O bicho já não mexe

Por esta hora, em dia de semana, começaria mais um direto do Bruno Nogueira no Instagram. Não poderemos ver mais, pois acabou. Foram dois meses de momentos únicos. Com isto, o Bruno conseguiu a proeza de fazer as pessoas esquecerem o mau momento que atravessamos e, durante aquelas duas horinhas, fazer dezenas de milhares de pessoas rir. Ali, num pequeno ecrã e, na maioria das vezes, dividido com outras personalidades, o Bruno Nogueira fez com que as pessoas celebrassem o Natal em Maio. A magia disto tudo está na simplicidade. Desde as embirrações com o Markl até aos momentos de loucura com o louco Quadros. Desde Cristiano Ronaldo em direto à briga entre Ljubomir e Manzarra. Desde o piano de Maria João Pires à obra de Vhils ao som da Grândola Vila Morena. Eu não acompanhei religiosamente toda esta aventura, mas sempre que lá estive, senti-me em casa.
Obrigado por isto, Bruno.

Grande Vhils

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Há medalhados, e medalhados. Alexandre Farto, aka Vhils, soube dedicar a condecoração que recebeu.

Arte urbana e intervenção

à solta no Porto e também em Lisboa. O turismo agradece!

Raised by Wolves, dos U2

Pode ser visto exclusivamente durante umas horas no site Nowness. Este video tem a particularidade de ter sido realizado em Lisboa por um dos nossos excelentes artistas dessa arte ainda vista como menor, a street art. O realizador é o lisboeta Vhils, que faz estes trabalhos fabulosos:

Che por Vhils


Trabalho de Alexandre Farto em colaboração com René Burri para #festivalImages. Via stick2target.

Vhils: escavando a superfície

Farto de pintar em paredes ilegais, o seu próximo alvo foram os posters de publicidade espalhados pela cidade. “Pintei-os de branco e comecei a escavar a camada gigante de anúncios que se tinha acumulado ali ao longo dos tempos. É quase como um processo arqueológico.” Ao criar retratos nos cartazes, Vhils queria “criticar a influência que a publicidade tem sobre as pessoas, nos seus sonhos e naquilo que querem.” Depois disso, saltou para as paredes, onde viria a alcançar sucesso.
“Um dia, quando estava a escavar posters, toquei na parede e pensei: ”Se posso fazer isto nos posters também posso fazer na parede.” E experimentei.” Um martelo pneumático e um martelo normal são suficientes para a escavação. Antes disso, Alexandre marca na parede, com spray, a figura que quer esculpir. Para terminar o trabalho, usa materiais tão invulgares como lixívia, produtos de limpeza, ácidos corrosivos e até café “para pintar”. “Estivemos fechados tanto tempo com a ditadura que depois do 25 de Abril tudo aconteceu na rua”, diz Alexandre. “Em 30 anos, com os muros políticos, o boom da publicidade e o graffiti, as paredes engordaram 20 centímetros e o que faço é pintar com essas camadas de história.”

de uma entrevista ao I

Arte urbana portuguesa no top 10 do Guardian

Numa escolha de Tristan Manco o Guardian seleccionou 10 obras-primas da arte urbana. Contemplados o português Vhils (Alexandre Farto de seu nome) e um trabalho dos brasileiros Os Gémeos e do italiano Blu, realizado em Lisboa.

Uma boa nova para a arte urbana portuguesa, com a vantagem de colocar estas coisas em discussão. Por exemplo: António Sérgio Rosa de Carvalho cuspiu sobre a obra alfacinha (acima representada):

“Verdadeiro crime de Lesa-Património, esta intervenção “emite” em termos de Pedagogia o pior “sinal”possivel … (sic)

numa pretensa defesa dos prédios abandonados em que foi feita. Há gente que confunde arte com o-que-eu acho-que-é-arte. São os donos da obra. O prédio em causa era uma vulgaríssima construção novecentista, das que andam por aí aos pontapés. Agora é depositário de uma obra-prima da arte contemporânea mundial, que por sinal em termos de mercado vale muito mais que o prédio (em relação ao terreno, já não sei).  Esta gente é a mesma que apupou os impressionistas, os surrealistas, e o que mais quiserem: a História da Arte está cheia dos seus donozinhos, que a serem seguidos ainda nos mantinham ao nível da Vénus de Willendorf (com todo o respeito que tenho, e é muito, pela arte do Paleolítico). [Read more…]

ARTUR, Artistas Unidos em Residência, em Lagos

 

Por estes dias, no Laboratório de Actividades Criativas – LAC – em Lagos, começam a reunir-se os artistas que, em residência artística, integram um projecto que envolve alguns nomes da atual cena mundial da arte de rua.

Sete artistas vão, durante 20 dias, compartilhar o espaço da antiga cadeia de Lagos, criar trabalho, trocar experiências, intervencionar espaços, produzir instalações, etc.

António Farto aka Vhils, Jucapinga, Alexandros Vasmoulakis (Grécia), SAM3 (Espanha), António Bokel (Brasil), Jorge Pereira e Miguel Januário são os nomes que compõem esta residência, que culminará com uma exposição de arte urbana (curadoria de Sofia Fortunato) cuja inauguração ocorrerá dia 18 de junho, pelas 18:30 horas, no LAC.

A seguir de perto aqui, no Aventar.