O candidato de Fação

Marcelo Nóvoa

Segundo o Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa ter-se-á dirigido a António Sampaio da Nóvoa, durante o debate de ontem, nos seguintes termos: “O senhor é um candidato de fação”. Lembrei-me do episódio ocorrido há uns anos, com órgãos de comunicação social a insinuarem que João Semedo teria acusado Cavaco Silva de fazer um “discurso de fação”.

Como acontecera com Semedo, [faˈsɐ̃ũ̯] foi aquilo que Rebelo de Sousa efectivamente pronunciou e, por isso, teremos «não pode ser de facção» (4:41) e «de uma facção contra outra facção» (18:14), em vez de «não pode ser de fação [?]» ou «de uma fação [?] contra outra fação [?]». Aliás, para se perceber aquilo que aconteceu, basta consultar jornais de referência:

Ele alinha com uma parte do país contra a outra parte do País. O Presidente não pode ser de facção.

Durante o debate, não ouvi aquilo que o Expresso diz que Rebelo de Sousa disse: «O senhor é um candidato de fação [?]». Talvez nos bastidores, mas não me chegou qualquer registo dessa ocorrência: por isso, para já, ficamos sem saber se Rebelo de Sousa insinuou que Sampaio da Nóvoa era um candidato de Fação. Como sabemos, há quem seja acusado de contra Fação. Exactamente: contra Fação.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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O presidente da República e o discurso de Fação

Li, nalguma imprensa, que João Semedo teria acusado o presidente da República de fazer um “discurso de fação”, aludindo ao discurso de Cavaco Silva na 39.ª Sessão Comemorativa do 25 de Abril. Achei curioso e fui verificar, uma vez que não conheço discursos característicos de Fação. Havendo discursos característicos de Fação, a letra inicial deveria ser, como acabamos de ver, maiúscula. Afinal (valha-nos a rádio), João Semedo disse que “não há consenso, quando o presidente da República faz discursos de facção”. De facção! Exactamente: [faˈsɐ̃ũ̯] e não [fɐˈsɐ̃ũ̯]. A diferença é gritante, como bem sabemos. Felizmente, a imprensa de referência em ortografia portuguesa europeia não engana. Curiosamente, no Correio da Manhã, o texto sobre o “discurso de Fação” aparece em ortografia portuguesa europeia (ruptura, facção, Março, director…). Haja  esperança.

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