Natal das cadeias

 

Graças à minha sociável mãe, que mete conversa com toda a gente, e não deixou de prestar atenção ao grupo que enchia o autocarro a caminho do centro prisional, fiquei a saber uma notícia que muito me surpreendeu. Os familiares dos reclusos de certo centro prisional do norte (não sei se é prática corrente no resto do país) podem participar no almoço de Natal organizado pelo centro desde que paguem 7,50 euros por pessoa, incluindo o detido (!). A maioria não quer porque o orçamento familiar não chega para tal, mas também porque a experiência do ano passado diz-lhes que a comida é horrenda.

Abdicam, pois, dos festejos natalícios, que se ficarão pelas visitas habituais e pela rabanada no tupperware, se esta passar no controlo.

Fez-me lembrar os tempos, não tão remotos, em que era preciso pagar bilhete para ir visitar os doentes internados no hospital. 120 escudos custava cada bilhete, sempre era menos do que uma sessão de cinema.

Restaurante com vista

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E no meio de tanta sordidez política e tanta maldade, é bom encontrarmo-nos uns com os outros, abraçarmo-nos e, durante umas horas, percebermos que, como diz a canção, «é muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa».
Foi (mais) um excelente almoço do Aventar. Pena nem todos terem podido estar presentes. É que aqui, ao contrário do que acontece noutros locais, quem não vem faz falta.
Num belo restaurante com uma vista fantástica para o Douro. Valbom, Paris e Londres.

Não se conseguem umas senhas de almoço

ao senhor Candidato? Com o apoio da Igreja, por exemplo. E descontos para passageiro frequente na A1, entre o Porto e Fátima.

Aventar nas Casas do Bragal

Almoço

O Aventar completou, ontem, quatro anos e resolveu comemorá-los à mesa, que é um dos hábitos mais saudáveis que pode haver, mesmo com o aumento do IVA e do colesterol. [Read more…]

Almoço Aventar, Epifania do Outro

E, levantando-as do chão, a Maria Celeste deu-nos folhinhas de choupo, recordando como a sua forma é a de um coração, cor, cordis, cordata.

Ao princípio, nunca se faz a menor suspeita de como a palma das nossas mãos e a amplitude dos nossos braços desabrocharão perante a epifania do outro que não conhecíamos, do outro já conhecido. Tudo parece incerto, ou tolhido de ansiedade ou sem quaisquer expectativas que contrastem com a banalidade habitual de se estar vivo e haver vagamente gente que passa ao largo, dia-a-dia. Há quem acalente antecipadamente a alegria do Encontro agendado. Há quem albergue uma migalha de medo, talvez insegurança por causa desta tenda de carne onde moramos, batida pelo sol dos anos, vergastada pelos aguaceiros da dor inescapável. Depois, sem peias, sem reservas, sem barreiras, milagre da comida, sortilégio da bebida, vontade-árvore de dar tudo sem esperar nada, o almoço transfigura-nos e o afecto faz-se torrente, esporo de pólen da Elaeis guineensis, inseminando de milagre e de anti-acaso o estarmos juntos. Tudo concentrado numas horas de nada. Gargalhada daqui, aceno dacolá, um sorriso, um brilho bruxuleante no olhar acalentado pelo brilho no olhar bruxuleante. Falo por mim e, ouso-o!, falo pelos demais amigos do Aventar, ontem, na adega do Casino da Urca, a um passo de Santa Clara-a-Velha: se éramos corpos, ficámos corpo. Mais corpo.

«Mais um copo, Fernando!» «Bela jeropiga caseira, Jorge!» «Não poderia deixar de me fazer acompanhar das minhas filhinhas e da mulher! O Ricardo, igual.» «Vamos no Cozido à Portuguesa.»

O tempo trai-nos. Por ser fugidio e não haver como descarregar todos os ficheiros de quanto somos no âmago, queremos dizer-nos tudo ou ouvir tudo de todos na fracção infinitesimal de um segundo.  Só crianças se entregam assim e se partilham assim, numa avidez desmedida, sorte a delas e a nossa, se lhes semelharmos. Pensámos nos aventadores que não estavam. Espreitávamos o que aventavam.

A Maria Celeste esteve connosco. E o que eu nela vi foi grandioso: viagem que fala de si, da Itália ao Amazonas, encanto que pulsa com a vida, com a arte, com o cosmos, com tudo o que Portugal tem de único e admirável. Conversar com a Maria Celeste, abraçá-la, beijar-lhe a fronte muitas vezes, comover-me com ela, rir e pasmar com as descobertas e reflexões dela, recordou-me o quando éramos todos meninos e passávamos certamente toda a tarde a brincar e a interrogar-nos. Às vezes o nosso buraco de adultos é inconfessável, no seu deserto de presenças, e mesmo intransponível, até que a insistência muito além de cordata de alguém nos estende a mão para ressurgirmos à luz. Foi assim comigo. Foi assim, sem dúvida, com a Maria. Mas eu sabia bem ao que ia. Ela, talvez não inteiramente. Esvaiu-se-nos a tarde, fomos felizes mesmo em rebelia contra um tempo impiedoso de tão apressado.

Tanto mais teria eu de pincelar acerca do José João, do seu humor e narrativas; do Fernando, simpatia que incarnou e se fez homem; da neo-aventadora Teresa, espirituosa como poucas; da astuta e bela Carla; da meiga e vivaz Céu; da maternal Noémia; da Lourdes maternal, mulher que eu amo; de todo um grupo sob o deslumbramento das nossas quatro meninas que brincavam por todo o perímetro. Nem faltou um forte abraço à gente boa que tão bem nos acolheu e alimentou. Enfim…

Não, não há palavras!

Castigar os filhos pelas culpas dos pais

O caso da criança punida com um almoço de sandes e leite porque os respectivos pais não pagaram uma dívida de 30 euros passou para a secção ideologia.

Como a noção de serviço público não existe na cabecinha de quem odeia o estado, esse ogre, passámos às acusações aos pais, tentando defender o que qualquer dirigente escolar com um mínimo de profissionalismo condena, mas um organismo do Ministério da Educação se apressa em defender.

Calma, recomenda-se. Há uma fronteira que em política e opinião geral separa quem pensa os problemas dos seus semelhantes do lado das vítimas ou ergue sempre um dedo acusador contra os outros. A mesma que separa quem se preocupa com os credores de juros usurários, dos que se preocupam com os portugueses, e em primeiro lugar com os mais frágeis.

Nestas cabecinhas, que hoje andam aos pulinhos nas caixas de comentários, o facto de uma criança ter sido punida pelo que até pode ser um desmazelo materno, e eles existem e não são poucos, é perfeitamente natural. Vale tudo para cobrar uma dívida. O caso da directora do Agrupamento de Escolas Laura Ayres é agora uma perfeita parábola de um país e daquilo que o divide quanto à vida e quanto à crise.

“a criança não almoçou mas não ficou sem comer “

Alguém, por caridade, me traduz o que possa significar não almoçar mas não ficar sem comer?
Tudo bem, portanto, dado que o “lanche da tarde devia ser reforçado para esta criança”.

Mais sobre o caso da criança, do almoço a da directora Conceição Bernardes que o suspendeu

A directora do Agrupamento Dr.ª Laura Ayres emitiu um esclarecimento, desmentindo a notícia aqui referida. Compete a um jornalista, perante uma acusação, ouvir o acusado. Aparentemente foi isso que foi feito. Como o Aventar não é um órgão de comunicação social mas aqui divulgamos opinião a partir dela, aqui fica o texto, dirigido aos pais. Aguardamos uma resposta do jornalista. Mas devo dizer que acho inadmissível que para cobrar uma dívida aos pais, ao invés de participar à Comissão Municipal de Protecção de Menores e/ou às autoridades competentes, um estabelecimento de ensino público adopte qualquer procedimento que altere o seu relacionamento com uma criança e as suas rotinas. Nem que tenha ido comer lagosta para a sala ao lado. Não faz parte do que aprendi ser uma escola pública, nunca tal vi ou de tal ouvi falar desde que as frequento, ou seja, desde que me conheço.

Exº Senhor Pai / Mãe / Encarregado(a) de Educação
Em função da notícia vinda a público, hoje, na comunicação social, sinto-me na obrigação de partilhar convosco os esclarecimentos necessários para repor a verdade do que realmente aconteceu.
Esta missiva dirige-se especialmente a si, pai /mãe e faço-o pelo respeito que me merece.
Passemos aos factos:
1. A escola identificada na notícia está errada. A situação aconteceu na EB1/Jardim de Infância da Abelheira.
2. “Nada justifica uma criança a passar fome. Não é justo castigá-la a ela” – são supostas declarações da mãe da criança. Não poderia estar mais de acordo com esta afirmação, e tanto assim é, que a criança comeu na sala onde ficou, durante a hora de almoço, acompanhada de uma educadora. [Read more…]

Sou Contra a Justiça Popular

… mas sou permissivo à abertura de excepções.

A directora Conceição Bernardes é um tumor do ensino em Portugal

A directora do Agrupamento Dr.ª Laura Ayres, Quarteira, decidiu cobrar o pagamento de refeições em atraso suspendendo o almoço de crianças e deixando-as assistir ao almoço dos colegas. Por uma dívida de 30 euros falamos da completa violação de tudo a que um professor está obrigado pelos seus deveres profissionais, já não falando nos mínimos da cidadania.

Se ainda existe Ministério da Educação (o que com os cortes reais no orçamento é duvidoso), ainda hoje Conceição Bernardes terá um processo disciplinar e em breve engrossará a fila dos desempregados. Não me peçam razões jurídicas para o fazer, é um dos casos em que se não as há que se inventem, as pedagógicas chegam-me perfeitamente. Um país que tem uma Conceição Bernardes à frente de estabelecimentos de ensino bateu no fundo.

Hoje dá na net: Rui Veloso – concerto acústico

Rui Veloso, ao vivo. Acústico. A banda sonora do almoço de hoje dos aventadores, onde quer que estejam.

Aventário

Há dias em que me apetece comemorar (que, em Latim, quer dizer ‘lembrar em conjunto’). No momento em que me estiverem a ler, estarei a almoçar na minha cidade na companhia de alguns dos companheiros de blogue. Estarei a comemorar.

Tenho bastante dificuldade em fazer parte de colectivos, talvez porque padeça do vício da hesitação, talvez porque me falte um certo arremesso de generosidade apaixonada. No entanto, nunca me senti tão integrado num grupo como no Aventar.

Para isso contribuiu, em primeiro lugar, a amizade antiga com o João José Cardoso. Logo a seguir, senti-me confortável graças ao acolhimento de todos os outros. Finalmente, a minha primeira participação num convívio prandial fez-me associar nomes a caras, a pessoas, e o conforto, o aconchego aumentou.

Contudo, a verdade é que o gosto por fazer parte deste grupo não se deve apenas a amizades ou a empatias ou a almoçaradas, por muito fundamentais que sejam. Aqui, sinto-me desafiado a tentar ser melhor, por desejar estar à altura de todos os que fazem o Aventar, o que não é fácil diante de tanta criatividade, de tanta iniciativa, de tanta capacidade de intervenção cívica, factores visíveis, por exemplo, na tradução do Memorando de Entendimento ou na publicação do vídeo com que o Ricardo Santos Pinto lembrou as promessas de Pedro Passos Coelho.

O que mais me espanta, no entanto, é o desejo de dar voz a todos os quadrantes, em sentido contrário à tendência que todos temos em juntar-nos às nossas tribos políticas ou outras. É por isso que os esquerdistas que infestam o blogue clamam por vozes de direita, é por isso que os portistas desejam que os benfiquistas escrevam, é por isso que os republicanos querem ler os monárquicos, mesmo que nos digladiemos nas caixas de comentários ou no correio interno.

Tinha mais coisas para escrever, mas já estão aqui a encher-me o copo. À vossa!

Almoço Aventar, em Coimbra e numa Porta Romana

Poucos mas bons,  e só faz falta quem está, decorreu mais um calmo e tranquilo convívio dos escribas desta casa.

Três duelos marcados (não tenha finalmente vindo do nevoeiro o nosso Nuno Castelo Branco), florete, pistolas e penas, padrinhos combinados, o sangue voltará a escorrer nos próximos dias, como é quotidiano de um blogue pluralista.

Manjados o  arroz de entrecosto em vinha d’alhos (a escorrer), as pataniscas (do mais fidelíssimo amigo), os peixinhos da horta (ainda na fase de aprendizagem natatória), pequenos carapaus (muito pequenos não contem a ninguém), os rojões (no ponto), o esparregado (nacional, sim e é bom) e os chocos (falando algarvês com pronuncia beirã).

Na foto acima, em destaque, do lado esquerdo o cozinheiro do restaurante Porta Romana, em Coimbra, a quem agradecemos. Os outros são os que estavam. E esta Fernando, é para ti:

Um Louvor do Aventar à Direcção Nacional do PPD/PSD

José Magalhães, Fernando Moreira de Sá, José Freitas, Ricardo Santos Pinto. Miguel Dias, Adão Cruz, Carla Romualdo, José João Cardoso, J. Mário Teixeira e Carlos Fonseca

No âmbito das comemorações do 1º aniversário do Aventar, foi marcado um almoço no Porto para o dia 13 do corrente mês.

Face à concorrência do congresso social-democrata, logo se adivinhou que alguns elementos aqui da casa poderiam ter a tentação de faltar. Isto, porque alguns elementos desta casa estavam convencidos – imagine-se… – que lhes seria permitido estarem presentes no dito evento, na qualidade de “bloggers”.

Houve apreensão durante algum tempo, até que pela iluminada decisão da Direcção Nacional – Comissão de Organização do Congresso do PPD/PSD (e não apenas PSD, por respeito ao mentor do congresso), respirou-se de alívio, pois que os “bloggers” levaram com a porta no nariz e, à custa disso, os da casa ganharam um lugar à mesa.

Bem haja, pois, a decisão da Direcção Nacional – Comissão de Organização do Congresso do PPD/PSD, que contribuiu para que o almoço do Aventar no Porto, fosse mais participado, à custa dos que não tiveram lugar em Mafra.

Por isso, assim lavramos o nosso Louvor à Direcção Nacional – Comissão de Organização do Congresso PPD/PSD.

Este blogue poderá ter muitos defeitos, mas ser ingrato não é um deles.

Almoço Aventar

Lamentando a ausência dos que não estiveram presentes por motivos devidamente justificados, para quem não foi porque não lhe apeteceu aqui fica uma pálida imagem da francesinha.

Estavam mesmo boas.

Aventar invade Coimbra:

Do bacalhau passando pelo arroz de cabidela e terminando numa majestosa Mousse de Chocolate, assim se passou um dia fantástico em Coimbra neste que foi o segundo almoço do Aventar. Aqui ficam as provas (fotográficas) do crime e as nossas desculpas pelas garrafas de água – foi disfarce da malta do fundo da mesa, na verdade era vodka do dono do restaurante 007.

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(o casal simpatia)

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(o JJC – Anfitrião a olhar para o fundo)

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(A Água)

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(Aparição)

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(O Grupo)

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(Cimbalino)

Almoço do Aventar

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O Aventar foi almoçar.

Estiveram presentes vários aventadores, desde o fundador ao elemento mais recente e tivemos uma excelente recepção do aventador JJC.