A situação de desemprego é a mais delicada em termos pessoais, porque é uma espécie de buraco negro da esperança que transporta para o campo da impotência a mais fortes das personalidades.
Se há quem pense que escrevo muito, sou ainda pior a botar faladura.
Quase nunca sinto a ausência de palavras, mas a presença junto da fila do Centro de Emprego de Gaia tirou-me algo que tinha como certo – é mesmo possível ficar sem palavras.
O que se diz quando alguém te diz que vai emigrar porque não aguenta mais isto?
Apetece-me GRITAR a todos os desempregados, estou aqui, quero ajudar, digam-me como!
Sigo para a Escola, olha à minha volta e vejo menos gente. Vejo os amigos de sempre, mas falta aquela gente nova, que trazia os corpos de verão, os sorrisos mais felizes do mundo, aqueles que transportavam a alegria de ter TRABALHO. Era só isso: tinham trabalho! A sua dignidade existia porque teriam dinheiro para dar de comer aos filhos.
Sento-me para a reunião. Temos mais 51 alunos na escola!
Temos menos 31 professores!
Ora nem mais! É o milagre da multiplicação dos pães: temos mais alunos e menos professores!
Para si, caro leitor, é mesmo assim: na minha escola há menos professores para mais alunos, isto é, e trocando por miúdos, há menos professores para os seus filhos: o seu filho, este ano, vai ter menos apoio na escola.
Vamos ter uma PIOR escola pública!









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