Concerto para Clarinete em Lá maior, K 622, de Wolfgang Amadeus Mozart

Aprecie-se esta música dos deuses e, em especial, o requinte do adágio, ao minuto 13.

A exactidão e o estendal

Como outros passeiam os cães de companhia, ela traz à rua o seu estendal.

— Carla Romualdo

Nun, was >Tatsache< hier meint, ist nicht die Tatsãchlichkeit der fremden Tatsachen, mit denen man fertig werden muß, indem man sie sich erklãren lernt.

Hans-Georg Gadamer

J’ai passionnément désiré être aimé d’une femme mélancolique, maigre et actrice.

— Stendhal, 30/3/1806

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Eis como alguém na RTP decidiu traduzir para português europeu o remate do «We’re just not going to sit back and let, you know, false narratives, false stories, inaccurate facts get out there» de Sean Spicer.

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Agora, aproveitando este intervalo dado quer à frase nuclear, na perspectiva de Grevisse e de Goosse, quer aos sintagmas nominais do Antoine de La Sale, regresso ao Krugman (que percebe imenso de factos) e ao meu espanto por ver o Searle (um velho conhecido do Aventar) mencionado por aquelas bandas.

Continuação de um óptimo fim-de-semana.

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Mais uns fatitos

Qu’ils soient sacrés par les foules, ces hommes
Qui scrutèrent les faits pour en tirer les lois,
Qui soumirent le monde à la mesure, et, comme
Un roc hérissé d’or, ont renversé l’effroi.

Émile Verhaeren

É um escândalo!

— Rodolfo Reis, 19/2/2017

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Nótula: Segundo amigo atento, este meu texto mereceu algures a melhor atenção, através de uma adaptação. Não dei por ela, mas acredito no meu amigo. Durante os últimos dias, além do The Handbook of Portuguese Linguistics, tenho lido a imprensa alemã, uns poemas do Verhaeren e regressei a uma selecção de textos cá de casa e ao Sainte-Beuve sobre o Voltaire — exactamente, o Sainte-Beuve, aquele que «n’a étudié Voltaire ni comme philosophe, ni comme historien, ni commme poète, ni comme auteur dramatique, ni comme romancier», como escreveu Allem. Efectivamente, além do Aventar, do Público e de alguns textos técnicos para o meu trabalho, não tenho lido muita coisa em português. Quando tiver tempo e pachorra, debruçar-me-ei sobre o assunto indicado pelo meu amigo. Continuação de uma óptima semana.

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«eles tinham a tendência de pôr assento em “paras»”? Efectivamente: assento

observador

gemahnt es dich so matt?

 Fasolt

Da ließe sich ja eine Spekulation mit meinen Vögeln machen.

Papageno

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Nesta entrevista, João Malaca Casteleiro vem explicar a lógica subjacente à base IX, 9:

os nossos alunos nas escolas, como “pára” tinha acento, eles tinham a tendência de pôr assento em “paras”, “paro”.

Portanto, a ambiguidade de

Bloqueio nos fundos da UE para projecto de milhões na área do regadio

justifica-se porque uns alunos (volto a perguntar: “onde está o estudo?“) punham assento.

Exactamente: está tudo explicado.

Efectivamente, como alguns escreventes têm “a tendência de pôr assento” em vez de acento, receio que a próxima proposta seja a abolição de <ss> em formas como asso, passo ou mesmo apressar e a respectiva substituição por <ç>: aço, paço e apreçar. Porquê? Então, citando Malaca Casteleiro, “o contexto diz-nos”. Exactamente. É o contexto.

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Efectivamente, os contatos são inadmissíveis

When Dante loses his way in the dark wood, he is “Nel mezzo del cammin di nostra vita” in keeping with the allotted biblical life span (Psalm 90).

— Adolph Prier (Countercurrents: On the Primacy of Texts in Literary Criticism)

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Contudo, Ralph Hasenhüttl (sim, exactamente, com <ü>) não pensa assim. No sítio do costume? Nem por isso: no jornal da irresponsável resistência silenciosa.

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No sítio do costume, temos um clássico (ver página 7). De facto, já andamos nisto desde Janeiro de 2012.

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Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

“Os onze poderes do líder”

Quem lê muito, acaba, mais tarde ou mais cedo, por ser capaz de produzir umas frases jeitosas, daquelas que ficam no ouvido. E, se tiver ódios de estimação entre figuras mediáticas, sujeita-se a escrever livros. É uma tentação, e já Oscar Wilde explicava isso muito bem, quando assumia que a única coisa a que não resistia era à tentação. Ora, a tentações, nenhum de nós é imune!

“Os onze poderes do líder” é um livro que acaba de sair. O autor, Jorge Valdano, figura incontornável do Real Madrid como atleta, mas proscrito por Mourinho como director, aquando da sua passagem pela capital espanhola, caiu na mais primária das tentações para ficar ainda mais célebre: mostrar ao mundo que, por mais cultura que se tenha e por mais livros que se leia, hélas, somos humanos e faz parte dessa característica mostrarmos ao mundo quais são os nossos inimigos. Amesquinhando-os. A primeira falácia. [Read more…]

Claudio Abbado (1933 – 2014)

peça de teatro procura autores

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Notas para uma peça de teatro plagiada a reescrever urgentemente… ajuda, precisa-se!

Contra a corrupção

musica+para+acordarNo próximo dia 9, celebra-se o Dia Internacional contra a Corrupção. A Transparência e Integridade, Associação Cívica (TIAC) irá assinalar a data com a iniciativa “Música para acordar”, que inclui um concerto do Quinteto de Cordas do Norte, na Alfândega do Porto, às 17h. Os responsáveis pela organização anunciam que este evento “marca o lançamento em Portugal de uma grande campanha de sensibilização contra a corrupção. Vamos mostrar em primeira mão as ações e eventos que estamos a preparar para os próximos meses!” Acrescente-se que a entrada é livre.

O programa do concerto pode ler-se a seguir ao corte. [Read more…]

Mozart luta contra a servidão nas suas óperas

 

Mozart na sua infância

 

Escrever sobre Mozart, é apenas um pretexto para referir um precursor da defesa dos, hoje em dia, denominados defensores dos direitos humanos. Durante a sua época de vida, existiam abusos de poder contra os trabalhadores da terra dos senhorios que as possuíam. Os trabalhadores eram denominados servos, palavra que vem da definição: Aquele que não dispõe da sua pessoa, nem de bens. Ou homem adstrito à gleba e dependente de um senhor. Fonte: Dicionário Priberam da língua portuguesa. [Read more…]

O Milagre da Música

Eduardo Lourenço, Tempo da Música Música do Tempo (2012)

Abro na página 50: “Bach, Paixão Segundo S. Mateus. Páscoa de… Sexta-feira Santa”.

O filósofo ouviu certa vez esta obra através de uma emissora americana com um dos seus irmãos, talvez António.

E. Lourenço escreve que “João Sebastião é a incarnação das harmonias esperadas pelo próprio Deus. Nenhuma expressão da humanidade tão próxima do país inominado da divindade (…) a magia humana de J.S.B. arranca-me por momentos da árida e solitária planície da Insignificação (…)”. [Read more…]

Era uma vez um rapaz…..

…para mi Weñe…ou Javier Max Raúl Isley

Conto de embalar para a minha descendência. Era uma vez um rapaz que não conseguia dormir. Ainda bebé e depois da mamada, dormir não conseguia. [Read more…]

O processo masculino-feminino

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Esqueçamos mais uma vez a nossa falência, falemos de amores e dos debates sobre as formas de amar que existem.

O grande debate do dia é: ser homem, ser mulher, namoro heterossexual, namoro do mesmo sexo, namoro entre o mais novo e o mais velho.

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Sinfonia n.º 4 de Brahms analisada por Bernstein

Brahms / Leonard Bernstein, 1957: uma análise da sinfonia n.º 4 em mi menor, Op. 98, de Brahms.

Uma pérola que encontrei há dias no Youtube.

Na mesma página do vídeo consta este sumário, que traduzi do inglês: [Read more…]

A real orquestra Sinfónica de Viena

Todos os anos, o mais belo espectáculo televiso, é transmitido no dia 1 !

É só despachar o almoço ( ainda cheios da noite anterior não custa nada ) procurar um lugar sossegado e deixar-se ir nas asas geniais da música de Mozart, Strauss, Malher, Haendel…

Num ambiente de uma beleza indescritivel, com gente bonita e culta que esgota a Ópera de Viena seis meses antes (belíssimo edificio, só para o visitar é preciso pagar, e nas suas cercanias actores vestidos a preceito, vendem e dão a conhecer tudo sobre a história daquele edificio) e executada por músicos exímios, a música de sempre tem um efeito de “levitação” que muito poucas vezes alcançamos.

A Companhia de bailado, com os artistas a dançarem nos largos e belos salões , a participação do público (profundamente conhecedor) em sintonia com a orquestra e o maestro (o maestro de hoje tem 83 anos), as vozes belíssimas dos jovens do “Coro de Viena ” todos com menos de catorze anos, constituem um espectáculo admirável que nunca perco.

E não acreditem que seja preciso saber música ou a história da música ou o ano de nascimento de Mozart…

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