Os Truques da Imprensa Portuguesa e o jornal Público

No olho do furacão que envolve a página dos Truques da Imprensa Portuguesa e o jornal Público está uma notícia da jornalista Margarida Gomes sobre o presidente da Câmara de Gaia.

Essa notícia dá conta de uma rede familiar e de agentes políticos, associados ao autarca de Gaia, instalados nos órgãos sociais de IPSS com fortes ligações à Câmara Municipal. A notícia refere também um aumento salarial de 390% (o número peca por defeito) de que beneficiou a mulher do presidente da Câmara, funcionária de uma dessas IPSS, e informa que o assunto está a ser investigado pelo DIAP, tendo também sido reportado ao Ministro Vieira da Silva, a quem foi solicitada uma auditoria.

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A “descentralização” como estratégia de privatização do Ensino Público

A proposta do governo que visa “descentralizar” recursos e competências do Sistema de Ensino público, entregando às autarquias “tudo menos professores e escolas da Parque Escolar” (DN), é algo extremamente preocupante e muito mais grave do que a polémica e aparentemente extinta questão dos contratos de associação.

Desde logo porque falta às autarquias a habilitação técnica, operacional, estrutural e democrática para assumir este nível de responsabilidade, e está colocada em causa a qualidade da Escola Pública, a sua gestão democrática, transparente e plural e, por essa via, o futuro do próprio país. O escrutínio da actividade autárquica, lugar privilegiado para o alastramento da corrupção, da opacidade e das redes de tráfico de influências, é extremamente difícil e limitado, sendo frequentes os casos de total impunidade ante comportamentos contrários à democracia, à “ética republicana” e, por vezes, à própria lei .

Finalmente, porque o verdadeiro objectivo desta proposta do governo é que os recursos e as competências “descentralizadas” vão parar às mãos das IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social) que gravitam em torno de algumas Câmaras Municipais e dependem, em grande medida, não só dos orçamentos municipais, mas do poder de influência que detêm junto dos aparelhos partidários locais e dos próprios executivos camarários.

Ou seja, sob o disfarce de uma pretensa “descentralização” de recursos e competências, assiste-se, na verdade, à privatização do Sistema Público de Ensino.

Porto e Gaia – idoneidade política em Democracia

As Câmaras Municipais das cidades que partilham a foz do Douro, Porto e Gaia, duas das maiores do país, têm suscitado atenções e polémicas nos últimos meses, por via de notícias que colocam em causa a idoneidade dos respectivos presidentes. Na verdade, o jornal PÚBLICO tem dado a conhecer factos sobre a gestão autárquica de Rui Moreira e de Eduardo Vitor Rodrigues, que lançam a suspeita sobre o cruzamento de interesses pessoais e familiares dos dois políticos e o superior interesse dos municípios que lideram.

Apesar de ambos se terem apressado a negar as notícias do PÚBLICO e de o jornal, em particular uma das suas melhores jornalistas, ter sido injusta e violentamente atacado nas redes sociais, pelo menos num dos casos, a verdade é que as informações avançadas firmam-se em sólidas provas documentais.

Tanto no caso de Rui Moreira, como no de Eduardo Vítor Rodrigues, estabeleceu-se irreversivelmente a dúvida sobre a isenção e a imparcialidade com que cada um norteia o exercício de funções de elevada responsabilidade em que está investido, dúvida essa incompatível com a transparência e a idoneidade que lhes são exigidas enquanto autarcas e representantes eleitos.

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Cáritas de Coimbra e Setúbal também têm milhões em bancos

É a miséria da sumptuosidade.
Será difícil uma auditoria rigorosa ao Terceiro Sector, uma vez que é muito ampla, poderosa e politicamente diversificada a rede de interesses nele instalada. Mas isto é o grau zero da falta de escrúpulos. Uma das mais ignominiosas formas de negócio, que sob a aparência de beneméritos e altruístas projectos sociais, educativos e assistencialistas, se alimenta directamente das dificuldades e do sofrimento dos mais fracos.

A Cáritas de Setúbal, por seu lado, conta com dois centros sociais com serviços de apoio a doentes com sida, pessoas sem abrigo, creche, pré-escolar e ATL, um centro de acolhimento para crianças em perigo, um centro comunitário com várias valências, uma creche, um jardim de infância e um ATL.

 

Notícia de José António Cerejo, PÚBLICO

A miséria da riqueza

O Jornal PÚBLICO teve que recorrer ao Tribunal para ter acesso a informação financeira de divulgação pública obrigatória, mas que lhe foi sonegada pela Cáritas de Lisboa e pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSS).

Hoje o jornal dá notícia de que a IPSS criada para ajudar os pobres, tem depósitos bancários no montante de 2,4 milhões de euros e 320 mil euros investidos em obrigações. Possui ainda imóveis cujo valor ascende a 1,4 milhões de euros.

No ano de 2014, a Cáritas obteve um lucro líquido de 119 mil euros, tendo gasto 147 mil euros na ajuda aos pobres, do quais apenas 11.314 euros sairam do seu próprio bolso, pois os donativos particulares recebidos ascenderam a 325 mil euros.

Além de ter obtido a informação só depois de recorrer a instâncias judiciais, o PÚBLICO dá nota de que as contas da Cáritas não batem certo, pois verifica-se que os apoios dirigidos para ajuda directa aos pobres é ainda mais residual do que o que se depreende das contas apresentadas ao MTSSS. Terá sido em razão destas e de outras incongruências que foi apresentada uma queixa junto do Ministério Público, queixa que já originou a abertura de um inquérito.

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O pó da verdade

“Pilatos replicou-lhe: Que é a Verdade?”
(João 18:38)

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Parece ter terminado o folhetim que envolveu o Ministro das Finanças, que chegou a ser ameaçado com uma queixa-crime por deputados cuja credibilidade há muito ficou soterrada em fotocópias a preto e branco e irrevogavelmente submersa no mar profundo.
Ainda assim, não será inútil sublinhar, não relevando, sequer, o objectivo que realmente move os ofendidos, que o Governo, designadamente o senhor Primeiro-Ministro e o próprio Ministro da Finanças, agiram de acordo com aquilo que é o seu dever, respeitaram a dignidade das suas funções, assim como a das instituições do Estado que representam e dos cidadãos que servem.

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Os números sórdidos das crianças retiradas às suas famílias pelo Estado

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Há  8.445 crianças institucionalizadas que foram retiradas às suas famílias. O Estado paga 80 milhões de euros por ano às “instituições” a quem as entrega. Só no últimos dois anos abriram 122 destas “instituições”. O Instituto da Segurança Social não comenta. Mas tem que comentar.

 

Imagem: Banksy