Conversa com a ARTE

(adão cruz)

Talvez tenhas dado por mim mas não quiseste mostrar. Ajoelhei meus passos no teu caminho e tu não viste. Sempre tiveste duas pedras brancas nos olhos e cego é o meu coração.

De mármore era o meu  rosto naquela manhã, sempre foi de mármore o teu rosto em todas as manhãs! Parte-me o peito a amargura, sempre que toda tu és apenas figura, retórica figura! [Read more…]

Queixume

Haverá conversa mais desoladora do que aquela em que alguém a quem muito estimamos, mas com quem a relação é pautada ainda por um cortês distanciamento, nos pergunta, em tom distraído, o mesmo que nos havia perguntado dias antes e a que havíamos respondido com ingénuo entusiasmo?

“Ah, sim, já me tinha dito”, responderá, por fim, quando lhe repetimos, sem conseguir disfarçar o desencanto, os factos que havíamos já descrito. E mordendo o canto do lábio, como fazem as crianças que já têm vergonha de amuar, nos afastaremos com grande dignidade e o coração ressentido. [Read more…]

O Mário Crespo não tem razão

Depois de tudo visto e ponderado Mário Crespo não tem razão.

Qualquer pessoa, incluindo o primeiro ministro tem o direito de almoçar em paz e se dirigir a um amigo ou conhecido e dizer-lhe que há uns quantos gajos que são um problema. O que no caso do Mário Crespo, em relação a Sócrates, até é verdade!

Mário Crespo, não pode, pelo facto de ser jornalista,  ter privilégios e utilizar uma coluna num jornal para se queixar que o primeiro ministro se referiu a ele como um problema. Se Mário Crespo acredita no que alguem lhe disse sobre o comportamento de Sócrates, só tem que tratar do assunto pessoalmente, ou tomar as medidas necessárias para se defender. Por exemplo, tratar do assunto nos tribunais!

Quando a conversa de Sousa Franco foi transcrita num “pasquim” onde escrevia uma determinada jornalista, que almoçava no PABE, muitos confrontaram-se com o facto de um jornalista poder utilizar o que ouve, sem contraditório, sem saber o enquadramento da conversa, sem saber se se trata ou não de uma bravata, ou se é uma conversa privada, o que é mais que suficiente num estado de Direito!

Ou os jornalistas são bufos? Ouvem, recebem umas encomendas e transformam tudo em notícia, isto é, publicam ? Acusam porque alguem ouviu dizer, ou porque alguem lhes deu um papel roubado, ou porque alguem achou um papel ou tropeçou num telefonema, ou num fax como o caso do Público, via DN?

A dignidade, a reserva, a privacidade já não contam face  à ganância do sensacionalismo a qualquer preço?

Aonde nos levará isto ? Há poucas coisas tão parecidas com o fascismo como a “bufaria” a qualquer preço, onde vale tudo. Lembram-se quando Portas, estava no gabinete de Tomaz Taveira a fazer-lhe uma entrevista e ouviu um telefonema com Miguel Cadilhe, então ministro das finanças, e publicou o telefonema privado no jornal sem pedir autorização aos próprios?

Tenho que começar a ter cuidado com o que digo aos meus amigos? Tenho que baixar a voz nos restaurantes? Não posso dizer mal de Sócrates em público? Tenho que voltar a olhar em volta antes de emitir uma opinião?

Antes eram os agentes da PIDE agora são os jornalistas?