Matemática – o exame do 9º ano (código 92)

Hoje foi a vez do exame de matemática do 9º ano (código 92). Também já estão disponíveis os critérios de correção.

Um olhar rápido pela prova permite-me pensar que se tratou de um exame complicado. Uma escola com alunos de elite teve uma parte muito significativa dos alunos a sair da sala apenas ao fim dos 120 minutos, isto é, além dos 90 do “jogo” precisaram de usar os 30 do “prolongamento”.

Se a catástrofe dos testes intermédios e da prova de aferição do 4º ano se repetirem, então parece-me que vamos ter surpresas desagradáveis nos resultados.

O saber das crianças. Ensaio de antropologia da educação.

Crianças

.Crianças estudam baixo as árvores de Kongolote.

Kongolothe é um bairro da cidade e município moçambicano de Matola

Fonte: Monitoria e Avaliação da Estratégia de Redução da Pobreza (PARPA) de Moçambique 2006-2008, fotografado em 26 de Agosto de 2009

 O SABER DAS CRIANÇAS. ENSAIO DE ANTROPOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Texto baseado na minha investigação, na obra de Boris Cyrulnik [1]e outros atores. Dados retirados de trabalho de campo ou etnografia, do convívio com as pessoas, para os subsumir depois a teoria dos antropólogos ou etnologia, comparando factos com hipóteses a teoria Etologia Humana, como a entende Cyrulnik

Provocações – O Essencial é Saber Ver

Sem que desejasse ou procurasse, caiu-me uma provocação nas mãos. Como um bilhete do ‘metro’, onde estou a viajar. Sentado e pensativo, fui enrolando ambos na mão esquerda. O que é minúsculo e insignificante, no fundo, reduz-se a minudências materiais ou imateriais. Facilmente destrutíveis num enrolar de dedos.

No decurso da viagem, o pensamento vazou-me um poema de Pessoa, no heterónimo Alberto Caeiro; aqui declamado por Antônio Abujamra:

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As minhas memórias: Queira saber, senhor professor

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O profesor dos professores: Sócrates, ensina. Sócrates professor de professores, ensina, criando a dialéctica: eram debates de mestre e discípulos

Para a equipa do projeto da Página, liderada nesses tempos pelo sindicalista José Paulo Serraheiro: E agora, Senhor Professor? Um repto aos escritores da Página da Educação, que eu respondi assim: [Read more…]

Criança, totem e tabu. Ensaio de etnopsicologia da infância

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…para irmã Lúcia Aljustrel que nunca soube ler e escrever, exemplo do que não deve acontecer…Não sou homem de fé, mas em dia de defuntos, a etnopsicologia dee ser comentada na base de um totem

Há a necessidade da criança aprender como é a vida, material e cientificamente. É a maneira de ser um bom cidadão. Oh leitor! Não desmaie se ler mais uma vez esta minha teimosa ideia sobre o processo de aprendizagem das crianças.

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Senhores autarcas: é preciso saber educar

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…para Hérito Spencer, que colaborou na parte inormática, com suceso…

 Longe de mim a ideia de que os autarcas dos concelhos comecem a dar aulas. A ideia é bem mais simples. Saber educar significa escolher os docentes com paciência, que não ensinem pelos livros dos doutores e que saibam orientar os seus estudantes nos sítios certos onde acontecem os factos que os aprendizes de feiticeiros, isto é, de cidadania, saibam para se orientar dentro da vida que devem viver como adultos: [Read more…]

Falar, entender


As crianças, vêem, ouvem e calam, especialmente em dias como estes, em que tudo está a mudar e nós devemos seguir essas pegadas para ultrapassar a miséria.

A criança fala, mas não entende do mundo dos mais velhos, menos ainda de finanças, acordos partidários e convénios políticos e sindicais. [Read more…]

Os pais não contam comigo

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Conferência Proferida no Instituto Irene Lisboa, Coimbra.

Pequena nota introdutória.

Estamos a viver um momento de depressão económica, com crise política, encontros e desencontros entre poderes, bem como entramos em falência e foi preciso pedir dinheiro emprestado aos fundos criados para estes problemas, contra a vontade do PS e do seu líder, o Primeiro-ministro.

Entretanto, há um julgamento de professores por causa da sua avaliação, sem regra nenhuma.

Quem se lembra das crianças e dos seus objectivos, esquecidos pelo caos político, que nos abala. Tinha esta conferência guardada, lembrei-me e pensei que era adequado para o momento que vivemos e para o futuro da criança.

1. A criança.

Parece-me, como ponto de partida, ser bom definir o que é uma criança. Especialmente, porque a frase que intitula este texto foi proferida por uma criança. [Read more…]

a descontinuidade entre a oralidade e a escrita na aprendizagem

CPE Bach. Cello Concerto

A DESCONTINUIDADE ENTRE A ESCRITA E A ORALIDADE NA APRENDIZAGEM *

Raúl Iturra

1. O OBJECTO DO PROCESSO EDUCATIVO

a) O Problema

Dizia já Durkheim (1922) que educar envolvia uma geração de adultos que sabe, outra de jovens que aprende e um processo entre eles. É este processo que é problemático: os conteúdos e as formas em que acontece definem-se conforme conjunturas que dão os limites do que se ensina e como se ensina. As variadas formas de ensinar que acontecem de cultura para cultura., bem corno dentro de uma sociedade em épocas históricas diferentes, são urna prova da proposta anterior. Mas, talvez, o que é variável no processo educativo é o seu próprio objecto e o entendimento dele por parte de geração de adultos e da geração de jovens. Uma sociedade jamais é homogénea, embora o processo educativo tenha por objectivo homogeneizar em algumas delas; as sociedades, pode talvez dizer-se, pensam que numa altura da vida dos seus jovens podem pô-los todos no mesmo nível do saber, enquanto noutras especializam-nos segundo as funções que definem o sistema classificatório das pessoas. [Read more…]

ser escritor

para ser escitor a disciplina é a base do que se quer dizer em palavras

…para o meu amigo Carlos Loures… 

Parece-me que as pessoas pensam que ser escritor é a alegria da vida. Sentar-se numa cadeira ora com caneta e papel, ora com máquina de escrever ou, ainda, com um computador. Pode ser escritor quem viva da sua obra literária, ou escrevedor, quem escreve mal, verbo que roubo ao meu amigo e colega da Universidade de Cambridge, Jorge ou Mario Vargas Llosa.

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educar

para educar uma criança, é necessária a tribo inteira

Actividade que parece simples de pensar e usar e, no entanto, é a mais complexa das actividades que existem na interacção humana. Parece-me ser a transferência de saberes de uma a outra geração, gerações que não partilham a mesma cronologia pelo que em qualquer grupo social há os que ficam em casa, os que vão à escola ou universidade e os que vão trabalhar. Outra complexidade da acção educar, é que varia conforme as sociedades, as suas formas de comportamento ou culturas, conceito que defini, em 1974, como a orientação do comportamento conforme a lógica dessa cultura, ou seja, a religião. Não a prática da fé, mas sim a ética usada na relação entre as pessoas. [Read more…]

as culturas da cultura:infantil, adulto, erudito (III Parte)

em procura de habilitações

3ª Parte excerto um livro meu: O imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral, 1ª e 2ª edição, Fim de Século. Uso o texto de 2ª edição, 2007

A cultura dos doutores

Queira o leitor ter a paciência de entender que me refiro àqueles seres, distantes das aldeias, que pensam por e para a infância.

Não me refiro a eruditos locais, dos quais já falei antes. Vou referir – me ao conjunto de pessoas que se exprimem por meio de textos e domesticam o imaginário local da criança, quer dizer, do futuro adulto.

O adulto é, como temos visto, uma criatura de compromisso: aceita sem sentimento e emoção os deveres e responsabilidades que assume, vive no meio da reciprocidade e da solidariedade e não foge dos deveres sociais que estão, normalmente,

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nas dissertações, nós ou eu?

meditações sobrejúri de agregação de Ricardo Vieira, ISCTE, Março 2006

…para Ricardo Neve Vieira, o meu melhor discípulo….

Umberto Eco, no seu livro Como se Faz Uma Tese em Ciências Humanas? recomenda o uso do nós. Existem outros que exigem esta posição aos seus orientados e ainda outros que não se manifestam, sendo-lhes indiferente. Mas, contudo, quando a natureza dos estudos tiver uma componente etnográfica e porque o trabalho etnográfico vive do eu do investigador? (Silva, 2003, p. 71), e também porque todo o texto etnográfico deve sempre utilizar a primeira pessoa do singular? (Ball, cit. ibidem), parece-me que será mais indicado seguir este caminho. Como as características da abordagem qualitativa se confundem com as características do método etnográfico, sendo esta comparação acentuada na obra de Bogdan e Biklen (1994), de Caria (2002) e de Silva (2003), não fosse a referência à descrição profunda? (Bogdan e Biklen, 1994, p. 59) ou ao vocabulário diferente? (ibidem), onde acrescentam que actualmente os investigadores utilizam o termo etnografia quando se referem a qualquer tipo de estudo qualitativo, uma vez que ambos acentuam a vertente descritiva relativamente a conversas e pormenores com pessoas e locais, o uso do eu numa investigação predominantemente qualitativa (intensiva) tem todo o sentido. Outras das razões é a coerência descritiva, e evitar alguns contra-sensos sem qualquer lógica, como por exemplo afirmar que somos presidentes do conselho executivo na Escola. Parece-me também, que não se deve responsabilizar ou mesmo abusar do orientador, afirmando [Read more…]

PT/TVI – informalmente

Foi a esta conclusão a que chegou a Comissão Parlamentar para o negócio PT/TVI. Sabemos que o primeiro ministro sabia, mas não formalmente! Não, não é isso, o que a Comissão disse é que ela, Comissão, sabe informalmente que o primeiro ministro sabia, mas não é capaz de provar que ele, primeiro ministro, sabia formalmente!

Dito assim pode parecer confuso, mas isto é cristalino como a água. A Comissão, depois de tudo fazer para não saber formalmente (o seu presidente impediu que a Comissão soubesse formalmente, subtraindo documentos que o juiz do Baixo Vouga diz que sem esses documentos não é possível saber formalmente) vem agora dizer que sabe que o primeiro ministro sabia, mas não pode provar que mentiu ao declarar no Parlamento que não sabia.

Esforcem-se!

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