
Imagem de Iara Sobral.
Portugal vendeu os anéis. Eventualmente, vendeu os dedos. Hoje, dá o cu. Não se queixem, meus iluminados. Sejamos soberanos, pelo menos uma vez.
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.

Imagem de Iara Sobral.
Portugal vendeu os anéis. Eventualmente, vendeu os dedos. Hoje, dá o cu. Não se queixem, meus iluminados. Sejamos soberanos, pelo menos uma vez.
No dia 15, os marinheiros de Amesterdão poderão aprender outra canção.
Eu estava a preparar-me para mais uma aula, mais uma hora de trabalho. Do vidro da sala de professores, reparo numa mulher sentada, muito quieta: cabeça voltada para cima, olhos fechados, mãos entre as pernas, corpo firme, costas direitas. Todo o seu corpo parecia querer alimentar-se do sol, de calor e de luz. E outra coisa: muito séria «agora não me incomodem!». No que estaria a pensar?
Bonito de se ver! Imagens «surrealistas» pontuam os nossos dias que pensamos serem monótonos e iguais uns aos outros.
Como aquela outra mulher que, vi hoje, atirava pepitas para o passeio… Afastou-se e, no passeio, aguardou a chegada do animal.
Mais imagens se esperam… sabe bem!
Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.
É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.
Tu és melhor – muito melhor!
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.
Mário Cesariny, in “O Virgem Negra”
Mãe a palavra universal a palavra mais consensual da humanidade
Nem Deus… Deus é de uns e não de outros Deus é conceito de muitos e negação de outros tantos
A mãe não a mãe é de todos sem excepção
A mãe é de todos e é só nossa a mãe é do crente e do ateu a mãe é do pobre e do rico do sábio e do ignorante [Read more…]
Há uma criatura na minha rua, não sei se um homem se uma mulher que, todas as noites, ou quase todas as noites, deixa uma vela acesa na varanda envidraçada. Não sei desde quando o faz…
E eu, todas as noites, ou quase, pergunto-me «por quê ou por quem o faz»?
(Poemas de mãos dadas)
Já fui poeta da luz quando a palavra alumiava o infinito e o sol nascia dentro de mim.
Quando a vida alumiava o infinito eu nasci na erva e dormi no feno e acordei com melros e rouxinóis e saltitei com os pardais.
Quando me vesti de sol e me despi de luar e estreei o mundo no abraço das árvores e no beijo dos rios.
Quando meus olhos dormidos casavam a noite e o dia no mesmo silêncio de sonho-menino. [Read more…]
Como simples aves damos as asas a caminho do sol para fugir às lágrimas que a terra espreme.
A luz incendeia a vontade de fugir mas a tua mão serena abre o coração à esperança onde a angústia cresce por entre músicas perdidas e restos de flores.
Eu continuo o caminho dos lábios que deixaram de suspirar e dos olhos que pararam de girar confundidos entre lágrimas e risos.
O longo caminho das sombras onde as plantas não falam nem as fontes nem os pássaros.
Mas a tua mão apertada mesmo que incrédula murmura baixinho que os prados se estendem a nossos pés.
E que as brandas ondas do mar deslizam suavemente sobre a areia cobrindo de espuma o teu corpo sonâmbulo que à noite desperta por entre o labirinto dos meus sonhos.
Que palácios pretende o vento impaciente em teus cabelos de fogo vencida a idade em que o coração treme sem casa para morar?
O meu Benfica não apaga a Luz, rega o relvado a horas próprias, não se sente menorizado quando um campeão faz aquilo que faz o Benfica ao ganhar títulos: festeja-os com a legitimidade do vencedor.
O meu Benfica demarca-se do Benfica igual aos outros, do Benfica que copia e imita o pior dos rivais. O meu Benfica não perde tudo numa centena de minutos, o jogo, a postura, a dignidade. O meu Benfica não é uma massa de seguidores acéfalos, questiona os dirigentes, exige explicações e chama os bois pelos nomes.
Consola-me que exista um Benfica dentro do benfiquinha. Porque eu, do benfiquinha, não sou.
A propósito disto…
Na época transacta o Benfica podia ter feito a festa do campeonato no Estádio do Dragão. Não conseguiu. Esta época o FC Porto teve oportunidade de confirmar o título de campeão no Estádio da Luz. Conseguiu.
Segundos depois do fim do jogo, as luzes da Luz deram ‘kaput’. Os holofotes deram o berro, a escuridão tomou conta do relvado e das bancadas, qual Ptolomeu dos tempos modernos que roubou o fogo da celebração dos ‘deuses’ do relvado. O sistema de rega foi accionado. Muitos espectadores devem ter entrado em pânico. A polícia também.
E, assim, dos palermas ainda vai rezar esta história.
É que, para o futuro, fica o resultado, o título de campeão do FC Porto e a atitude patética e infantil da direcção do Benfica. O que vale é que o clube em causa é maior que alguns imbecis que o dizem representar.
*Título adaptado de um romance de António Lobo Antunes
Um clube de bairro que já não consegue pagar a conta da luz à EDP, embora ainda tenha crédito camarário para gastar em água, merece a nossa solidariedade.
Clique na imagem para ajudar.
Passei o dia a ouvir música
sempre a mesma
alternando Madredeus e Erik Satie.
Como foi possível
parecerem-me tão semelhantes?
Que percebe de sons
este monocórdico espírito?
Mas foi o mesmo
o que produziram em mim:
a sensação amarga
de ter atirado fora uma paveia de sentimentos.
Como vou misturar
é quase certo que nada existe
nada está perto nem eu estou triste
com Embryons desséchés
e Peccadilles importunes? [Read more…]
Recentemente fui passar um fim-de-semana ao campo. Fiquei naquilo a que se chama uma “casa de hóspedes”, destas em que a estada decorre num ambiente familiar, e que funciona às mil maravilhas se calha a gente de gostar da família que lá vive. Da família, felizmente, pouco vi, porque os seus amáveis membros rapidamente deixaram os hóspedes com a empregada e fugiram para os seus divertimentos equestres. Chegámos já de noite e não foi nada fácil descobrir o monte no qual se erguera a casa que nos receberia. Caminhos enlameados, nem uma única placa informativa, escuro como breu numa noite sem estrelas.
“Porque está tão escuro?”, perguntava esta citadina acagaçada. “Porque estamos no campo”, respondia o meu companheiro, que, como todos os que cresceram no campo, tem um gosto especial por me fazer sentir inapta sempre que deixamos a cidade para trás.
É verdade, no campo não há luz. E a escuridão, como sabem todas as crianças, é um território alarmante porque nele há espaço para que tomem corpo todos os nossos temores. Pousei o inútil GPS e fiquei a olhar pela janela do carro, enquanto o carro avançava a custo sobre trilhos de lama. Vi bandos de homens brandindo garrafas partidas, alcateias de lobos esfomeados, reuniões de feiticeiras aborrecidas com a interrupção, vi tudo isto e mais alguma coisa até que ao meu lado ouvi uma voz tranquilizadora: “É ali, já a vejo”.

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
Recent Comments