Sobre a expressão “as pessoas em casa”

Apesar de a Carla Romualdo, com o irritante brilhantismo do costume, já ter glosado esta expressão, numa rede social felizmente perto de mim, deixo aqui o meu contributo. Ou contribruto.

O mundo da comunicação social está pejado de gente que sabe tudo aquilo que sentimos e está a par de tudo o que desejamos, para além de saber muito bem, talvez melhor do que nós, o que é que sabemos.

É vulgar, portanto, ouvir frases como “As pessoas em casa não compreenderiam que…”. Ouvi-a recentemente na boca de um político que consegue ser a pior versão das más versões dos políticos que temos.

Pergunto-me sempre como é que esta gente sabe o que é as pessoas em casa compreenderiam ou não compreenderiam. Sonho com o dia em que um telespectador ligue para um programa em que o público participa para comunicar que está em casa e ninguém sabe o que é ele compreende ou deixa de compreender e que agradecia que deixassem de falar dele ou por ele.

Uma variante desta frase tem um alcance ainda maior, porque não se limita à casa. É uma frase que vai pelas ruas, pelas avenidas e colhe, qual touro holístico, qualquer cidadão esteja ele onde estiver.

Essa frase tanto é usada por políticos como por concorrentes do Big Brother e pode assumir inícios como “Os portugueses sabem que…” ou “Os portugueses sentem que…”. Não há relativização, não há excepções, os emissários de tais frases incluem nos seus enunciados todos os portugueses, como se os conhecessem de ginjeira, incluindo a residência com número da porta e código postal, o restaurante da diária costumeira e a série preferida.

É verdade que somos um país pequeno, mas  ainda deve haver um ou dois cidadãos de que nunca ouvimos falar e cuja opinião ou sentimentos não conhecemos. 

Como assim, o Big Brother deu merda?

Como assim, o Big Brother é um degredo que não tem razão de ser sem polémica e violência?

Como assim, o Bruno Carvalho é tóxico e conflituoso, e foi precisamente por isso que foi escolhido para o programa?

Como assim, o modelo de negócio da TVI assenta no sensacionalismo, no escândalo e na exploração de emoções primárias?

Como assim, a Cristina Ferreira indigna-se e denuncia de casos de violência doméstica na sua revista e no programa da tarde, para depois pactuar com eles enquanto membro do Conselho de Administração da TVI, Directora de Entretenimento e apresentadora do Big Brother? Querem ver que a self made woman da Malveira é uma hipócrita?

Fui apanhado de surpresa, confesso. Não estava nada à espera destas informações dramáticas. Serão verdadeiras?

Entre a censura e o negócio – Objectivo: O controlo total

1- “O problema é que é esse mesmo mecanismo que está a matar a privacidade, a minar a democracia, a aumentar a crise da imprensa livre e a promover genocídios.

Esta semana a plataforma (FB) bloqueou o acesso à ProPublica, um serviço noticioso de investigação que se especializa na investigação da qualidade cívica e que já ganhou um Pulitzer de Serviço Público. O que a Propublica fazia era um ato de transparência: expunha aos utilizadores a forma como os seus perfis eram utilizados no Facebook e que anúncios chegavam a quem, permitindo o escrutínio e forçando a transparência que são essenciais nas sociedades liberais.”

2- “A privacidade está a ser substituída pela tecnovigilância e a transparência dos algoritmos é impossível de conseguir. Em causa fica o livre arbítrio e toda a ideia da sociedade aberta.

O modelo de negócio das grandes empresas digitais assenta na recolha e utilização da maior quantidade possível de dados pessoais, frequentemente de forma ilegal e certamente anti-ética. E depois usa esses dados com um determinismo sócio-tecnológico que nega o reconhecimento do indivíduo.

A Amazon, que alberga a grande maioria da internet no seu negócio de servidores, tem contratos de milhares de milhões com os serviços militares e de segurança do governo americano; a Google, que domina o negócio das nossas personagens digitais (desde as pesquisas na internet ao conteúdo dos emails) faz o mesmo e negoceia individualmente com governos vários o acesso a informações sensíveis.

A vigilância transforma-se rapidamente em controlo de formas que são cada vez mais cinzentas, como já acontece em França numa parceria entre o Eliseu e o Facebook para policiar o discurso de ódio. Some-se a isto as tecnologias de reconhecimento facial e de voz e temos todas as características de um estado policial em formação.” [Read more…]