Desumanidade premente

Enquanto os palestinianos carregavam o caixão onde se encontrava a jornalista da Aljazeera assassinada pelos militares da IDF, as mesmas forças armadas israelitas decidiram carregar sobre os palestinianos, dificultando o velório da jornalista.

O mundo caminha a passos largos para a total desumanidade, para a robotização da sociedade que nos faça tomar lados consoante nos dizem. E nós cá andamos, a gostar ou desgostar destes e daqueles, consoante tenham mais ou menos cor na pele, olhos escuros ou claros, sejam ou não europeus. Hoje, fala-se muito em “valores ocidentais”. Mas nos vinte e seis anos que tenho, vi zero de valor ocidental. Vi, isso sim, carnavais fora de tempo.

Aqui, nos territórios palestinianos ilegalmente ocupados pelo Estado de Israel, como por parte dos manda-chuva russos, não há Humanidade nenhuma. Há, apenas e só, jogo de poder, a tentativa do extermínio de uma nacionalidade. Tudo se torna mais chocante, quando semitas atacam semitas… e há quem ouse falar em anti-semitismo.

Caríssimos, anti-semitismo não é, pois os palestinianos são, também, um povo semita. Mas é apartheid. É ilegal. É crime contra a Humanidade.

Vamos agir ou ficar de braços cruzados, deixando que os sucessivos governos sionistas dos nacional-fascistas do Likud ou dos novos ultra-nacionalistas do fascista New Right (do actual Primeiro-ministro de Israel – aquele que disse em tempos, cito, “eu já matei muitos árabes e não há mal nenhum nisso”) assassinem aleatoriamente quem lhes apareça à frente?

Abaixo o apartheid. Palestina vencerá!

Fotografia: AFP.

De Kyiv a Jenin: abaixo a ocupação!

Fourth Palestinian dies after being shot by Israeli soldiers

Em menos de dois dias, as forças armadas israelitas mataram quatro palestinianos. Entre as vítimas mortais estão um adolescente (17 anos) e uma mãe, viúva, que deixa dois filhos órfãos (é provável que estes, como muitos outros, acabem integrados no exército israelita, depois de uma profícua lavagem cerebral). O apartheid israelita na Palestina e a ocupação ilegal tem de acabar. Israel tem de ser responsabilizado pelos crimes que vai cometendo livremente.

Aproveitando o caos na Ucrânia, legitimado tanto por Putin como por Zelensky, Israel voltou a atacar: em menos de 24h matou quatro pessoas, indiscriminadamente. A ocupação israelita nas terras da Palestina dura há mais de setenta anos. E nem as resoluções que dizem “Israel está a impor um apartheid e a cometer crimes de guerra” os param. Nem isso, nem ninguém, porque, aparentemente, há ocupações boas e ocupações más.

A ONU já reagiu. Pede “contenção”. Contenção, imagino, será matar apenas dois em vez de quatro de uma vez. Imagino eu. Pedir contenção não é suficiente. Imaginamos Putin aceder aos “pedidos de contenção” na invasão à Ucrânia? Tenho outra ideia não-peregrina: que tal impor sanções à economia israelita?

Quem olhar para o que a Federação Russa está a fazer na Ucrânia e depois olhe com seriedade para o que Israel está a fazer na Palestina, só pode escolher um lado: o lado do povo ocupado. O lado do povo ucraniano, o lado do povo da Palestina. Neste caso, a Rússia só invadiu… para ocupar. Israel já invadiu e já ocupou. As sanções à Rússia são tão legítimas como seriam as sanções a Israel. Mas por que razão uma ocupação é boa (Israel na Palestina) e uma ocupação é má (Rússia na Ucrânia)? Não vos sei responder, pois quem defende a ocupada Ucrânia mas depois defende o ocupador Israel, só pode ser mentecapto ou, em última instância, troglodita. Como não me enquadro em nenhum dos dois, deixo para que alguns comentadores o justifiquem.

O assassinato aleatório de palestinianos continuará. A ocupação israelita não parará. Israel não descansará enquanto não exterminar todo o sentimento e a identidade palestiniana. A solidariedade de quem se diz do lado da paz… bem, essa está reservada só para alguns. Espero que, tal como a Ucrânia tem direito à sua defesa, os palestinianos se consigam defender com o que têm à mão: escombros. Pode não magoar muito, mas se acertar num tanque israelita já será positivo. Defendam-se, nunca se rendam, o dia chegará:

Palestina vencerá!

Fotografia: AFP