Olhares sobre as legislativas 2015: Eleições 2015

Manuel Antunes

Votar ou não votar eis a questão. Não é votar neste ou naquele, é votar ou não votar. Em 2015 o dilema põe-se em saber como reagir, entre o dever cívico e de cidadania, de votar, e a sensação de náusea e de inutilidade. São mais de 40 anos de votos, de insultos entre as oposições e os governos sucessivos, de assaltos aos dinheiros públicos por políticos e seus afilhados, de criações de mais de 1200 Institutos, mais centenas de fundações, empresas e PPP, só nas duas últimas décadas, para meter lá mais de 5000 administradores públicos ou presidentes, e milhares de outros dirigentes, com um sem número de órgãos colegiais, muitos com quase 20 membros. Um exército de boys, sem fazer nada e a sugar a teta do erário público.

Institutos, fundações, empresas públicas e PPP que mais não são do que engenhosas formas de enganar o povo, de mentir e de forjar contabilidades. Uma corja de sanguessugas, de lacaios dos partidos, e dos seus dirigentes do “arco” da governação, ou seja do PS e do PSD. Isto, depois de 3 resgates financeiros em 40 anos –1979 e 1982, Mário Soares; e 2009-10, Sócrates! E tu e eu e todos nós carregados de impostos, taxas e sansões pecuniárias de toda a ordem para suportamos os próprios ladrões.

Depois disso tudo, a pergunta é essa, voto ou não voto?

As legislativas de 2015 são como as outras anteriores, em quase todos os aspectos, a saber, um exercício de guerrilha de putos de escola, de gangues e claques de gangues, agregados em clubes mafiosos, chamados partidos, chefiados, cada gangue pelo seu rufia, o rufia mor, o insultador mor, o matreiro mor, que comanda. O resto é maralha, carneirada com os olhos postos na côdea.

A esquerda-esquerda –leia-se o PS— deu-nos mais de 40 de enganos, e de esbanjamentos, de más leis, de maus hábitos, de má ética e de “complexo de esquerda”. Ou seja, um complexo de superioridade democrática, que permite ao seu pessoal ser maioritariamente arrogante, moralista –o bem são eles e o mal são os outros–, insultuoso e que, na falta de argumento, usa o vale tudo, nem que seja depor um camarada democraticamente eleito, honesto e capaz, como AJ Seguro.

Esta esquerda é do “laisser faire, laisser passer”. Que é como quem diz, deixa andar, a gente gasta, que, o governo que vier da oposição há-de lixar-se que fica com as favas. Eles que paguem.

A outra esquerda, a radical, é toda comunista, ou seja, partidária do sistema de partido único, de economia centralizada no Estado, tudo é do estado, estado pai, estado mãe, estado empresa, estado propriedade, estado educador, estado mentalizador, estado todo-poderoso, comandado por um ditador, que chefia o partido único. Um sistema de ditadura que vigorou desde 1917 até a Gorbachov, na década de 1990, e foi chefiado por ditadores desde Estaline, Lenine até Briesniev. Um regime que mandou fuzilar mais de 80 milhões de seres humanos, mais mortos do que da 2ª guerra mundial, –o holocausto comunista, tabu em Portugal– só porque não pensavam como eles. Ditadura que que Álvaro Cunhal já em 1930, antes do Estado Novo e de Salazar, andava a querer implantar em Portugal, e veio a implantar em 25 de Abril [à boleia de uns capitães de 3ª, que chegaram a esse posto à custa das campanhas em África, e que agora, para não serem ultrapassados por milicianos, se revoltaram contra os artigos 3º e 6º, dos 10 artigos do DL 353/73, de 13.07, a seguir alterados pelo DL 409/73, de 20.08. Eis a verdadeira origem do 25 de abril].

Como pode uma esquerda destas, mesmo que se pinte e queira renegar um passado assassino e tenebroso, defensora de um regime ditatorial, férreo, servil ao chefe e ao partido único, sem liberdade de expressão, de pensamento e de fé, querer o meu voto?

Como pode existir esta esquerda num estado de direito e ter um povo que vota nela? Que diferença tem ela das outras ditaduras? Em que é que a esquerda é mais que a direita?

Esta esquerda é por natureza desconfiada, e, julgando-se de uma casta de gente superior, reclama em exclusivo para si, a verdade, a perfeição, a justiça e a equidade social. Como vive da ideologia da “luta de classes” e se acha mais que todos os outros, não consegue viver onde não haja ódios, tensões, lutas. Para ela os culpados são “os outros”, os “capitalistas” –[a economia de mercado]–, “fascistas”, “reaccionários”, o “patronato” “explorador” dos trabalhadores. A sua cartilha, a sua técnica é o insulto a todos os adversários, a desinformação, a injúria, o argumento ad hominem. Não sabe ser serena, participativa, construtiva, educada, apaziguadora. Vive da afronta e da agitação. Para isso tem a Central –a Intersindical–, a decretar milhares e milhares de greves políticas sucessivas, para destruir o “capitalismo” e/ou endividar o Estado; seguida por uma turbe de trabalhadores guiados pela ignorância e pelo convencimento de que o Estado é que tem de zelar por eles, e por todos, e que eles não têm nada que fazer pelo Estado, nem pelo semelhante. O Estado que faça. A sua força é a agressão, a começar pela agressão verbal, as meias verdades, o ar de gozo, o insulto pessoal, o cavaco, o pedro, o paulo, o costa, o este o aquele. Se não agredir os outros esta esquerda não tem nada para dizer. Nem para dar.

Alguma esquerda, para se suster nas nuvens da utopia, erige bandeiras de temas que sabe que vão criar “lutas de classes” na sociedade. Como se os problemas deste país fossem essas bandeiras fracturantes e divisionistas do povo. E um povo que se acha culto, mas ignorante e cego, desinformado e acrítico, e sem amor à verdade, segue embevecido a máquina do/a chefe.

A esquerda, em geral, em Portugal, porta-se como putos invejosos e rufias de escola boolingnistas, com a língua de fora, a fazer caretas ao adversário. Não tem assento. Só pensa no poder, para encher os bolsos dos parceiros de quadrilha. Não no povo. Já foi assim com os biliões que dissipou na dita reforma agrária. Ou ela ou ninguém! É uma esquerda caviar. Uma esquerda rica, porque burguesa sempre foi, a começar por quase todos os seus secretários de parido. Votar na esquerda é votar num conceito gasto. Estafado. Inexistente. Tal como o de direita. Não há esquerda nem direita. E há muita esquerda à direita, e reaccionários de direita à esquerda.

Esta esquerda arruinou o país, as famílias, a começar pela descolonização, retornados, bem como as empresas, através de milhares de greves e aumentos insuportáveis pela economia de mercado, levando inúmeras empresas à falência –[lisnaves, setenaves, cuf, cabos de ávila,  fábrica oeiras, fundição de oeiras, estaleiros de setúbal, portimão, faro, viana do castelo, sorefame, aveiro, matosinhos, vila do conde, fabricas riopele, conservas e tantas mais]. E gerou milhares de milhões de prejuízos e de dívidas das empresas públicas, incluindo edp, ctt, tranpostes, rodoviário, ferroviário e aéreo [tap e sata], que estamos nós a pagar.

Esta esquerda radical é, por isso, uma das principais responsáveis pela dívida pública, e uma das causas do pedir sopinhas à EU, ao FM e ao BCE (troika)!

Voto ou não voto?

Olho à direita –desta suposta esquerda—, leia-se PSD, e a coisa pouco muda. Os mesmo tipo de gangues, de afilhados de associação de malfeitores. Desde que mataram Sá carneiro, –[episódio de fim de campanha de eleições]–, o clube meteu nele quantos cretinos, aventureiros e idiotas encontrou pelo país. Arrebanhou-os. Mas enquanto a esquerda-radical é desconfiada e a esquerda-esquerda é arrogante e convencida, a direita é confiante, balduchas, prosapiosa e pouco dada a escrutinar o que se passa à volta e por baixo das barbas do chefe. Acredita cegamente na honestidade dos seus. É um gangue, também de tipo mafioso, mas requintado. Fala bem, usa linguagem evasiva, gongórica, às curvinhas, não sabe falar a direito. Enfim a direita não fala português fluente e gosta de se enredar no jogo de palavras. Com isso, um/a ideota do clube, lembrou-se da ideia de PPP. O ruido da esquerda ajudou à ideia, estando tão a jeito o Hospital Fernando Fonseca, na Amadora –[a 1ª PPP]. E assim, com uma idiotice de um/a copo de leite universitário qualquer, a ideia colou e reproduziu. E o ps agarrou-a com unhas e dentes e multiplicou por 10 ou por 20. O fartar vilanagem, à esquerda e ao lado da esquerda, seguiu-se!

Esta direita confiante, não desconfia dos seus, nem que seja o próprio assassino que se prepara para lhe dar a facada. Ele levanta a faca, calcula a ocasião, dirige-se para o alvo e ela, ainda assim não acredita e pensa que é teatro. Nem que seja agora o estado islâmico eles dirão sempre que são “refugiados” e trabalhadores “como pão para a boca” [crianças e mulheres grávidas para o trabalho…]. Não conhecem o “trabalhador” e a lei do islâmico.

Esta direita gravita entre a ingenuidade, a vaidade e a idiotice. É pseudo-erudita. Aquele presépio que puseram no cimo da tribuna da Assembleia é o exemplo perfeito.

Esta direita sofre do “complexo de esquerda”, mas ao contrário. Ela acha que não pode dizer à esquerda todas as verdades e podres que a esquerda não quer ouvir, e perante as quais a esquerda se armaria em virgem púdica ofendida. Por isso, tem medo da esquerda. Tem medo que a esquerda lhe chame nomes impróprios. E sabe que a esquerda não tem escrúpulos e tão depressa diz que não fala do passado com o vai buscar a seu favor.

E anda nisto. Depois mete-se a fazer reformas a despeito dos interesses do povo. É uma direita –se é que existe direita e esquerda— meio cobardolas, meio desinteressada do verdadeiro povo, é meio titubeante.

Parece querer mudar de registo. Recebeu as favas que a esquerda lhe entregou, e parece querer recusar as mentiras. Mas é difícil acreditar, porque a direita não é só o líder, como a esquerda não é. Há todo um jogo subterrâneo, num lado e noutro que, ao fim de 40 anos de partidocracia, só apetece mas é dizer, vão todos bugiar!

Voto ou não voto?

O regime que temos não é democracia. É partidocracia, comandada por uma oligarquia de uma dúzia de pessoas. Não mais. Metado do povo não vota e a outra metade é dividida em partes, e quer a parte que governa quer a parte da oposição são menos de um terço dos portugueses.

O voto neste país serve para pôr no poder um programa eleitoral, sem o respectivo caderno de encargos, e um conjunto de elas e de eles para o executar, comandados à distância por jogos de interesses não eleitos.

O voto é o “sim” matrimonial que sela o contrato entre o votante e o programa eleitoral que o conjunto de eles e de elas diz que vai executar.

Só que, o contrato é um contrato de adesão. E as cláusulas do contrato, ou estão sumidas, ou em letra muito miudinha para não poder ser lido, ou só tem os cabeçalhos para depois ir sendo preenchido a gosto de eles e de elas e seus entes queridos. Donde, o voto é um “sim” num contrato sujeito à nulidade típica das cláusulas gerais, por abusivas.

No passado não constava de nenhum programa eleitoral de governo do ps ou do psd as leis de aborto, as leis do casamento gay, as leis de adopção, as leis de amnistia, as leis da droga, os indultos a traficantes de boa saúde, as leis sobre justiça, sobre segurança, sobre imigração, as leis do trabalho. Nada.

A esquerda e a direita traíram o “sim” contratual do voto, e esqueceram, abusivamente, que quem manda é a maioria do povo e deram satisfação às excentricidades de um nicho minoritário, contra a vontade da maioria –que nunca respeitam embora esta seja a essência das eleições em democracia.

Com muitos ou poucos votantes, com muita ou pouca abstenção, há sempre eleitos, e todos fazem isto mesmo. Pior ainda, não só não conhecemos o programa de governação –[muito menos o “caderno de encargos”]— de nenhum partido, como há partidos que não o possuem. Ninguém sabe ao certo, nem por aproximação, do que está ou não incluído nesse contrato.

Eis, portanto, um contrato nulo, por desconhecimento ou por inexistência das cláusulas, que mais não é do que um tiro no escuro. Ou em nós mesmos.

Portanto, votar para quê, eis a questão.

Quem governa, verdadeiramente este país?

As oposições servem para enredar e minar os caminhos. As oposições de esquerda são por natureza destrutivas. Elas estão convencidas de que o papel das oposições é destruir os governos. Jamais compreendem que, após eleições, ser oposição é ajudar a governar, através de crítica séria, honesta, objectiva e frontal, com apresentação de soluções alternativas. Não. Em Portugal oposição de esquerda é destruir tudo. Impedir de governar.

A direita na oposição tem medo, por via do “complexo de esquerda”, da governação de esquerda e do seu pedantismo. E já se repete tudo há 40 anos.

Quem governa verdadeiramente este país?

-São as oposições; que são do tipo destrutivo e não construtivo.

-São o grande poder financeiro e empresarial; ramificado nos partidos.

-São os secretários gerais de cada partido; o resto são acompanhantes.

-São os presidentes dos sindicatos; em particular da UGT e da CGTP.

-São os presidentes dos Institutos Públicos, das IPP e quejandos.

-São as maçonarias, quer se lhes chame loja quer se lhe chame igreja.

-São as universidades; cada vez mais cheias de imbecis doutorados.

-São os escritórios de advogados; que preenchidos com ou sem universitários.

-São os comentadores de TV; eles falam por todos nós e marcam o compasso.

-São as televisões; o jornalismo de TV dá a ressonância à agenda nacional.

Do mesmo modo, quem faz leis em Portugal, são os escritórios de advogados, são os próprios criminosos e a própria máfia, e são os mesmos que governam.

Estamos, assim, num sistema de governo comandado por poderes não eleitos, numa república de advogados [os de TV e grandes escritórios, que estão na raiz de quase todos os problemas, económicos, financeiros, feitura de leis, compadrio, má-fé, promiscuidade, na AR, no Governo e no poder financeiro] e uma república de televisões, caixa-de-ressonância dos interesses económicos e políticos da partidocracia. O povo, o verdadeiro, ninguém o respeita.

Voto ou não voto?

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“Olhares sobre as legislativas 2015” é uma série de perspectivas diferentes, políticas ou não, num espaço de temática marcadamente política. Escreva-nos.

Comments

  1. Maria João says:

    Talvez a melhor análise que li nos últimos tempos.

  2. Nightwish says:

    Que puta de salganhado de preconceitos. Não quer ouvir falar na luta de classes significa que a quer perder. Faça bom proveito.