Alice

A Alice atrai histórias destas. Tem uma dessas caras que inspiram confiança e fazem com que cada solitário que se cruza com ela se sinta à vontade para contar-lhe a sua história.

A Alice escuta e dá respostas ríspidas, não tem paciência para autocomiserações.

– Não tem mãe? E não acha que já não tem idade para não depender dela? A sua mulher deixou-o? Recomece, ainda é muito novo. O seu patrão explora-o? Tome lá os anúncios do jornal, procure.

No supermercado, no quiosque, no café, no autocarro, por onde passa aparece-lhe gente que mete conversa, que lhe pede dinheiro ou o pequeno-almoço, que lhe conta a vida, que espera conselhos. Até tarados lhe aparecem, dos que abrem a gabardine à sua passagem para que ela os veja sem cuecas. Ela manda-os passear e segue o seu caminho, sempre carregada de sacos e saquinhos, a hortaliça, as abóboras, a fruta, o jornal para o marido, o croissant para o neto.

Há dias, era ainda bem cedo pela manhã, lá ia ela, como sempre, tomar a meia-de-leite ao café, o único luxo que se tem permitido em sessenta anos de vida. Estava quase a chegar quando ele lhe apareceu.  [Read more…]

Querido pai – para falar (em três tempos),das atrocidades da guerra e a ditadura

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Parte do livro que preparo em castelhano chileno e que me afastará de vós por longo tempo: Memórias de un extranjero extravagante

[crescimento]

Fizeste-me. Embora ninguém o queira dizer. Dizem por ai ser a mãe que faz filhos.

 

Mas, eu sei, todos sabemos que me fizeste. Sem esperma o óvulo é um ninho vazio. Como os pais que defendem a Pátria, dos ricos que vos esfomeiam. Tu nos defendes deles, n estes tempos de guerra de classe social internacional. Confio e ti, nas tuas forças para abater os que nos atacam e nos tiram o trabalho, os estudos, a fortaleza para os confrontar, que nos vendem ou nos envia ao estrangeiro para encontrar estudos e emprego. [Read more…]

Uma parte da vida a 140 caracteres

Existe desde há cerca de quatro anos, mas foi num período de cerca de ano e meio (ainda assim uma eternidade no mundo da internet) que o Twitter ganhou pujança. Beneficiando de uma projecção mediática extraordinária, de umas eleições presidenciais nos EUA onde acabou por ser protagonista, o site de microbloging garantiu um lugar ao sol.

 

Pelo menos durante mais algum tempo. É verdade que o futuro é ainda incerto. O projecto ainda não encontrou um modelo de negócio que lhe permita obter rendimentos visíveis e o Twitter não é um YouTube que, debaixo da alçada da Google, pode ainda continuar a perder dinheiro.

 

Ferramenta de comunicação em 140 caracteres de cada vez, o Twitter tem milhões de utilizadores regulares em todo o mundo. Muitos dos que se inscreveram pouco ou nada utilizam o programa. Muitos por não verem relevância na coisa, outros por não lhe encontrarem utilidade. Há quem tenha dezenas ou centenas de seguidores. Há quem tenha milhares ou mais de um milhão, como a CNN ou o actor Ashton Kutscher, que fizeram uma “corrida” para ver quem chegava primeiro à marca de um milhão de “fallowers”. O marido de Demi Moore ganhou.

 

Certo é que, como todas as acções no mundo da Internet (e não só), é preciso ter algum cuidado com o que se diz. Vejamos o que um diálogo de 140 caracteres pode provocar… (vídeo em inglês)