André Ventura apoia violadores

“Agressões com socos, chapadas e coronhadas” 

“Vítimas humilhadas e filmadas; as gravações foram posteriormente divulgadas num grupo de whatsapp com setenta polícias”

“Um cidadão marroquino foi alegadamente sodomizado com um bastão; os agentes tentaram depois inserir um cabo de vassoura no anûs do cidadão imigrante” 

“Pessoas detidas sem acusação, algemadas no carro da PSP e obrigadas a cantar os ‘Parabéns’”

”Uma cidadã afrodescendente foi algemada como se estivesse num crucifixo” 

“Cidadão imigrante alvo de insultos foi obrigado a colocar-se de joelhos e a beijar as botas de agentes da PSP”

Continua…

jornal Público

André Ventura defende, apoia e exige mais violadores. Sobretudo, nas forças de segurança. É fácil: é o mais próximo dos métodos da PIDE-DGS que encontrou nos últimos tempos.

Chega acusa ministro Luís Neves de “fazer gala” de ações contra polícias e marca debate sobre forças de segurança

Sabemos, agora, que o líder a extrema-direita portuguesa tem um plano para os violadores portugueses: colocá-los na PSP e na GNR a violar imigrantes, sem-abrigo e mulheres. Finalmente um proposta concreta da extrema-direita.

A quem se achar surpreendido, nada temam, os sinais estavam à vista: André Ventura é da Opus Dei e fundou um partido destinado a pedófilos e violadores.

A todos os profissionais da PSP, especialmente ao Director Nacional, pede-se que se demarquem desta posição escabrosa dos proto-fascistas portugueses, a bem da instituição que, como é público, vai degradando a sua imagem, à custa de toda a merda que recrutou, na última década e meia.

Porto: E quando volta o presidente?

Foto Fernando Veludo / Lusa

Quando foi criada a lei de limitação de mandatos para os Presidentes de Câmara fiquei dividido. Por um lado compreendia a necessidade mas, pelo outro lado, temi pelos últimos mandatos e o efeito “ser não o sendo“. Este efeito pode ter múltiplas consequências. Uma delas é um certo desprendimento às responsabilidades para as quais se foi eleito, utilizando uma linguagem cuidada. Na minha terra, o Porto, existe uma expressão que define este estado de alma noutro género linguístico: o “que se foda“.

Uns dias antes de regressar ao Porto tinha lido um pequeno texto do Professor Rui Albuquerque na sua página de facebook sobre os sem abrigo na cidade. Citando:

“Porto, Rua do Campo Alegre, princípio de manhã de uma quinta-feira chuvosa. Quem desce, à direita, debaixo das arcadas de um prédio de habitação, oito miseráveis dormiam no chão, muitos, ou todos, provavelmente ainda a ressacar. Urina, lixo, detritos por todos os lados. Trezentos metros mais abaixo, à esquerda, no Fluvial, encostadas ao muro de uma escarpa relvada que ladeia prédios de habitação, mais de dez barracas onde habitam outros miseráveis e toxicodependentes. Em volta, urina, detritos, lixo. Meia hora mais tarde, chegado à Praça da Batalha, ladeio o Teatro Nacional de S. João. Nos nichos do prédio habitam agora inúmeros miseráveis, alguns, provavelmente todos, toxicodependentes. Montam tendas nas reentrâncias do edifício, onde outrora se viam portas da fachada lateral. No passeio, urina, detritos, lixo abundante”. Rui  Albuquerque, Novembro de 2022.

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Indigentes mentais

Fotografia: Leonel de Castro/Global Images

Com o frio que se faz sentir já há vários dias, a maioria dos municípios, sobretudo os do Norte do país, decidiram activar o plano de contingência.

A excepção? O Porto dos marialvas do Porto, o Nosso Movimento. Estes monárquico-liberais de cabelo à foda-se, de cuzinho “alapado” nas suas casas da Foz, sempre tão lestos a cumprir as ordens quando é necessário entrar Pasteleira adentro para criminalizar a pobreza ou a sugerir o retrocesso na lei da descriminalização do consumo de droga, escondem-se quando os portuenses realmente precisam de amparo, especialmente se esses portuenses não pertencerem aos saraus nobres como pertencem os caga-tacos imperiais que mandam no Porto.

As temperaturas têm chegado aos zero graus. Repito: zero graus.

Ao senhor presidente da Câmara Municipal do Porto, o famigerado Selminho, deixo a nota: o Porto não é só prémios para inglês ver. Pode ficar muito bonito no seu mural esse ar de british da Foz armado ao pingarelho, mas fica-lhe muito feia essa indiferença por quem sofre (que só destapa o véu que mostra a vossa indigência mental).

O drama dos sem abrigos deve chocar todos, JN.

Existem peças jornalísticas que são autêntico serviço público e esta, do Jornal de Notícias é uma delas. Porém, o título é todo um programa.

E qual é o título? É este: “O drama dos sem-abrigo nas ruas do Porto está a chocar os turistas”. A chocar os turistas? Porquê, não nos choca a todos? Não choca os responsáveis pela gestão da cidade? Não choca os poderes públicos? Ou só interessa que não choque os turistas? Eu quero acreditar, mais, eu acredito que o jornalista Alfredo Teixeira cometeu um erro no título mas isso não invalida da importância do seu trabalho como uma forma de chamar a atenção dos poderes locais para este problema social grave.

A câmara diz que o número de pessoas que vivem na rua não aumentou. Não? Então não percebo. É preciso recuar muitos anos para me lembrar de ver a cidade com tantos sem abrigo. Muitos anos. É preciso recuar aos tempos em que um vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, de seu nome Paulo Morais, tomou em mãos o problema e, aí sim, diminuiu drasticamente o número de pessoas a dormir nas ruas da cidade do Porto. Ora, quando no passado mês de dezembro (e janeiro) estive na cidade fiquei chocado com a quantidade de sem abrigo espalhados pela cidade. Não só na Baixa como na Boavista e na Foz, só para citar três exemplos. E isso deve chocar todos. E deve ser resolvido não porque incomode os turistas mas porque nos incomoda a todos como seres humanos. A mim incomoda-me que só seja um problema porque “choca os turistas”. A mim incomoda-me que a cidade, nomeadamente os poderes públicos da mesma, não tomem medidas para resolver este problema, a exemplo do que no passado foi feito. Olhem, falem com o Paulo Morais ou com alguém que tenha pertencido à sua equipa. Quem sabe se desviarem umas verbas do marketing e comunicação do município e o aplicarem na resolução deste flagelo. Quem sabe se a câmara com a ajuda da Misericórdia possam investir na resolução deste problema social e dou o exemplo da misericórdia pois vejo que a esta não lhe tem faltado dinheiro para a recuperação do seu património, para investir na comunicação e promoção (nomeadamente dos seus dirigentes)…

É uma questão de prioridades. É uma questão de humanidade.

 

(a fotografia é do JN)

Chinelos

À hora a que chegam os primeiros funcionários das lojas, e a rua desperta com o cacarejar metálico das grades corridas com a resignação brusca das segundas-feiras, o homem ainda dorme um sono profundo. A sua cama é ampla, ocupa quase metade de um passeio largo, e, pese a precariedade da instalação, está bem cuidada. Cartões grossos no fundo, dois cobertores finos por cima, um cobertor mais grosso e um edredão amarelo no topo.

O homem dorme, o rosto voltado para a rua, para quem passa. A seu lado, há um balde com duas garrafas de água e uns chinelos de quarto, muito finos, quase de papel, daqueles que os hospitais e hotéis por vezes oferecem. Os chinelos são de um branco impecável. E é a presença dos chinelos ao lado da cama, no chão, tal como a cama, que nos fazem sentir embaraçados por estar ali, como se tivéssemos entrado inadvertidamente em casa do vizinho – uma porta mal fechada, pensávamos estar no segundo e afinal estávamos no terceiro andar, uma distracção, enfim, e agora estamos aqui, frente à cama deste desconhecido que dorme de gorro na cabeça, alheio à nossa invasão. [Read more…]

Zeus

Às vezes encontrava-o no restaurante, ele vendia a «Cais» e quase ninguém a comprava, mas o pior nem era isso, era o ar de nojo com que lhe diziam que não, não fosse a sua presença ao lado da mesa contaminar a batata assada e a costela mendinha, diziam-lhe que não com um gesto enfastiado da mão mas não olhavam para ele, e ele agradecia e afastava-se devagar, com aquele corpo lento e cerimonioso, mas havia uma tensão nos seus lábios, rápida, logo afastada, que denunciava uma violência que ele tinha de conter a cada instante, uma luta nunca vencida.

Depois deixou de ter a «Cais», não sei que aconteceu, porque apareceu com uma revista gratuita, uma publicação dos lojistas de uma rua qualquer, e eu disse que não precisava da revista, que o ajudava na mesma, mas foi um gesto indigno, o meu, e arrependi-me logo porque ele insistiu em dar-me a revista. Aceitei-a, ele agradeceu de novo com aquela vénia solene que eu já lhe conhecia, mas desta vez demorou mais tempo a erguer a cabeça, vi-o sonolento, pesado, ferido e percebi que o grande deus caído em desgraça estava cansado da sua penitência. [Read more…]

Mário

© Patrick Breen

Adélia Pires

O Mário é o que muitos considerariam uma personagem.
Surge de manhã muito cedo a deambular pela rua num passo bêbado a que os tiques da medicação combinada com o álcool o condenaram. Senta-se na esplanada do café em frente ao meu trabalho, bebe um café e interpela os que vão entrando para despacharem o vício da cafeína. Geralmente pede-lhes tabaco, ou uma moeda.
Conheço o Mário há muitos anos. Se o encontro de manhã ofereço-lhe um café por conta da moeda que me pede e graças a isso fui brindada com muitas conversas de cariz dadaísta nas madrugadas pré-laborais. Por vezes pergunto-lhe se quer comer alguma coisa, mas a resposta é sempre a mesma. Que não, que já comeu, que a mãe cozinha, mal, mas cozinha e que faz comidas pesadas que lhe atrapalham os vôos funambulares matinais.  [Read more…]

A ordem obtusa das coisas

Foto: Rui Manuel Fonseca

Foto: Rui Manuel Fonseca

A Infraestruturas de Portugal (IP) não dava que falar desde a sua festa de apresentação, em 2015, quando gastou 130 mil euros em leitão, espetadas de fruta e nos serviços de um humorista que os funcionários presentes classificaram como tendo “roçado o ordinário”. Cortesia do contribuinte, naturalmente.

Volta a dar que falar este mês ao tornar pública a intenção de despejar o sem-abrigo que vive debaixo de uma ponte, na freguesia de Geraz do Lima, em Viana do Castelo. João Dias, 47 anos, operário da construção civil desempregado, viúvo, construiu uma barraca com estacas de madeira cobertas com plásticos pretos. É lá que dorme, guardado pelos cães, Nico e Pintinhas. A casa afunda-se no lamaçal e a água já lhe teria entrado na cama improvisada se não fosse o auxílio de Luís Lima, de 75 anos, habitante de Geraz, que foi ajudá-lo a levantar a cama. Esta semana apareceu a GNR para identificar João Dias e notificá-lo da ordem de despejo. A IP quer que o sem-abrigo saia. Para onde, não é um problema seu, claro. [Read more…]

Afonso

Já me tinha cruzado com ele numa destas noites, a cidade ainda celebrava e uma figura sonâmbula deambulava pelas ruas. Tapava-se com um cobertor como se fosse um manto, caminhava com passos incertos sob o seu cobertor verde na noite fria. Vi-lhe o rosto de relance e não percebi que fosse tão novo, 17 anos de fugas e solidão.  O Jornal de Notícias conta hoje a história do Afonso, o miúdo cigano a crescer sozinho nas ruas, entregue à bondade dos estranhos, à indiferença da maioria, ao descaso das autoridades, à crueldade de quem acha graça a vê-lo alcoolizado. [Read more…]

É que está um calor que nem se pode

Câmara de Lisboa desativou plano de contingência para sem-abrigo devido a frio

O príncipe da Carpátia

Podemos ter regressado à caridadezinha, se é que alguma vez saímos dela, e exigir aos pobrezinhos que sejam humildes e agradecidos, e não aspirem ao bife mas tão só às papas de cereais marca branca do supermercado, mas ainda há, rejubilemos, gente como o príncipe da Carpátia.

Contaram-me que quando ele chegou à enfermaria, era apenas “o sem-abrigo”, sem documentos nem vontade de falar. Vinha sujo, sujíssimo, a pele já muito morena ainda mais enegrecida pela vida nas ruas. Saltavam-lhe piolhos dos cabelos e pulgas do casacão gigantesco. Assim pequenino, perdido dentro do casacão, deveria parecer alguém a quem uma poção mágica tivesse feito encolher. Mas bastou que lhe servissem a primeira refeição quente para que começasse a revelar ao pequeno mundo hospitalar o seu carácter. [Read more…]

A economia dispensa a história

Já dizia o pequeno comentador do economiquês nacional que os professores de história em nada contribuem para o crescimento e o certo é que vamos confirmando que, nesta nova Europa utilitarista, as humanidades são entretenimento para inúteis. Os resultados nem estão a demorar muito a aparecer. Desmemoriada e cega pelos números, a Europa condena-se a repetir os seus horrores.

Leia-se esta reportagem de Maria João Guimarães, em Marselha, acerca do clima de rejeição aos estrangeiros, sobretudo em zonas multiculturais, e de como os partidos nacionalistas estão a capitalizar o descontentamento face à situação económica e a desconfiança em relação à diferença. Quem tem memória de um passado não tão longínquo, como o reformado Auguste Olive com quem a repórter falou, não pode evitar as comparações: [Read more…]

é uma casa inglesa, com certeza…

tenda nos arbustos do separador da circular interna em Wolverhampton 2

… é com certeza uma casa inglesa!

Paredes de nylon azul,
um jardim de relva cortada
uma porta virada a sul
e mesmo à borda da estrada!

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Alice

A Alice atrai histórias destas. Tem uma dessas caras que inspiram confiança e fazem com que cada solitário que se cruza com ela se sinta à vontade para contar-lhe a sua história.

A Alice escuta e dá respostas ríspidas, não tem paciência para autocomiserações.

– Não tem mãe? E não acha que já não tem idade para não depender dela? A sua mulher deixou-o? Recomece, ainda é muito novo. O seu patrão explora-o? Tome lá os anúncios do jornal, procure.

No supermercado, no quiosque, no café, no autocarro, por onde passa aparece-lhe gente que mete conversa, que lhe pede dinheiro ou o pequeno-almoço, que lhe conta a vida, que espera conselhos. Até tarados lhe aparecem, dos que abrem a gabardine à sua passagem para que ela os veja sem cuecas. Ela manda-os passear e segue o seu caminho, sempre carregada de sacos e saquinhos, a hortaliça, as abóboras, a fruta, o jornal para o marido, o croissant para o neto.

Há dias, era ainda bem cedo pela manhã, lá ia ela, como sempre, tomar a meia-de-leite ao café, o único luxo que se tem permitido em sessenta anos de vida. Estava quase a chegar quando ele lhe apareceu.  [Read more…]

Apelo: um Programa ‘Prós e Contras’ dedicado aos ‘sem-abrigo’!

Helena Roseta é das mulheres mais generosas e activas da política portuguesa; infatigável nas funções e tarefas a que se dedica. Sem subserviência a aparelhos partidários, teimou em trilhar o caminho da independência. Com os apoios e admiração colhidos no movimento ‘Cidadãos por Lisboa’, foi eleita vereadora da Câmara Municipal da capital.

O cargo não é fácil, pelo âmbito do pelouro – Desenvolvimento Social – e pelas vidas infelizes com que se confronta; por força da crise e das políticas de austeridade, autênticas obsessões do alucinado e errático Gaspar – ter um PM sem preparação facilita a vida de incompetentes atrevidos, e desonestos intelectualmente. Não acerta uma!

No cenário de sofrimento social de rua na capital, diz a arquitecta Roseta, estima-se atingir cerca de 2.000 pessoas ‘sem-abrigo’. O desemprego, a penúria económica onde se inclui a pobreza envergonhada constituem traços transversais da população de indigentes lisboetas. O número não é certo e Roseta lembra que, em 2012, se calculava entre 700 e 800 o número dos ‘sem-abrigo’ a dormir nas ruas da capital. Roseta levanta várias hipóteses para aliviar sofrimentos dos atingidos, a nível da criação de estruturas.

Percorro o País, como muitos e em particular os governantes. Sei que não se trata de um problema apenas lisboeta. Sucede no Porto, em Coimbra, em Setúbal, em Faro e, em algumas vilas e cidades do interior, onde há anos seria inimaginável chegar a este fenómeno de progressão geométrica da pobreza em desfile pela rua, nas 24 h do dia, de forma tão evidente e pungente.

Os números da indigência, já incluem muitas crianças famintas e não cessarão de dilatar, sob as altas temperaturas das políticas neoliberais do actual governo, incentivadas pela Europa do Centro e Norte com o desprezo pela sensibilidade social – lembre-se a divisa de Pedro Passos Coelho: “temos de empobrecer, custe o que custar”. Foi-lhe sugerido por Gaspar e pelo garoto, filho de comunista, Moedas, um ex-Goldman Sachs. O interesse é salvar bancos e o capital. [Read more…]

Quanto tempo vai durar a conta de Fernando Ulrich no Facebook?

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Aceitam-se apostas!

Ulrich TV

Sem-abrigo apresentam a meteorologia na televisão

Somos todos iguais, disse o banqueiro

Há algo de delirante em muito do que acontece hoje, naquilo que nos é apresentado como notícia, e nos actores dessas notícias, como se vivêssemos num estado perpetuamente febril e nesse estado ajuizássemos a normalidade do mundo.

Só num cenário de delírio, e de delírio colectivo, se poderia apresentar o responsável por uma empresa que acaba de auferir pouco mais de 249 milhões de euros de lucro (no mesmo ano em que apresentou um pedido de ajuda ao Estado de 1.5 mil milhões de euros) e afirmar o que afirmou: [Read more…]

Fechem as universidades

Um quinto dos sem abrigo gregos tem um título académico.

Pão de todos para todos

pão de todos
A CAIS, que há muitos anos é para mim um exemplo de solidariedade e à qual me orgulho agora de pertencer como voluntária no núcleo do Porto, organiza pela terceira vez no Porto a iniciativa Pão de Todos para Todos. Nunca antes participei em nenhuma destas iniciativas. Pretendo fazê-lo desta vez. Tenho, agora, mais motivos: mostrar às minhas filhas que se pode ajudar os outros sem roubar nada da sua dignidade e mostrar aos meus alunos e todo o pessoal da instituição o profundo respeito que tenho pelo trabalho de todos eles.
No Porto, durará entre os dias 6 e 9 deste mês. Sempre entre as 14 e as 20 horas. No Campo Mártires da Pátria, junto ao Jardim da Cordoaria.
Em Lisboa, a 9ª edição decorre uma semana mais tarde, entre 13 e 16 de Dezembro, seguindo o mesmo horário, na Praça Martim Moniz.
Em ambas as cidades haverá uma padaria a fabricar pão, animação de rua com alguns nomes conhecidos, distribuição de pão e certamente muito para reflectirmos.
Convido todos a vir partilhar um pãozinho. E se me virem por lá, façam o favor de me cumprimentar. Ficarei feliz.

Pobres e Cultos

Estavam os três sentados numa das mesas, a mais afastada da entrada, e o único que tinha barba, pêra e bigode, razoavelmente cuidada, falava mais que os outros, como que dando uma aula. A espaços era interrompido com perguntas ou comentários. Falavam da dificuldade em arranjar emprego remunerado, que trabalho todos iam tendo de uma maneira ou de outra.

Distraí-me, a conversa dos outros não me diz respeito, e quando por acaso voltei a prestar atenção, já a conversa versava sobre política internacional. E o que ouvia era bem dito e com conhecimento de causa. Achei estranho já que os três indivíduos me tinham parecido, à primeira vista, “uns pobres coitados”, e comecei a prestar um pouco de atenção. Mais tarde ainda falaram de fotografia, melhor dito, um falou, e bem, e os outros ouviram, como seria de se esperar já que estavam num local que promovia exposições e mostras de fotografia, e acabaram a falar de música clássica e da sua mistura com a música ligeira. Algo parecido com o que aqui vos mostro.

Todos mostravam uma cultura acima da média e uma forma de falar cuidada, com o homem da barba a comandar e reger a conversa
Tudo aquilo era um pouco estranho para mim. A letra não condizia com a careta.
Aos poucos, com o evoluir do que fui ouvindo, fiquei a saber que eram três “sem abrigo”, todos na casa dos cinquenta anos, sendo um de Coimbra, e dois da área do Porto.
Quando reparei que tinha esmorecido a conversa, fui falar com eles.

Com alguma dificuldade lá me confidenciaram que um tinha uma licenciatura em gestão, outro tinha ficado pelo terceiro ano de medicina e o terceiro tinha o antigo sétimo ano do liceu e tinha estudado alguns anos de piano no conservatório. Todos a viver na rua, sem emprego, sem família, sem amigos. E no entanto, cultos e interessados pelas coisas da vida e do mundo.

E eu que julgava que “esta gente” mais não era que um bando de desgraçados, bebedolas, que se tinham entregado às dificuldades da vida, desistindo de viver.
Como a gente se engana!