Prémio Camões para Mia Couto

FLIP 2007

Pela segunda vez o júri acertou; Mia Couto, tal como Luandino Vieira, além da escrita recomeçaram a língua de outro continente para fora. Valem muito mais que papel pintado com tinta.

Falta o Mário de Carvalho, e os três escritores vivos que leio estariam premiados.  Pela rotatividade continental, espero que seja para o ano.

Adenda: sim, é o meu gosto pessoal, sem desprimor para com outros. A literatura gosta-se, come-se, mastiga-se, devora-se. Quem tem outro palato, problema seu.

Acordo ortográfico – a opinião de Mia Couto

Muito interessante a entrevista de Mia Couto ao i. Destaco, aqui, a resposta a uma pergunta sobre o acordo ortográfico:

Não sou um militante contra o acordo. Não me reconheci em algumas da razões que foram invocadas para chegar a este acordo, como por exemplo que este acordo facilitaria um melhor entendimento entre a língua. Sempre li livros do Brasil e com o maior prazer, pelo facto de eles terem uma grafia ligeiramente diferente. Os meus livros e os de Saramago são publicados com a grafia original e nunca ninguém se queixou. Acho inclusivamente que há uma diferença na grafia que só traz valor. Mas não faço guerra ao acordo. As nossas guerras são outras, é perceber porque é que nós, países de língua portuguesa como Portugal ou Moçambique, estamos tão distantes do Brasil, porque é que o Brasil está tão distante de nós. Por que razão é que um filme português no Brasil tem de ser legendado. Porque é que quando eu chego ao Brasil e digo que sou de Moçambique, ninguém sabe onde é ou o que é Moçambique.

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