc, etc, etc…

A máscara do Louçã

Cuidado com o Francisco Louçã. Finalmente deixou cair a máscara de bom samaritano e revelou-se finalmente como o verdadeiro anti-cristo dos PPR’s e dos benefícios fiscais.  Quem o diz é o Aparelho de Estado. E eu que estava tão enganado, a pensar que o BE era um simpático e jovem partido anarquista que apenas queria distribuir drogas leves por todas as minorias e ocupar casas abandonadas. Mas não! É um partido obscuro, revolucionário, extremista e com um agenda escondida de radicais nacionalizações e ataque violento à classe média e às suas poupanças. Sinto-me muito mais seguro, agora que fui elucidado.

O Aparelho de Estado continua e avisa-nos para ter cuidado com o BE que “tem um projecto económico e social que visa destruir a nossa economia de mercado,  o que teria a consequência de fazer com que Portugal deixasse de ser democrático.

“As propostas económicas do BE são uma ofensiva sem tréguas à liberdade económica de todos os indivíduos, assente no princípio da propriedade privada. Que caracteriza não só os bens dos “ricos”, sejam eles quem forem em linguagem bloquista, mas também os bens de todos nós. As nossas casas, o nosso carro, a nossa mobília.”

Aliás, agradecendo mais uma vez, já me precavi e cravei toda a mobília ao chão, não fosse aparecer por aqui algum militante do BE.

A Era dos Estúpidos

Estreia na América, no dia 21 de Setembro, um filme de nome “The Age of Stupid“, alertando para os efeitos catastróficos das mudanças climáticas. Em Portugal, a estreia está marcada para 22 de Setembro, o que para os nossos governantes encartados tão dependentes de dados estatísticos provenientes do exterior, quer dizer que estamos atrasados em apenas 1 ponto percentual face ao desenvolvimento dos Estados Unidos. Cá, provavelmente, o nome do filme será traduzido para “A Era da Mudança”, pois, mantendo o nome original, pode ofender alguns estúpidos.

Numa altura em que se discute se somos uma sociedade mais justa e solidária que há 100 ou 200 anos atrás, se somos assim tão desenvolvidos e modernos ou se o comunismo ou o neo-liberalismo são a solução mágica para a vida em sociedade, um facto é inegável: vivemos numa era instável em termos ambientais. Eu pessoalmente até acho que caminhamos para um mundo cada vez mais injusto, desequilibrado, hipócrita e paranóico, e tenho quase a certeza disso, veremos o quanto em Dezembro na reunião do COP15, em Copenhaga. Mas isso é a minha opinião e isso vale o que vale. O que é um facto indesmentível e inabalável é que vivemos actualmente num mundo que está à beira de um colapso ecológico. E ainda por cima, causado pelo próprio Homem, que, ao que parece, não está muito inclinado em mudar de rumo.

O mundo está mesmo diferente

Uma campanha de prevenção da SIDA mostra Hitler em ousadas cenas sexuais. Grande escândalo, polémica por todo o lado e toda a gente fala disso. Mas não é esse o objectivo de uma campanha de propaganda? Eu imagino o que aconteceria, se fosse hoje que se fizesse um desenho animado em que o Pato Donald aparece como um nazi!