Nem tudo pode ser atribuído à natureza – o corrupto governo moçambicano tem a sua quota-parte de culpa

Michael Hagedorn

Sem dúvida que a ajuda às vítimas do ciclone IDAI é imperiosa e premente. Mas nem por isso há que fechar os olhos ao contributo do governo moçambicano para esta tragédia e para a situação miserável em que o país se encontra.

A última grande catástrofe com fortes cheias em Moçambique foi há quase 20 anos e, nesta época do ano, o país é regularmente fustigado por devastadores ciclones.

Mas o que foi feito, depois da calamidade ocorrida em 2000, para evitar que as consequências das próximas fossem tão dramáticas? Nada. Uma elite corrupta não fez nada para assegurar que na segunda maior cidade do país, que está praticamente ao nível do mar, fossem realizadas medidas concretas e eficazes para proteger as pessoas dessas devastações cíclicas. Desde o fim da guerra em 1992, o nível de vida da população pouco melhorou. No relatório da ONU sobre a pobreza, Moçambique ocupa o 180º lugar entre 186 países. [Read more…]

Rita Hayworth em Moçambique em 1950 (ou o nascimento de um fotógrafo)

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© Jean-Charles Pinheira

Em 1950, quando Jean-Charles Pinheira (n. 1932) trabalhava na alfândega do Lumbo, em Nampula, o príncipe Aly Khan visitou a região na companhia da sua mulher, Rita Hayworth, tendo o casal ficado hospedado no Grande Hotel do Lumbo. Foi nesse momento que Jean-Charles Pinheira meteu na cabeça que haveria de fotografar Rita Hayworth sem os óculos com que habitualmente se escudava. Pediu emprestada uma Kodak 6X9, e sentou-se numa cadeira junto à suite de Rita Hayworth à espera da hora H. [Read more…]

A véspera (rutilante) do futuro (ainda) adiado

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Ela era linda. Morena, como ainda convém hoje aos meus olhos, fiéis a esse tom de pele inultrapassável e absoluto. Tinha 17 anos; eu, 23. Partilhávamos ao jantar a mesma sala, as mesmas mesas (uma em frente da outra) e trocávamos olhares desde o primeiro dia em que entrei na Tubuci para uma das especialidades da sua cozinha. Eu estava fardado, ela vestia de negro. Quando a via de negro, deixando faiscar os seus incríveis olhos verdes num contraste de sonho, todo eu me derramava por dentro e deixava que a minha energia voasse pela sala ao seu encontro.

Decidimos namorar aí por finais de Fevereiro. Exacto, nos meus anos. Ia buscá-la ao liceu, ficávamos a semear beijos e a cultivar a ternura até quase à hora de jantar. Depois, chegavam os meus camaradas de mesa, ela ia deixar os livros ao quarto e descia.
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Futebol em Moçambique II

Futebol em Moçambique

Parabéns Moçambique

Pré-aviso aos comentadores saudosos do colonialismo: estão avisados.

vídeo e título via Paulo Granjo

De Moçambique

Aqui apresentamos um novo blog que decerto nos contará “estórias” ainda desconhecidas de um Moçambique que para sempre desapareceu. Para que a memória não se perca.

 “É que Lourenço Marques mais não era do que uma vilória com pretensões e algumas benesses de que a menor era uma praia enorme que se estendia aos seus pés e se prolongava por quilómetros até à Costa do Sol onde existia um restaurante cervejaria, famoso pelos camarões e a cerveja geladinha, a “Laurentina”. Ora está bem de ver que nesses anos 40 e 50 do séc. XX, laurentinos e laurentinas eram os naturais da cidade que só depois passaram a ser chamados de “coca colas” em consequência da introdução desse refrigerante no consumo citadino. É que Moçambique usufruía da regalia de poder beber o refrigerante, aliás, muito menos açucarado do que o mesmo produto que se vende no cantinho português da Europa. Dizia-se, à boca pequena, que Salazar não deixava produzir a bebida em Portugal Continental só para fazer ferro aos americanos que não o apoiavam como ele desejava!”

Para os “Costas e Zés/Salgados” verem

Aqui está uma imagem do Hospital outrora construído pelos portugueses na Ilha de Moçambique. As veneráveis pedras têm a supina sorte de não se encontrarem na antiga Metrópole, pois a estranha coligação Costa-Zé Salgados/BES, já as teriam reduzido a pó. Para que conste.

Kanimambo, João!

Kanimambo significa ‘obrigado’ em Changane, um dos idiomas de Moçambique. Como título da canção que o popularizou, é a palavra de agradecimento eterno ao João Maria Tudela pela relação cordial que mantivemos, a despeito dos encontros espaçados e casuais dos últimos tempos. Repito o meu kanimambo, João:

A última vez que nos encontrámos foi numa estação do Metropolitano, em Lisboa. Como sempre, foste afável. Tínhamos ideias diferentes, mas respeitámo-nos sempre. Com a tolerância de quem tem a elevação de aceitar quem não pensa igual. E ao contrário da injusta e falseada opinião, de ignorantes e perversas cabeças, a diabólica censura do ‘Estado Novo’ também não te poupou; quando, em 1968, te afastou da RTP por ousares cantar ‘Cama 4, Sala 5’, de Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes. Voltaste em 1975.

Como imaginas, ao saber hoje da tua partida, por aqui e aqui, fiquei desolado. Lembrei-me dos nossos encontros no CIF, onde a tua paixão pelo ‘Ténis’ permanecerá para sempre. Como a minha admiração por ti. Kanimambo e até sempre, João.

Linguinha "Uiquiliques"


Há coisas do diabo. Até há uns dias, andava o mundo inteiro num fri-ó-fró de gozo, lendo as piadosas novidades proporcionadas pelas indiscrições da “uiquiliques”. Os americanos eram uns perversos da pior espécie, maltratavam gente de tão fino recorte social como Sarkozy, Putin ou Berlusconi. Radiantes, aí estava mais um motivo de gáudio para os teóricos da “conspiração mundial yankee-sionista”, sempre pronta a devorar povos, ouro e terra alheia.

Entretanto, algo parece estar a mudar, pois inopinadamente, começaram a surgir assuntos pouco tranquilizadores para um determinado tipo de agentes do politiquês de Expresso de fim de semana. “Más” novas em Cabora-Bassa – insisto em escrever o nome tal como me ensinaram em 1972 -, entregas de dinheiros em termos de “compensação por serviços (?) prestados”, depósito de 9.000 milhões na conta do risonho Al-Bashir do Sudão e com alguma sorte, talvez conseguiremos saber algo mais. Num ápice, a perfída dos embaixadores estadunidenses, transforma-se noutra coisa mais refinada, porque afinal, é “muito estranha” e …“o que é curioso é que tudo aquilo que se passa e tudo aquilo que se diz nada é contra a América, é tudo contra os outros”. Não nos admiremos se dentro de dias o Dr. Almeida Santos disser uma ou outra chalaça acerca do assunto.

É esta a posição que agora, o sempre atento Dr. Mário Soares vem defender no Público. A isto chama-se ataque preventivo, ou gestão de possíveis danos colaterais que estarão para vir.

Não sei porquê, de repente comecei a prestar mais atenção à tal paródia “uiquiliques” que afinal, não passa de “mais uma manigância da CIA”…

As "Zambézias"


Não foi a surpresa do dia, nem sequer da década. Há muito que se conheciam as nada estranhas ligações entre o poder político-militar da Frelimo e negociantes de todos os azimutes. Quando da independência, houve quem colhesse fartos benefícios das atempadas contribuições anti-Portugal, entre as quais avultavam as verbas distribuídas pelo senhor Olof Palme. Madeiras e transportes foram algumas das recompensas vertidas pelos detentores do poder na antiga Lourenço Marques, bem embaladas naquela conhecida retórica do situacionismo bem pensante dos “amanhãs”, “justiça”, “libertação” e outros tantos recursos tirados da luxuosa valise Louis Vuitton que a progressista oligarquia europeia tem sempre à mão.

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"Memórias de Moçambique"


Pintura documental, na qual se retrata as derradeiras décadas da soberania portuguesa em Moçambique: a vida administrativa, económica, familiar, usos e costumes de colonos e populações nativas.
Exposição a ser inaugurada a 11 de Setembro, pelas 16.00h no Palácio dos Aciprestes, Fundação Marquês de Pombal, em Linda-a-Velha
Av. Tomás Ribeiro 16

“Ana Maria (Plácido Castelo Branco Graça Ferreira) nasceu no povoado Errego, sede da circunscrição do Ile, Província da Zambézia, na então colónia portuguesa de Moçambique, a 27 de Abril de 1933. É filha de Arlindo Dias Graça, por sua vez filho de um brasileiro, proprietário, de Ouro Preto (Minas Garrais) e de uma portuguesa de Valadares (Vila Nova de Gaia); a Mãe, Alice Augusta Castelo Branco, nasceu em S. Miguel de Seide (Famalicão) naquela que é hoje a Casa-Museu Camilo Castelo Branco sendo, por esta via, bisneta de Camilo Castelo Branco e de Ana Plácido. O Pai, funcionário administrativo, era um curioso amante das artes e na família materna há vários artistas amadores, quer de Pintura, quer de Escultura.
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Moçambique: contestação vence e governo recua

A África subsariana – ocupemo-nos desta agora – é região marcada por confrontos étnicos, miséria absoluta e altas taxas de mortalidade. Regimes políticos, tão autoritários quanto corruptos, sob interesseira indiferença do Ocidente e do Oriente, fabricam as causas de holocaustos de diferentes géneros. Milhões de seres humanos são vítimas de fenómenos endémicos graves, como a SIDA e a FOME, por exemplo.

O governo de Moçambique decidiu há dias um aumento de preços generalizado, aplicado a combustíveis, energia eléctrica, água e bens essenciais, como o pão e o arroz. A contestação popular eclodiu de súbito, em especial em Maputo e na Matola. No final dos tumultos, segundo a imprensa, registaram-se 13 mortos e mais de 90 feridos.

Hoje, segundo é anunciado pela comunicação social, televisiva e impressa, o governo moçambicano deliberou recuar na política dos aumentos de preços. No que se refere ao pão, a nova decisão governativa anulou mesmo o aumento antes decretado, 13%, passando a suportar uma subvenção para manter o preço anterior. Noutros bens e serviços, as taxas de aumento foram reduzidas.

Uma ilação pode ser extraída da capitulação governativa: o estado de miséria de vastos extractos da população é de tal forma intenso e aterrador que as autoridades temeram que, mais dia, menos dia, novos e mais pesados episódios de luta poderiam surgir e criar um cenário gerador de avultadas perturbações para a própria sociedade, a debilitadíssima economia, e ainda a imagem internacional do país.

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Um Moçambique que passou


Ao fim da tarde, o whisky dos administrativos, na cantina local.

Hoje é Sábado e parece-me acertado fazer uma pausa nas nossas preocupações com o devir da nação da bola, com fumos de tabacos alheios ou com a transcendência das malandragens de outras personagens que preenchem alegremente o nosso dia a dia.

Indianos, numa rua da velha Lourenço Marques.

Assim, decidi apresentar-vos uma parte importante do trabalho executado pela minha mãe ao longo de décadas. Considero estes testemunhos pictóricos, uma fonte de informação única no âmbito da compreensão daquilo que foi e representou a fase final da presença portuguesa além-mar. Na linha daquilo que Jean-Baptiste Debret fizera no Brasil durante a permanência da Corte no Rio de Janeiro, a minha mãe começou desde cedo, a recolher aspectos característicos da vida na antiga colónia de Moçambique. Interessaram-lhe sobretudo, as incontornáveis cerimónias públicas, as actividades dos quadros administrativos locais, os sectores da economia, a vida familiar e sobretudo, a sua grande paixão pelos usos e costumes daquela excepcional gente que forma aquilo que hoje reconhecemos como povo moçambicano. As cantinas onde um pouco de tudo se vendia e onde ao fim da tarde o pessoal da administração bebericava o muito anglófilo whisky, a consulta ao feiticeiro capaz de curar maleitas e de afastar os maus espíritos, as ruas onde se aglomeravam gentes oriundas do então Indostão britânico, das Maurícias e “estranhos refugiados” europeus do pós-1945, as mesquitas, a comunidade macaense ou goesa e muitos outros temas que compunham com veracidade, a realidade moçambicana daquele tempo.
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Do Ultimatum ao reconhecimento britânico de 1911

De todo o longo processo que o PRP desenvolveu no sentido da subversão do regime da Monarquia Constitucional, a questão da Aliança Luso-Britânica foi sempre um dos principais polos de virulenta propaganda. Mesmo antes dos acontecimentos decorrentes do Ultimato de 1890, os feros ataques ao predomínio da Inglaterra em Portugal, consistiram no eixo primordial da acção política, onde um nacionalismo de laivos retintamente demagógicos, visava antes de tudo, mobilizar uma parte da facilmente excitável e ociosa população das duas principais cidades portuguesas.

Num período onde a expansão colonial atingiu o climax e ameaçou a Europa com a eclosão de uma guerra generalizada, Portugal conseguiu preservar um relevante património colonial, objecto da cobiça dos novéis actores da cena internacional, como a Bélgica de Leopoldo II – a questão do Congo – e logo após a unificação de 1871, o II Reich do Kaiser Guilherme I e do chanceler Otto von Bismack. A arbitragem a que Mac-Mahon foi chamado para decidir (1875) a posse do valioso território banhado pela baía do Espírito Santo (Lourenço Marques), deveria ter representado para a opinião pública nacional, num claro sinal demonstrativo da necessidade da manutenção de um firme apoio britânico à posse portuguesa dos estratégicos e potencialmente ricos territórios em África. De facto, Lourenço Marques era o porto natural do hinterland sul-africano e num ponto de partida da mão de obra destinada às minas do Rand. O desencadear da segunda Guerra Boer (1899-1902), valorizaria enormemente a área geográfica que os britânicos displicentemente designaram até à década de 30 do século XX, como Delagoa Bay.

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No fim da Guerra, um dia de sol


Quem se passeie pela net, decerto encontrará sites e foruns nos quais mutuamente se agridem nacionais dos mais diversos países. Se os ingleses “são por regra” bêbados, os holandeses são uns parolos de soca nos pés e chibata na mão, os alemães são todos militaristas, os franceses nunca tomam banho e os italianos pertencem todos – e mais alguns – à Mafia. Quanto a nós, portugueses, ficamos-nos pelos tipos com 1,45m de altura, bigode, boné de presilha e escarro nas paredes. A perfeita tradução para a banda desenhada, fê-la a dupla Goscinny-Uderzo num album do Asterix, talvez O Domínio dos Deuses, não tenho a certeza.

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Sócrates em moçambique, Liberdades cá, PCP refém do sindicalismo, PSD procura Chefe

A viagem de Sócrates para Moçambique não só lhe permitiu a ele uma distanciação dos problemas daqui, mas também a nós uma distanciação dele. Foi a meu ver uma visita positiva, embora sem resultados espectaculares, tendo em conta que o português e a CPLP estão a tornar-se uma mais valia económica, e todas as viagens de todas estas personalidades aos diferentes paises desta área são sempre apports para reproduzirem e majorarem essa mais valia. O Instituto Camões ja mediuo valor económico da língua portuguesa e chegou à conclusão que 17‰ do Produto Interno Bruto de Portugal está relacionado com ganhos da língua.
No parlamento,  em Lisboa a Comissão de Ética continua reunir-se mas uma coisa já conclui e por ora só ouviu quase personalidades ligadas ao PSD.
Conclui que “não há duvidas em Portugal que a liberdade de expressão existe, ainda que com o Governo de Sócrates tenha piorado, mas todos concordam que nao ha em Portugal um problema generalizado de liberdade de expressão”. Já aqui o tinhamos dito. O problema da imprensa é de manipulação, não é de liberdade, mas isso já vem de trás, e todos os partidos têm responsabilidades nisso, desde o PCP no tempo do PREC, recorde-se o documento Veloso,ao CDS, passando pelo PSD e pelo PS. [Read more…]

Um bilhete da TP de Lourenço Marques-Lisboa. Sem volta (I)


“Há 35 anos inventámos a palavra retornado. Mas eles não retornavam. Eles fugiam. Retornados foi a palavra possível para que outros – os militares, os políticos e Portugal – pudessem salvaguardar a sua face perante a História. Contudo a eles o nome colou-se-lhes. Ficaram retornados para sempre. Como se estivessem sempre a voltar.”

Este post da Helena Matos surge como quase resposta à campanha de promoção de um conjunto de textos coligidos em livre de saison politique que ultimamente tem sido promovido nos santuários do costume. Os dislates do politicamente correcto de alguns conjugam perfeitamente os interesses que hoje servem os seus mais lídimos herdeiros directos, exactamente os mesmos que hoje acorrem a Moçambique à cata de desinteressados negócios. Há coisas que não mudam.

Tudo começou há uns meses quando uma bastante efémera “ex-residente em Lourenço Marques” decidiu editar a sua experiência pessoal, sendo sem surpresa apoiada pelo carpidismo militante que sempre arranja um espaço reactivo para as suas ilusórias verdades de convenção. Essa também ex-menina e autorajamais viveu em Lourenço Marques, a Maputo cujas avenidas o Sr. primeiro-ministro ontem entusiasmadamente percorreu em mini-maratona de salutar oxigenação pulmonar. A dita ficcionista, Isabela de seu nome, limitou-se a vegetalizar-se num buraco-negro de paranóia circunscrito a pouco mais de 400m2. Filha de um tipo de homem a quem local e depreciativamente se designava de maguérre (1), diz ter assistido a um infindo rol de iniquidades caseiras. Por isso mesmo, sendo branca, aparentemente loura e confortavelmente alvenarizada em residência na Matola – uma espécie de melhorado Cacém local – , sentiu como absoluta missão agigantar a pequenina, grotesca e marginal figura paterna, fazendo-a subdividir-se tal como uma amiba, a todo o corpo colonial estabelecido em Moçambique. As lamentáveis aldrabices grasnadas pela ignorância de uma totalmente desconhecida realidade, tornam-se em factos que se compõem uma perfeita ficção de cordel mais própria das sebentas “revolucionárias” e justificativas de outros tempos, estão, no entanto, muito longe da verdade do período final da presença portuguesa em Moçambique. Afinal tudo se resume a uma questão de facturação, à procura de um suburbano êxito à Harry Potter. A ficção vende bem e se for sob patrocínio alinhado, melhor ainda.

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Centenário da República: o Ultimato

Um dos acontecimentos que mais contribuiu para o desgaste e descrédito da instituição monárquica foi a questão do Ultimato que, em 11 de Janeiro de 1890, faz hoje 120 anos, o governo britânico (que designava o documento por «Memorando») entregou ao governo português exigindo a retirada das forças militares existentes no território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola, a maior parte nos actuais Zimbabué e Zâmbia), a pretexto de um incidente ocorrido entre portugueses e Macololos. A zona era reclamada por Portugal, que a havia incluído no famoso Mapa Cor-de-Rosa (que vemos acima), editado pela Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1881, reivindicando, a partir da Conferência de Berlim de 1884/5, uma faixa de território que ia de Angola a Moçambique. Vejamos o mapa em versão simplificada.


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Acodo otogáfico vigora no Sapo

Aqui está mais uma inovação. O acodo otogáfico está em pleno, pelo menos nas notícias sobre o Sporting, que diga-se está a pensar comprar no emergente mercado de Moçambique, de onde, todos sabemos, têm saído grandes jogadores do futebol mundial.

 

Os REFOCOS que podem vir de Moçambique

Será desta?

 Foi hoje anunciado que em 2011 estará finalmente disponível uma vacina contra a malária, resultado dos esforços de uma equipa que reúne especialistas espanhóis e moçambicanos.

Não se sabe ao certo quantas pessoas morrem com malária todos os anos, mas o número não é inferior a 3 milhões, sendo certo que muitos casos não chegam ao conhecimento das autoridades de saúde.

Em muitos casos, os afectados são crianças com menos de 5 anos. Aliás, a OMS estima que em África morre uma criança a cada 30 segundos vítima de malária.

Pode ser difícil criar uma vacina contra a malária mas reduzir ou eliminar o número de casos necessitaria apenas de uma melhoria das condições sanitárias em que vive a população e da introdução de redes mosquiteiras. Uma rede mosquiteira custa menos de um euro mas não parece ser uma prioridade para muitos governos africanos. 

É certo que, em muitos casos, são os cidadãos que resistem ao uso da rede. Porque faz calor, porque lembra uma mortalha, porque não crêem que seja prioritário. Mas também isso poderia transformar-se se houvesse um investimento na informação. Isso significaria, por parte desses governos, um genuíno interesse na vida e na saúde do seu povo. Não porque haja perspectivas de lucro nos bastidores mas porque essa vida é o mais precioso bem de um país.

Enquanto houver uma minoria que se serve do poder para promover os seus interesses, continuaremos a ver África condenada ao sacrifício dos seus filhos. Continuaremos a ver gerações a quem, numa fuga desesperada da fome, da malária, da sida, da guerra, nada mais arresta do que dar à costa da Europa e mendigar a vida digna a que tinham direito por nascença. 

Exploradores de meia tigela

Cientistas descobriram uma floresta tropical até agora desconhecida no norte de Moçambique. A descoberta foi feita através do Google Earth, tendo sido enviada uma equipe de cientistas para o local. Confirma-se já a descoberta de pelo menos três novas borboletas e uma nova espécie de cobra. Ou seja, não se pode estar em sossego em lugar nenhum. Até aqui, os habitantes da floresta desconhecida de Moçambique viveram, graças às condições inóspitas do terreno e a uma terrível guerra civil, milénios de paz longe das criaturas humanas. Mas isso agora acabou. A princípio, eu até achei graça ao Google Earth, mas agora confesso que o acho insuportável. Não há um recanto deste planeta que o sacana não tenha esquadrinhado. O próximo passo deverá ser ver para lá dos telhados, para lá das paredes, dos muros, num voyeurismo levado ao limite. E até o romantismo das grandes aventuras dos exploradores do século XIX se perdeu por inteiro. Refastelados na cadeira giratória, com o ar condicionado ligado e uma embalagem de M&Ms ao lado, os novos exploradores dão ao scroll para fazer zoom in e zoom out, e correm o mundo sem levantar o traseiro.