Miguel Relvas e a ambiguidade

Depois de ‘cabeça-de-lista‘ (conversa reservada para o momento da “discussão mais focada“), voltemos a Miguel Relvas e ao Acordo Ortográfico de 1990. Em recente entrevista ao Expresso, Relvas garante que

O acordo ortográfico também serve para esclarecer a ambiguidade de muitas palavras.

É esta a opinião do político que há cerca de dois anos assumiu o cargo de Alto Comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa. Em breve, se tudo correr bem, teremos um amplo debate público sobre este tema e Relvas ficará a saber, por exemplo, que pára e para, coacção e coação ou corrector e corretor deixaram de se distinguir graficamente e são potenciais focos de ambiguidade. Ficará a saber igualmente que os ‘aspetos técnicos’ mencionados por Aznar no prefácio e a “perspetiva de chegar à liderança das secretas” da entrevista ao Expresso são factor de desunião.

Relvas terá também a oportunidade de se debruçar sobre aquilo que tem acontecido no Diário da República. Entretanto, convém lembrar que são necessárias 75 mil assinaturas para que este triste espectáculo acabe.

dre 3062015

Um Rato encarcerado

Branqueamento de capitais, fraude e apropriação indevida de bens são as acusações que pendem sobre Rodrigo Rato, nº2 do governo de José Maria Aznar (1996-2004), ex-director do FMI e ex-presidente do Bankia, o banco espanhol que foi nacionalizado em 2012 por Rajoy, o mesmo Rajoy que promoveu uma amnistia fiscal que beneficiou este destacado barão do Partido Popular espanhol que foi detido durante a tarde de ontem. Qualquer semelhança com casos de políticos portugueses da mesma área ideológica envolvidos em esquemas similares é pura coincidência. Até porque ainda que a criminalidade seja idêntica, por cá estão todos em liberdade. Nós temos esse péssimo hábito de tratar muito bem a escumalha criminosa do regime.

Tony Blair atacado em Dublin

Tony Blair atacado com sapatos e ovos em Dublin, quando apresentava a sua autobiografia, um livro intitulado ‘A Jorney’. Os manifestantes proferiram igualmente a acusação de “criminoso de guerra” e de ter “sangue nas mãos” – a imprensa diz que se trataram de insultos, mas, ao que certos jornalistas escrevem, deve-se reagir com a indiferença devida, seja pela desonestidade intelectual seja pela incapacidade de saber o que, realmente, escrevem.

Tony Blair fez parte do trio – Bush e Aznar foram os outros  – decisor do ataque e invasão do Iraque, durante um chá gentilmente servido, nos Açores, pelo mordomo Barroso.

Tal ocupação, ao contrário do que Obama afirmou 3.ª feira passada, ainda continua através da permanência de 50.000 soldados dos EUA até 2011, não obstante ter causado às tropas norte-americanas, sem contar com as restantes, cerca de 4.500 baixas e mais de 30.000 feridos. Por sua vez, e isto é o dado mais eloquente, estima-se um número indeterminado de mortos da população iraquiana – entre os 200.000 e os 600.000, não há certezas. Por outro lado, o país, devastado, continua a ser palco de miséria e sofrimento de milhões de seres humanos.

Comprovadamente, não existiam armas de destruição maciça e Saddam Hussein, alternativamente, poderia ter sido forçado a promover eleições e a institucionalização de um regime democrático, através de medidas e acções coordenadas pela ONU e sem a horrenda e despropositada violência utilizada.

Blair e os restantes, incluindo Barroso, são efectivamente “criminosos de guerra”, mas, como todos os bastardos, acabou por ter sorte. Nem um cabrão de um sapato, ou de um ovo, lhe acertou, ainda que fosse de raspão.

Espero bem que a FNAC, ou outra do género, não tenha a triste ideia de convidar Blair para vir a Lisboa – desculpem lá os do Porto – apresentar a merda do livro. Se tal suceder …

(Nota: Desde que publiquei no ‘Aventar’ este ‘post’ o meu PC é sucessivamente atacado e vejo-me nas “amarelas” para recuperar o acesso à Internet. Sucedeu novamente quando fiz o “link” neste texto. Coincidência fortuita?)