Aguarda-se o oportuno comentário de Schäuble e da respectiva delegação nacional Passos-Albuquerque

Segundo os relatos, as promessas à União Europeia de manter o défice abaixo dos 3% do PIB, tal como é exigido pelas instituições europeias, foi “uma mentira pura e simples, aceite por todas as partes”, afirmou Hollande citado no livro.image

Segundo os autores, este acordo foi estabelecido em 2012, ano em que Hollande foi eleito, e seria válido até 2017. Ou seja, abrangeu a presidência de Durão Barroso e de Jean-Claude Juncker. (P)

Europa, austeridade e compromissos? Tretas. Depois da regra dos 3%, uma invenção francesa para encher chouriços, eis que em causa não está um qualquer enchido, mas apenas chouriço de PIGS. E também se compreende a vantagem de ter um português, este português, num alto cargo. Mantendo o garrote apertado, assim se assegura a ordem natural das coisas, onde uns mandam e outros obedecem.

Um presidente mediocre

Rui Naldinho

Quando me falam das crises dos Partidos Socialistas e Sociais Democratas da Europa lembro-me sempre de uma entrevista recente dada pela politóloga e filósofa francesa, Chantal Mouffe, e cito apenas um pequeno excerto da entrevista:

Como sabe, hoje em dia, a classe operária vota maioritariamente na Marine Le Pen, e vota nela porque se sentiu completamente abandonada pelos socialistas. Os eleitores socialistas são a classe média e os imigrantes. Há um think tank, que se chama Terra Nova [próximo dos socialistas franceses], que afirma que a classe operária está perdida para os socialistas. É por isso que se concentram na classe média e nos imigrantes, que julgam que nunca votarão na Frente Nacional. Os governos socialistas ofereceram a classe operária a Marine Le Pen. Um problema fundamental é que a classe operária é também aqueles que são os perdedores do processo de globalização. E os socialistas interessam-se mais pela classe média, que ganhou com esse projecto. [Chantal Mouffe, em entrevista a Nuno Ramos Almeida, no i de 3/10/2016]

Discordo apenas da última afirmação de Chantal Mouffe. Para mim, uma boa parte da classe média também está a perder com a globalização. A única classe média que ainda se mantém à “tona da água”, corresponde a um sector intelectual ligado à ciência e às novas tecnologias, com profissões ainda bem remuneradas dada escassez no mercado europeu deste tipo de mão de obra qualificada, mas que a breve prazo se tende a massificar. Basta recordarmos que hoje a profissão de médico não tem emprego garantido, coisa que outrora não acontecia. [Read more…]

Promessa fácil

Há um ano e uns meses a França via François Holland ser eleito presidente. Questionava-me na altura se as promessas seriam para manter e a resposta aí está. A França prepara uma subida de impostos que renderá 4 a 6 mil milhões de euros.

Nessa altura, em França ganharam as promessas que fazem o imaginário reivindicativo da oposição em Portugal. O PS apresentou há dias umas quantas banalidades com as quais acha que virá a ganhar as eleições e, tal como Holland, chegar ao poder.

Hesitações por se prometer o que  se sabe que não se irá cumprir? Importa lá. Há que dar de comer à trupe que vive daquilo que o partido proporciona e a promessa é ainda mais fácil quando os incompetentes estão no governo. Bastam banalidades.