Coletes Amarelos: “porta-te bem, senão voto nos fascistas”

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No reino da grande fogueira virtual, uma velha ameaça paira no ar. Fartos de tanta corrupção e compadrio, fartos da impunidade e do descaramento, os zés e as marias entrincheiraram-se nas redes sociais, onde descobriram outros zés e outras marias que partilham a sua indignação. E todos os dias, sem excepção, uma massa indignada de zés e marias cresce, alimentando-se de likes, partilhas e retweets, e torna-se audível demais para ser ignorada, ainda que desorganizada demais para se emancipar do abstracto.

Inevitavelmente, o inorgânico é capturado pela primeira força organizada que consiga infiltrar-se. Fundamentalistas religiosos, extremistas políticos, um maluco qualquer. E pode resultar em encenações primaveris, na eleição de um Bolsonaro ou noutra maluqueira qualquer. O mais comum é dar merda, e na maior parte dos casos dá, mas tal não retira legitimidade às reivindicações que se fazem ouvir. [Read more…]

Quem são os Coletes Amarelos em Portugal

No que respeita movimentações colectivas, sendo importante conhecer quais são os objectivos declarados, perceber quem as está a promover pode ajudar a avaliar a autenticidade das posições defendidas. Uma forma de o fazer consiste em procurar saber quem tem sido os promotores dos protestos dos Coletes Amarelos Portugal e que dimensão têm estes movimentos. [Read more…]

“Outras questões”

Como é que nunca ninguém se tinha lembrado disto?

Coletes amarelos: o povo saiu à rua

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A batalha de Paris, que ontem levou a cena o seu quinto acto, não é uma versão moderna da tomada da Bastilha. É a entrada em cena, no núcleo duro da velha Europa ocidental, de uma forma muito particular de terrorismo, que há meses se manifesta ideologicamente em blogues e redes sociais, onde se formou um pequeno exército de indignados que, a meu ver inadvertidamente, serviu de cobertura para que um grupo de profissionais do distúrbio pusessem em marcha uma agenda de destabilização, focada no objectivo final de abater a Democracia como a conhecemos. E de colocar Marine Le Pen no poder.

Mas esse pequeno exército, que nem é tão pequeno como parece, nem se resume aos revolucionários gauleses que tomaram as ruas da capital e das grandes cidades francesas, é muito mais do que um grupo de delinquentes que professa ideologias extremistas. É a manifestação de um povo, cada vez mais consciente da sua condição de financiador das mais fabulosas fortunas do planeta, que assiste, indignado, à galopante precarização das suas condições de vida, perante a indiferença e escárnio da elite que os comanda. [Read more…]