Se todos os indicadores demonstram que, apesar de ocuparem uma habitação social, os pobres se mantêm pobres, geração após geração, livrando-se unicamente da condição de sem-abrigo, então é evidente que a culpa é da habitação social, é ela que anda a fabricar pobres e excluídos, e daí até à constatação de que haverá que acabar com ela há-de ser um pequeno salto. E assim sendo, pobre a quem foi recusado o acesso à habitação social é um pobre feliz, que deve estar agora em plena e tranquila subida no ascensor social porque, a seu tempo, mão amiga lhe recusou a chave da casa no Lagarteiro. Talvez porque recusar-lhe um direito básico como o é o da habitação possa ser o empurrão que lhe faltava para tornar-se empreendedor. Mais coisa menos coisa, e se bem entendi o raciocínio, é o que aqui se diz.
É certo que, idealmente, o recurso à habitação social corresponderia a uma situação provisória, a conceder unicamente durante o período em que decorresse a situação de carência. Podendo contar com o auxílio necessário para superar as suas dificuldades, e assim retomar as condições para garantir a própria subsistência, o inquilino deixaria de necessitar de uma habitação social e o seu contrato cessaria. Idealmente, sim, mas acontece que nunca houve uma política social neste país capaz de promover isto. [Read more…]







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