Natal das cadeias

 

Graças à minha sociável mãe, que mete conversa com toda a gente, e não deixou de prestar atenção ao grupo que enchia o autocarro a caminho do centro prisional, fiquei a saber uma notícia que muito me surpreendeu. Os familiares dos reclusos de certo centro prisional do norte (não sei se é prática corrente no resto do país) podem participar no almoço de Natal organizado pelo centro desde que paguem 7,50 euros por pessoa, incluindo o detido (!). A maioria não quer porque o orçamento familiar não chega para tal, mas também porque a experiência do ano passado diz-lhes que a comida é horrenda.

Abdicam, pois, dos festejos natalícios, que se ficarão pelas visitas habituais e pela rabanada no tupperware, se esta passar no controlo.

Fez-me lembrar os tempos, não tão remotos, em que era preciso pagar bilhete para ir visitar os doentes internados no hospital. 120 escudos custava cada bilhete, sempre era menos do que uma sessão de cinema.

Comments


  1. Suponho ser mais velho e não me lembro de se pagar para visitar doentes. Pelo menos num hospital público.


    • Público, claro. Eu era miúda, deve ter sido há uns 20 anos.

    • Rui Silva says:

      Os sistemas tem de ser financiados.
      Mesmo que os visitantes ( das cadeias ou hospitais) não pagassem alguém tem que os pagar. Acho natural que os utilizadores paguem, ainda que simbolicamente, um pouco mais que os não utilizadores.
      No entanto nos tempos atuais não é politicamente correto cobrar esses bilhetes, criando a ilusão que o serviço é gratuito.

      Ainda noutro dia “tropecei” num pequeno livro na biblioteca cá do “burgo” , que promove os acontecimentos culturais do mês.
      Na contra capa, lá estava uma mensagem a dizer “Gratuito”.
      Cria também a ilusão que nada custa. Devia constar em vez de gratuito, o valor de custo da referida publicação, para que o contribuinte onde se gasta o seu dinheiro.
      cumps
      Rui Silva


      • Estou de acordo, com excepção das cadeias e hospitais. O pagamento é devido em troca de um serviço. Quando visito presos ou doentes ninguém me presta um serviço pelo qual tenha de pagar. Quanto à banalização do gratuito, tem razão. Já vi espectáculos medíocres pagos completamente cheios e espectáculos de qualidade grátis vazios, porque as pessoas desvalorizam. E estou a falar de espectáculos destinados aos mesmos públicos.

      • Pedro says:

        Rui, curiosamente, não se referiu a um possivel pagamento na entrada de bibliotecas. Suponho então que ache normal não se pagar para entrar em bibliotecas, e ache normal pagar-se para visitar pessoas em hospitais e prisões. Há aí uma inversão de valores qualquer. De qualquer forma, aceitar que se cobre por visitar doentes ou pessoas presas parece-me… Adiante. Estes meus prúridos trogloditas passam-me se abraçar em pleno o espirito liberal e politicamente incorrecto. Aceitam-se mais sugestões sobre cobrança no acesso a instalações do Estado.

        • Rui Silva says:

          Caro Pedro,
          As bibliotecas não foram nomeadas. Apenas por isso não me referi a elas. Mas uma vez que foram trazidas á colação posso dizer que seria lógico serem objecto de algum tipo de contribuição directa por parte de quem as usa. Não há aqui qualquer inversão de valores de minha parte.
          Queria ainda acrescentar que esta opinião não é pura “maldade”. Pois caso fosse praticado algum tipo de pagamento, implicaria que a necessidade de cobrança de impostos deveria descer, aliviando assim a carteira das pessoas.
          Já não concordo com a cobrança de taxas por serviços que não se usam.
          E já agora qual a sua opinião?
          Pense no caso da taxa da “ cópia privada”. Acha bem que seja cobrado a alguém um serviço que não usa ?

          cumps

          Rui Silva

          • Pedro says:

            Rui, se me diz que o que eu pagaria por um bilhete de entrada num hospital, seria depois deduzido no que pago de IRS, tudo bem. Talvez fosse é dificil para certas pessoas adiantar o dinheiro no momento da compra do bilhete. Já há quem tenha dificuldade em comprar o bilhete da camioneta da ir de Bragança ao Porto visitar um amigo ou familiar ao hospital.
            A minha opinião? Que há serviços, como visitas a hospitais e prisões, que não deveriam ser cobrados. Noutros serviços, já não me repugnaria. Tão simples quanto isto. Atrevo-me a sugerir-lhe que pense porquê.

          • Rui Silva says:

            Caro Pedro,
            Eu percebo a sua ideia, e já agora penso que essa forma de pensar não está errada em si mesmo. Ou como eu costumo dizer: A intenção é boa.
            Mas estas boas intensões chegam ao “Sistema” e logo são desvirtuadas. Você tem razão ao pensar que caso o pagador contribuísse com alguma parte do serviço utilizado, o seu IRS jamais refletiria essa situação. Os impostos só conhecem um sentido, o de subida naturalmente.
            O que eu defendo é que de algum modo a acção “governativa” tem de ser limitada pelos contribuintes, para que estes á conta das nossas boas intensões não sejamos ludibriados e “depenados” todos os dias. Uma das maneiras sub-reptícias que usam para nos sacarem cada vez mais impostos é fazer crer ás pessoas que elas usam os serviços gratuitamente, quando isso não corresponde á realidade.
            Uma das formas de ajudar as pessoas na situação que mencionou passa pela privatização. E isso não impede o estado de ajudar as pessoas mais carenciadas. Pense por exemplo no caso das cadeias. Se esse serviço fosse privatizado, as visitas achariam mais natural a cobrança de entrada. E o estado podia fornecer “vales/cupões/etc” ás pessoas mais carenciadas para que não pagassem. A cadeia por seu lado convertia os vales/senhas em dinheiro.
            O custo com as cadeias baixaria e os mais necessitados seria
            ajudados.

            cumps

            Rui Silva


    • Falando com alguém do meio afinal confirma-se que sim. Pagava-se. Retrato-me pois e dou o dito por não dito.


    • Se no público não se pagava, onde tratamentos, cama, mesa e nalguns casos pijama eram gratuitos seria nos privados onde o mais pequeno gesto ia para a factura? Humm

      • Pedro says:

        Sim, visitar os hospitais públicos era como visitar um parente rico num hotel (lembro-me bem do conforto que eram essas estâncias de luxo…). Os mais pobres ou remediados iam para os privados, porque não tinham outra opção.

  2. joao lopes says:

    ok,pagar para vêr detidos ou pagar para vêr doentes.fora o mais que evidente ridiculo dessa situação,é triste saber que esses pagamentos ou os nossos impostos vão todos para as PPP;s(um chocante escandalo) ou para pagar uma divida que não pàra de aumentar.sendo assim,o detido 44 não devia estar sozinho,devia estar acompanhado de outros canalhas do bloco central,que por aì andam…a assobiar para o lado

    • Rui Silva says:

      Caro João Lopes,
      Não podia estar mais d acordo consigo.
      Mas já reparou que para ganhar eleições no nosso país basta fazer promessas ao lóbis e corporações ?

      cumps

      Rui Silva


  3. PAGAR entrada em hospitais públicos para VISITAR doentes – nunca tal me aconteceu – S. José – IPO – e H. da LUZ – Hos+ital da Cruz Vermelha – Hospital EGAS MONIZ – nunca paguei para visitas mas sim para URGÊNCIAS de quem estava doente – não percebo a que hospitais se referem –

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