Rajoy contrai mixomatose

Espanha sobe o IVA, suspende subsídio de Natal na função pública e baixa subsídio de desemprego

Aumento do IVA na restauração para 23%

O IVA na restauração aumenta só 77%, de 13 para 23%. Uma sopa paga 23% de valor acrescentado ao estado. Um galão também. O mesmo para uma refeição rápida, tomada de pé e à pressa, no intervalo do trabalho para dar energia para um resto de dia produtivo.

Nas cidades portuguesas são cada vez mais raras as pessoas que vivem suficientemente perto das suas casas para aí fazerem as suas refeições. Restaurantes vão perder clientela, muitos vão fechar. Trabalhadores serão despedidos. O turismo será menos competitivo e o turismo cá dentro corre o risco de se transformar em pequenas saídas de curtíssima duração. Agricultores portugueses que hoje cultivam produtos de elevada qualidade para restaurantes terão maiores dificuldades de escoamento.

Espanha e França – concorrentes de Portugal na captação de turistas – têm IVA a sete e a oito neste sector. A Irlanda, com o FMI tão dentro de casa como cá, baixou esta taxa do IVA para 9%. Um colar de pérolas paga o mesmo IVA que uma bifana, um iate que uma sopa, comer um caldo verde equivale a um luxo. A segurança social terá mais subsídios de desemprego a pagar. Pessoas que não têm qualificações noutras áreas delapidarão os seus saberes. Locais actualmente arrendados serão devolvidos aos proprietários e permanecerão encerrados. As receitas diminuirão, a fuga ao fisco aumentará.

Deve ser burrice minha, mas não vejo o que vai o país ganhar com isto, nem em números. Alguém me faz um desenho?

PSD ainda não governa e já imita o pior do PS

O PS, vimo-lo nos últimos anos, disse, desdisse, contradisse, meteu os pés pelas mãos, meteu as mãos pelos pés, enrolou a língua, desenrolou-a, perdeu a cabeça, encontrou-a, voltou a perdê-la, etc.

O PSD jurou que não viabilizaria mais nenhum aumento de impostos em 2011 mas admite aumentar o IVA, que já foi um imposto cego (Marco António Costa dixit) e injusto (Pedro Passos Coelho), mas agora já não é. Quanto à avaliação dos professores (não me pronuncio aqui, neste poste, sobre a justeza, ou não, da medida em si), o contorcionismo político atingiu o auge e em vinte e quatro horas o preto passou a branco e vice-versa, para fazer jus ao primeiro parágrafo desta crónica. Eu sei que a situação é grave e estamos em campanha eleitoral, mas é pela amostra que se avalia o produto.

Com isto, relembro duas frases que ouvi nos últimos dias: “Não vão os portugueses perceber que saltando da frigideira correm o risco de cair no lume” disse Jerónimo de Sousa e “Não temos os políticos que merecemos. Temos os políticos que somos” escreveu aqui o José Freitas. Pois é.