Ter o cinema mais próximo de nós

Sem grandes surpresas, a produtora cinematográfica DreamWorks anunciou que todas as suas animações futuras vão utilizar a tecnologia 3-D, tal como já acontece com “Monstros vs. Aliens”, recem chegado às salas nacionais.

Os filmes em 3-D não são recentes, tendo as experiências com esta tecnologia começado na década de 50 do século passado. Nos últimos anos o 3-D conheceu avanços tecnológicos mas os óculos especiais, com as ‘lentes’ vermelha e azul, ainda são necessários.

A grande questão é que o 3-D é visto como uma forma das grandes produtoras combaterem a pirataria e levarem pessoas às salas. Sem grandes capacidades imaginativas para ultrapassar os desafios colocados pelas fórmulas piratas de distribuição de filmes, através da Internet, os estúdios tentam encontrar o seu caminho.

O “Panda do Kung Fu 2” e “Shrek Goes Fourth” serão alguns dos próximos exemplos de animações que nos vão chegar em três dimensões.A opção feita para “Monstros vs. Aliens” deu resultados positivos nos EUA, com 43,5 milhões de euros arrecadados nas bilheteiras só no primeiro fim-de-semana, o mais importante de todos no sistema de distribuição norte-americano.

A Pixar/Disney também anunciou que oito dos seus próximos nove filmes, a estrear até 2012, serão feitos em 3-D. O Festival de Cinema de Cannes vai, pela primeira vez em mais de 60 anos, abrir com uma película de animação, “Up”, também feita em 3-D.

Até 2012 deverão estrear 45 filmes deste tipo, mas nem todos serão animações, como a próxima longa-metragem de Tim Burton, “Alice no país das maravilhas”, a nova ficção de James Cameron, realizador de “Titanic”, e o próximo de Steven Spielberg.

Jeffrey Katzenberg, produtor da DreamWorks, disse, recentemente, à revista Vanity Fair que os filmes em 3-D representam “a terceira revolução no cinema” e admite que, no futuro, todos os filmes sejam feitos em 3-D. Diz que se as histórias forem boas o público aceitará pagar mais para ver as fitas com imagens em três dimensões.

Aqui está outro problema. As boas histórias, e, já agora, originais, estão cada vez mais longe de Hollywood. São cada vez menos os bons argumentos e cada vez é também menor a vontade de arriscar por parte dos grandes estúdios. Daí a opção por sequelas, mesmo de filme que não renderam assim tanto dinheiro, e por remakes. Por isso, não será de espantar que alguns êxitos de outros tempos possam ser recuperados em versões 3-D. Por isso, não será difícil de prever que, um dia, Freddy Kruger terá as suas garras muito mais próximas de nós, que a serra eléctrica texana nos faça desviar dos salpicos de sangue ou que o beijo de Scarlett Johansson nos seja destinado.

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