O bicho já não mexe

Por esta hora, em dia de semana, começaria mais um direto do Bruno Nogueira no Instagram. Não poderemos ver mais, pois acabou. Foram dois meses de momentos únicos. Com isto, o Bruno conseguiu a proeza de fazer as pessoas esquecerem o mau momento que atravessamos e, durante aquelas duas horinhas, fazer dezenas de milhares de pessoas rir. Ali, num pequeno ecrã e, na maioria das vezes, dividido com outras personalidades, o Bruno Nogueira fez com que as pessoas celebrassem o Natal em Maio. A magia disto tudo está na simplicidade. Desde as embirrações com o Markl até aos momentos de loucura com o louco Quadros. Desde Cristiano Ronaldo em direto à briga entre Ljubomir e Manzarra. Desde o piano de Maria João Pires à obra de Vhils ao som da Grândola Vila Morena. Eu não acompanhei religiosamente toda esta aventura, mas sempre que lá estive, senti-me em casa.
Obrigado por isto, Bruno.

“Não são livres”.

Há coisas com importância em si mesmas, mas ainda maior do ponto de vista simbólico. Maria João Pires há mais de 10 anos, julgo, que não toca em Portugal porque não quer, porque se recusa. Este facto aparece como sintoma patente do funcionamento dos meios culturais portugueses e, sobretudo, mostra o estado do seu espaço público, nesta área: um lugar sufocado pelo medo e o compromisso. Ninguém fala deste assunto em nenhum media. Não são livres. Querer saber as razões (não as sei) seria talvez delicado para o meio musical institucional. A figura mais marcante do século XX e até hoje no seu campo, o primeiro Prémio Pessoa, quando este tinha maior significado, continua a ser quem era, faz concertos, mas não quer tocar aqui. O silêncio é a regra obediente, dirigida pelo medo do indizível, do inexplicável, do inaceitável.

António Pinho Vargas

José Manuel Fernandes apanhado a enganar os seus leitores

o que não é grande novidade mas desta vez fica aqui o registo.

Claudio Abbado (1933 – 2014)