Olhares sobre as legislativas 2015: Uma história simples.

Luís M. Jorge

A menos que conquiste a maioria absoluta, o PS terá sempre uma derrota nas eleições de Domingo. Não causa surpresa que se tenha chegado até aqui. Primeiro o partido suportou Sócrates anos a fio sem oposição interna, excepto a trémula relutância de António José Seguro. A seguir à ruína, ao opróbrio e à ladroagem, o PS escolheu Seguro para tomar o lugar do animal feroz — mesmo sabendo que padecia de incapacidades cognitivas. Quando Portugal mais precisou de gente forte com ideias claras, viu subir ao escadote uma ave de capoeira que gritava monólogos interiores sem filtro e tirava selfies em parques de estacionamento desertos.

Teria sido interessante descobrirmos se António José Seguro era um perigo para o país ou apenas para si próprio, mas estava na cara que não era um perigo para a direita. Entre manifestações de pesar dos amigos social-democratas, foi escorraçado a tempo das legislativas pelo menino de ouro da Câmara de Lisboa.

Hélas, o PS levou em ombros António Costa sem verificar a sua disposição para ir a jogo. Como Adel Taarabt no Benfica, ele apareceu gordo, alheado e pronto a dormir no banco até ao fim da temporada. Quando lhe disseram que a campanha ia ser feita, lá pediu um programa económico a um professor liberal. A coisa chegou repleta de cortes em subsídios e piscadelas de olho aos empresários da direita. Ninguém disse aos socialistas que o povo não quer um PSD fofinho para substituir o que temos.

Depois vieram as trapalhadas miúdas — os cartazes, a Maria de Belém, os estados de alma do filósofo de Saint-Germain, os barões, que não se calavam. Os eleitores parecem distraídos mas observam estas coisas de soslaio. E por acaso nem gostam.

A PAF, de cara lavada, respirou fundo quando apareceram uns fracos sinais de retoma. Como se diz em má publicidade, “o optimismo sabe melhor”. Toca de erguer bandeirinhas e fazer genuflexões. Desta vez nem o cheiro a Massamá desencorajou os centristas. A campanha da coligação é tão boa que os seus responsáveis deviam substituir Nuno Crato e Paula Teixeira da Cruz. Talvez houvesse educação e justiça, já que é tarde para a saúde.

No dia 4, já sabemos quem vai ganhar. Ou melhor, sabemos quem vai perder. Mesmo que o voto útil funcione, Costa comandará um Governo frágil apesar de tudo o que nos prometeu. E este é o único final feliz que conseguimos imaginar.

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“Olhares sobre as legislativas 2015”  é uma série de perspectivas diferentes, políticas ou não, num espaço de temática marcadamente política. Escreva-nos.

Comments


  1. Nem mais! 😉

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  1. […] convite dos autores do Aventar, publiquei este texto sobre as legislativas e as hipóteses do PS. Chamo-lhe “Uma História Simples”, mas podia ser “Uma História […]