O Correio da Manhã não sabe adoptar o AO90

Correio da Manha 15 de Março de 2013

Pelo menos, é aquilo que esta notícia de Março deixa transparecer, considerando que o número de ocorrências em ortografia portuguesa europeia (‘Março’, Novembro e ‘pólo’) ultrapassa o das que respeitam o AO90 (uma singela ‘atividade’): estaremos perante um meritório acto de insurreição relativamente à vontade de adopção assim-assim do AO90 manifestada pela direcção do Correio da Manhã? Obviamente, as co-ocorrências apreciadas impedem igualmente que possamos falar de aplicação da norma de 45, mas essa é outra conversa.

Claro, o respeito pelas directrizes de Octávio Ribeiro poderá servir de atenuante para aquele *fato, porque, afinal de contas, o AO90 não interessa nada, aquilo que interessa são as orientações do Correio da Manhã, pois, como é público, quem manda na ortografia portuguesa não é o Governo, quem manda nesta tropa toda é o Correio da Manhã. Por isso, aprendam: facto passa a fato e pára não passa a para. As bases IV e IX do AO90 só servem para inglês ver.

Como hoje estou bem-disposto, não direi desta mistela ortográfica o mesmo que o Dr. Christian Couzinou disse acerca do problema apreciado na notícia, mas só porque – e repetindo-me – estou bem-disposto. A propósito, ao contrário daquilo que se crê no Correio da Manhã, o Dr. Couzinou não se chama Couzino. Claro, a imprensa francesa. Pois, eles lá saberão. Exactamente.

Post scriptum: Ia aproveitar o refrão dos Black Company para o título (‘adoptar’ em vez de ‘nadar’), mas contive-me. Fica prometido. Um dia.

O Hino da EDP

As gravuras não aprenderam a nadar. A EDP, que agora mete comboios a flutuar nas suas barragens, também não.