Natal das cadeias

 

Graças à minha sociável mãe, que mete conversa com toda a gente, e não deixou de prestar atenção ao grupo que enchia o autocarro a caminho do centro prisional, fiquei a saber uma notícia que muito me surpreendeu. Os familiares dos reclusos de certo centro prisional do norte (não sei se é prática corrente no resto do país) podem participar no almoço de Natal organizado pelo centro desde que paguem 7,50 euros por pessoa, incluindo o detido (!). A maioria não quer porque o orçamento familiar não chega para tal, mas também porque a experiência do ano passado diz-lhes que a comida é horrenda.

Abdicam, pois, dos festejos natalícios, que se ficarão pelas visitas habituais e pela rabanada no tupperware, se esta passar no controlo.

Fez-me lembrar os tempos, não tão remotos, em que era preciso pagar bilhete para ir visitar os doentes internados no hospital. 120 escudos custava cada bilhete, sempre era menos do que uma sessão de cinema.

Era mas é já estes para a cadeia, os outros iam no sábado

Num país com a indispensável suspensão da democracia para aplicação tranquila das necessárias e indispensáveis medidas de austeridade, como seria desejável para tranquilidade da inteligência dos Burnay do nosso pequeno mundo, esta tal de Gui já andava a fazer bonecos com as unhas numa parede de Custóias. Num país de treta como o nosso ainda fazem reportagens tipo 15 de Outubro: a revolução na ponta do lápis.

E ainda se queixa de lhe arrancarem os cartazes, identificação de coladores com farinha e outros legítimos exercícios mínimos da autoridade, vejam lá a lata da gaja (aposto que não percebe nada de lavores).

ser amigo

a música, é-me oferecida por J.S Bach; a saúde, por J.António Brito

para José António Brito, o médico que me tem restabelecido…quem me dera essa inaudita capacidade de construção humana, como diz o meu colega do Collège de France, Boris Cyrulnick, salvo de um campo de concentração nazi…

Dizem por aí que o maior de todos os bens, é um amigo verdadeiro. Era fácil definir o conceito a partir do latim, mas como ser amigo é uma emoção, um sentimento, por ser um conceito tão subjectivo, nem o melhor latim serve para ser usado neste curto texto. É uma emoção, quase como um sentimento de fé. No entanto, esse sentimento não tem palavras para o definir. O que existe sãos apenas adágios ou frases de provérbio. Também dizem por ai que na cadeia e nos hospitais é que se conhecem os amigos. Não por sermos apresentados. É porque se estamos na cadeia, precisamos de

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