A véspera (rutilante) do futuro (ainda) adiado

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Ela era linda. Morena, como ainda convém hoje aos meus olhos, fiéis a esse tom de pele inultrapassável e absoluto. Tinha 17 anos; eu, 23. Partilhávamos ao jantar a mesma sala, as mesmas mesas (uma em frente da outra) e trocávamos olhares desde o primeiro dia em que entrei na Tubuci para uma das especialidades da sua cozinha. Eu estava fardado, ela vestia de negro. Quando a via de negro, deixando faiscar os seus incríveis olhos verdes num contraste de sonho, todo eu me derramava por dentro e deixava que a minha energia voasse pela sala ao seu encontro.

Decidimos namorar aí por finais de Fevereiro. Exacto, nos meus anos. Ia buscá-la ao liceu, ficávamos a semear beijos e a cultivar a ternura até quase à hora de jantar. Depois, chegavam os meus camaradas de mesa, ela ia deixar os livros ao quarto e descia.
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Tudo preparado para a Manif

É agora mesmo em frente ao Parlamento.

por Henrique Monteiro.

Ao sol

Eu estava a preparar-me para mais uma aula, mais uma hora de trabalho. Do vidro da sala de professores, reparo numa mulher sentada, muito quieta: cabeça voltada para cima, olhos fechados, mãos entre as pernas, corpo firme, costas direitas. Todo o seu corpo parecia querer alimentar-se do sol, de calor e de luz. E outra coisa: muito séria «agora não me incomodem!». No que estaria a pensar?

Bonito de se ver! Imagens «surrealistas» pontuam os nossos dias que pensamos serem monótonos e iguais uns aos outros.

Como aquela outra mulher que, vi hoje, atirava pepitas para o passeio… Afastou-se e, no passeio,  aguardou a chegada do animal.

Mais imagens se esperam… sabe bem!