Olhares sobre as legislativas 2015: Passos ganhou!

Ronaldo Bonacchi

A primeira coisa que me vem à cabeça é que aquela que queria ser uma piada por absurdo, dita em um “O Esplendor de Portugal” da Antena 1, não era assim tão absurda: falando das sondagens que o davam por vencedor eu disse que os eleitores portugueses são um pouco masoquistas, pois gostam que lhe batam mais, ou dito de outra forma parecida, sofrem de síndrome de Estocolmo, pois tem afeição para com aqueles que os fizeram reféns da Troika, que mesmo fora de Portugal, ficou bem representada por Passos, Portas e Cavaco.

Passos ganhou, mas não com maioria absoluta. Ganhou apesar do enorme aumento de impostos, das muitas privatizações e do parcial desmantelamento do estado social.
Se tivesse posto a sobretaxa IRS a 5% ou até 7% e o IVA a 25% ou até 30% e tivesse privatizado completamente saúde, educação e justiça provavelmente teria ganho com maioria absoluta. [Read more…]

Olhares sobre as legislativas 2015: Eleições 2015

Manuel Antunes

Votar ou não votar eis a questão. Não é votar neste ou naquele, é votar ou não votar. Em 2015 o dilema põe-se em saber como reagir, entre o dever cívico e de cidadania, de votar, e a sensação de náusea e de inutilidade. São mais de 40 anos de votos, de insultos entre as oposições e os governos sucessivos, de assaltos aos dinheiros públicos por políticos e seus afilhados, de criações de mais de 1200 Institutos, mais centenas de fundações, empresas e PPP, só nas duas últimas décadas, para meter lá mais de 5000 administradores públicos ou presidentes, e milhares de outros dirigentes, com um sem número de órgãos colegiais, muitos com quase 20 membros. Um exército de boys, sem fazer nada e a sugar a teta do erário público.

Institutos, fundações, empresas públicas e PPP que mais não são do que engenhosas formas de enganar o povo, de mentir e de forjar contabilidades. Uma corja de sanguessugas, de lacaios dos partidos, e dos seus dirigentes do “arco” da governação, ou seja do PS e do PSD. Isto, depois de 3 resgates financeiros em 40 anos –1979 e 1982, Mário Soares; e 2009-10, Sócrates! E tu e eu e todos nós carregados de impostos, taxas e sansões pecuniárias de toda a ordem para suportamos os próprios ladrões.

Depois disso tudo, a pergunta é essa, voto ou não voto?

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Olhares sobre as legislativas 2015: anúncio de emprego

Pólo Norte

Primeiro-Ministro
Anónimos- Portugal

O nosso cliente, país com elevado potencial mas profundamente descrente com o sistema vigente, está neste momento a recrutar para uma vaga para a função de primeiro-ministro. Se procura uma experiência na área de ressuscitação de um país em coma, esta oferta é para si!

Será responsável por:

  • Restabelecer a crença num futuro melhor a mais de dez milhões de portugueses
  • Gerir um país sem pedir a ajuda do público, dos 50/50, lá de casa ou do FMI
  • Governar com base naquilo que prometeu durante a campanha política e, consequentemente, razões pelas quais foi eleito e não governar ao lado sob o álibi de que a culpa é do Governo anterior, do Lobo Mau, da Madrasta Má da Branca de Neve ou do Coiote,
  • Estabelecer políticas reais de emprego, de empregabilidade, de estabilidade de contratos de trabalho, do fim da conivência com a precariedade, com a desvalorização da mão-de-obra, com a banalização do trabalho através de estágios não remunerados, estágios profissionais sem perspectiva de colocação efectiva, com falsos recibos-verdes
  • Ressuscitar o tecido empresarial, acreditando que uma tributação mais justa e um IVA mais baixo serão sempre melhores opções que lojas falidas, restaurantes fechados, insolvências em barda e leilões de bens confiscados vendidos ao desbarato
  • Analisar e elaborar propostas de implementação de políticas que devolvam a esta terra os jovens bem preparados academicamente e que se viram obrigados a pôr o seu saber ao serviço de outrem por via da emigração por falta de oportunidades num país que precisa deles
  • Garantir a continuidade e a sustentabilidade do país promovendo o apoio à instituição família, quer por via de políticas de incentivo à natalidade, de promoção do bem estar das famílias, de elaboração de políticas de educação que garantam a qualidade de vida das crianças e de respeito pelos idosos
  • Devolver o Ministério da Cultura e a própria cultura a um país que está em profundo síndrome de abstinência há 4 anos

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Olhares sobre as legislativas 2015: Cidadania subdesenvolvida

Ana Moreno

A abstenção é apenas uma das faces do estado imaturo em que se encontra o exercício da cidadania em Portugal. Mas ir votar é apenas uma das manifestações de cidadania, a mais pontual. De muitas outras, um exemplo bem actual que evidencia essa imaturidade é o facto de, a quatro dias de terminar o prazo da Iniciativa de Cidadania Europeia auto-organizada contra o Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento (TTIP), Portugal ser uma das 6 desonrosas excepções (juntamente com a Estónia, Lituânia, Letónia, Chipre e Malta) dos países europeus que ainda não conseguiram alcançar o quórum representativo para o país. Em todos os outros países europeus o respectivo quórum foi mais do que largamente ultrapassado e no total a Iniciativa foi já subscrita por mais de 2,9 milhões de europeus.

O tema de fundo de ambos os casos é o mesmo: o exercício da cidadania, que é a base de sustento de uma democracia viva, é minimalista, tosco, porque os cidadãos se recusam a ter uma participação vigorosa e organizada. Perante a dureza fuzilante de uma política de austeridade apontada contra os que menos têm, empobrecendo-os até à vergonha através da retracção crescente do estado social e do desemprego; perante a desapropriação e poluição do espaço nacional que a todos deveria pertencer, através de privatizações e concessões, como a concessão de direitos de prospecção e exploração de petróleo e gás natural em terra e no oceano ao largo da costa algarvia, a poucos quilómetros de áreas designadas de protecção e conservação; perante a proliferação de parcerias público-privadas que socializam os custos e privatizam os lucros; perante a ferida social e económica que representa a perda de jovens qualificados que emigram por receberem salários irrisórios, deixando os governantes indiferentes… perante tudo isto, uma grande parte da população acha que não tem nada que ir votar “porque são todos iguais” e outra grande parte vota nos mesmos ou quase, sabe-se lá porquê.

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Olhares sobre as legislativas 2015: Voto Útil, voto Inútil

Joana Lopes

V U 5

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“Olhares sobre as legislativas 2015” é uma série de perspectivas diferentes, políticas ou não, num espaço de temática marcadamente política. Escreva-nos.

Olhares sobre as legislativas 2015: Cristo desceu à terra

José Serrão

Queridos amigos xenófobos, simpatizantes de Duarte Lima, herdeiros dos torcionários da PIDE, viúvas de Salazar, adeptos da Troika, portadores de cérebros bafientos, tocadores de cassetes estafadas, filósofos de pacotilha, caciques ressabiados, frequentadores da revista Cristina, marialvas, totós, senhores penteadinhos, chicos-espertos e quejandos: Vou dar-vos esta notícia a preto e branco porque se me acabaram os lápis de cores: Cristo desceu à terra. Está escondido no bolso do Sr. Primeiro Ministro.

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Olhares sobre as legislativas 2015: Ao sprint

Márcio Candoso

As sondagens estão todas erradas, mas não tanto que não seja possível encontrar uma tendência. O PàF vai ganhar, perdendo mais de meio milhão de votos em relação às eleições de 2011, e o PS fica ali naquele limiar de quem nem sobe nem sai de baixo – também se diz de outra maneira, mas não é aqui o lugar e a hora.

Mas a ‘esquerda’ – ou lá o que é isso – vai ter mais deputados que a ‘direita’ – ou salvo seja. Lindo molho de bróculos!

Ou seja, o senhor gajo que vai faltar às comemorações do dia daquela coisa de que ele é presidente, vai ter uma decisão evidente, que é dar posse ao Passos&Portas, Lda. Mas verá cair nos dias seguintes o Governo que nomeou. Para os mais velhos, o nome de Nobre da Costa começa a soar no horizonte… [Read more…]

Olhares sobre as legislativas 2015: Nesta campanha valeu tudo!

Isabel Atalaia

Amnésia, tracking polls, crucifixos, ameaças, retratos salazarentos das mulheres, ameaça de caos, o espectro do senhor engenheiro e números, muitos números, números escondidos, números mentirosos, números torcidos. Tantos números que fiquei com a cabeça à roda. Incorrigível vi os debates, as reportagens de campanha, ouvi alguns “opinadores”, não todos… Sou eleitora, mas não mártir.  Li os programas eleitorais, de todos os partidos com representação parlamentar,  na parte que diz respeito à cultura. A minha doidice chega a este ponto.  Com honrosas excepções – só generalidades. [Read more…]

Olhares sobre as legislativas 2015: Hay gobierno? Se hay soy contra

Ana Cristina Leonardo

Diz que sacou de um crucifixo. O Passos. Na recta final, enquanto distribuia beijinhos por velhinhas acamadas e jurava que tinha muita fé nas pessoas (já a Cristas era mais fé que chovesse mas não me lembro se realmente choveu). Há dois anos, coube a Portas agradecer a “intervenção de Nossa Senhora” a respeito de uma coisa qualquer que metia marés e petroleiros.

[Como diria o António Nobre: “Georges! anda ver meu país de Marinheiros, / O meu país das naus, de esquadras e de frotas!”] [Read more…]

Olhares sobre as legislativas 2015: estabilidade e voto útil

Alex Gozblau

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Olhares sobre as legislativas 2015: O que as sondagens nos escondem

António Duarte

Para encontrarmos uma campanha eleitoral tão manipulada como a actual, teremos talvez de recuar até à recta final das presidenciais de 1980, marcadas pela morte trágica do primeiro-ministro Sá Carneiro três dias antes das eleições, quando a direita então no poder não se coibiu de transformar o funeral do seu líder numa indecorosa manifestação que prolongou a campanha pelo dia de reflexão: andaram durante cinco horas a passear o morto pelas ruas de Lisboa, com direito a transmissão televisiva, esperando obter com isso uma reviravolta eleitoral. Se era este o intuito, saiu gorado, pois Ramalho Eanes venceu contundentemente Soares Carneiro, o promitente corta-fitas escolhido à medida das ambições políticas de Sá Carneiro, com quase um milhão de votos de diferença.

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Olhares sobre as legislativas 2015: Uma história simples.

Luís M. Jorge

A menos que conquiste a maioria absoluta, o PS terá sempre uma derrota nas eleições de Domingo. Não causa surpresa que se tenha chegado até aqui. Primeiro o partido suportou Sócrates anos a fio sem oposição interna, excepto a trémula relutância de António José Seguro. A seguir à ruína, ao opróbrio e à ladroagem, o PS escolheu Seguro para tomar o lugar do animal feroz — mesmo sabendo que padecia de incapacidades cognitivas. Quando Portugal mais precisou de gente forte com ideias claras, viu subir ao escadote uma ave de capoeira que gritava monólogos interiores sem filtro e tirava selfies em parques de estacionamento desertos.

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Olhares sobre as legislativas 2015: Factos notados

Sérgio de Almeida Correia

Quaisquer que sejam os resultados finais do apuramento que vier a ser feito no dia 4 de Outubro, há, todavia, dez factos que ficarão a assinalar estas eleições:

 

Primo: Nunca umas eleições foram tão marcadas pelo passado. Não pelo passado próximo, não pelos últimos quatro anos de governação da coligação PSD/CDS-PP, mas pela imagem que ficou do período entre 2005 e 2011. Essa foi a aposta dos incumbentes, esse foi o erro de quem deixou que a discussão sobre o futuro resvalasse para esse ponto.

Secundo: Nunca os emigrantes foram tão mal tratados pelo Governo. Gozados num pretenso programa de retorno à pátria, alvo da ofertas de folhetos promocionais de um licor por parte do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, nas portagens de Vilar Formoso – como se já não houvesse mortes suficientes na estrada para que um membro do governo se associasse à promoção de uma bebida alcoólica junto dos automobilistas emigrantes -, e cerceados nos seus direitos de voto no círculo de Fora da Europa pela incompetência da máquina do MAI, com boletins de voto a chegarem na data de já estarem a caminho de Lisboa, as contas dos emigrantes ficaram baralhadas com o alargamento da base eleitoral. A solução foi evitar que os emigrantes votassem a tempo e horas e desvalorizar o seu voto.

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Olhares sobre as legislativas 2015: um não texto

A casinha da Boneca

Este é um não post, um não texto, um “não, estou farta desta gente, não mesmo”. Isto porque, sendo eu uma pessoa bem-disposta por natureza, falar de política aporrinha-me. Posso desde já confessar-me desiludida com este assunto e todos os seus intervenientes, sem exceção. E assim, recuso-me a dissertar sobre um tema que apenas me dá ganas que desapareça quanto antes da agenda. Mal posso esperar por domingo (sábado, aliás, se se cumprirem as regras) para que se calem todos de uma vez, que já não os posso ouvir. Estou desapontada com cada um deles, da esquerda à direita, passando pela casa do centro, com este sistema em que sabemos que, a cada troca, vamos ter mais do mesmo, diferente mas não tanto assim. Posto isto, reitero: recuso-me a falar sobre as eleições. Para coisas deprimentes, já basta ter um filho em pleno processo de controlo dos esfíncteres. O meu voto vai para enfiar uma rolha no puto até ele ter 15 anos.


“Olhares sobre as legislativas 2015”  é uma série de perspectivas diferentes, políticas ou não, num espaço de temática marcadamente política. Escreva-nos.

Olhares sobre as legislativas 2015: Paulo Guinote

Paulo Guinote

Quero, com a mesma convicção que em 2011 queria o afastamento do engenheiro Sócrates da governação, que a coligação seja derrotada e afastada do poder.

Mas não o quero para regressar ao passado ou para dar ao PS uma maioria que lhe permita ficar com as mãos soltas.

Como em qualquer democracia estável, acho que os governos de coligação são mais fiéis à vontade plural da maioria dos eleitores e não gosto de truques para dar poder absoluto a quem tem 35-40% de votos expressos. [Read more…]