Concursos públicos e masturbação

Woody Allen, um dos mais avisados sexólogos do mundo ocidental, disse acerca do onanismo: “Não digam mal da masturbação, que é fazer amor com alguém de quem gosto muito.” Por analogia, e porque, no fundo, a sociologia é sexologia com mais roupa, parece-me absolutamente justo que um inspector-geral abra concurso para seu próprio benefício. Este é o verdadeiro português, o descobridor que não vira a cara à luta, o homem que, sozinho, vai contra cinco ou mais, sem se importar com quem esteja a ver, o corajoso que esgalha o pessegueiro, ainda que esteja em propriedade alheia.

A bela gravata da ministra Cristas: em frente pela libertação do pescoço

Não conheço acessório humano mais ridículo e inútil que a gravata. Hoje em dia abundam os velhos piercings e multiplicam-se as tatuagens (a proibição medieval, pela igreja do costume, foi esquecida), mas nada se compara a um adereço masculino tão enfemeninado.

É curioso que se formos à wikipédia encontramos uma tentativa muito britânica de aldrabar a História, contando a velha lenda de que a gravata tem origem nos soldados croatas e seu lencinho à volta do pescoço, esquecendo-se que nem gravata sabem dizer. Explicação etimologicamente possível, quanto às origens do seu uso a versão francesa é bem mais pragmática e sabe bem do que fala; disto por exemplo:

Pelo menos a partir do séc XVII fez parte das mariquices com que se embelezavam os homens da aristocracia, numa época em que a bem dizer apenas as saias os distinguiam, na indumentária, das também mui adornadas mulheres.

Deixando de lado o meu mau humor quando se passa pelo barroco, a gravata foi evoluindo e transformou-se no séc. XX numa peça obrigatória a que estavam condenados os funcionários públicos, de colarinho bem apertado, não fosse ver-se a maçã de adão, com tudo o que de pecado original daí se pudesse sugerir. É escusado fazer trocadilhos com uma das palavras com que os gauleses designam o que separa a cabeça do tronco.

Pensava eu, ingenuamente, que tinha passado o tempo em que me podia gabar de nunca tertido tão abjecto trapo rodeando o meu pescoço, substituída pela camisola de gola alta em momentos mais complicados como a defesa de uma dissertação académica e defendendo-me sempre com os padres, que não se engravatam de modo algum mais que não seja porque sabem umas coisas de história, quando descubro agora por via de uma libertação, numa assumpção bem cristã e ponderada por motivos energéticos, que o pessoal nos ministérios ainda anda obrigado ao seu porte. [Read more…]

O novo governo

Assunção CristasO Eduquês envergonhadoIndependentemente da cor partidária, acho que este é um bom governo. O que não era difícil, bastando cortar com a governação pela propaganda comunicação.

  • Estou muito curioso quanto a Nuno Crato. Acho que foi boa escolha, espero que consiga acabar com o sucesso educativamente estatístico.
  • Ao contrário de muitos portugueses que têm ido em busca do sonho luso lá fora, Álvaro Santos Pereira largou os seus desmitos no Canadá para ser ministro cá.
  • Assunção Cristas, que ganhou mediatismo nos últimos tempos, fará parte da estreante geração “ministros que já tinham página no Facebook”, pelo que tenho uma certa curiosidade em perceber se esta página se manterá aberta. Se não for fechada, estaremos perante um novel meio de contactar o titular (a titular, no caso presente) de uma pasta ministerial.
  • Surpresa, surpresa, o homem que colheu os louros pela prévia informatização do fisco vai comandar a Saúde. Vai ser giro acompanhar o que O Jumento vier a, recorrentemente, escrever (aposto).

Quanto aos restantes ministros, vamos ver como corre. O programa troiquiano está definido de há dois meses a esta parte e, a bem de todos, esperemos que este governo seja capaz de o cumprir e que isso nos tire da fossa onde estamos há uma década.

segue-se o texto «O Eduquês envergonhado» de Nuno Crato, publicado no Expresso / revista Actual a 27 de Outubro de 2007. [Read more…]