Enxadas para que te quero!

Torna-se cada vez mais notória, a falta de consistência demonstrada pelos agentes políticos. Cada mês, cada desígnio, cada semana, cada objectivo. Se há uns tempos se falou no mar, agora volta-se o olhar para a agricultura, coisa tão sólida e viável a curto prazo, como a chegada a Orion.

Cavaco Silva foi um entusiasta de um certo tipo de modernização que passava antes de tudo, pelo obliterar de um passado que abusivamente confundia com atraso. Esse passado era uma montra de exposição de produtos agrícolas, de têxteis e pescas. Desapareceu. Trocaram-se alfaias agrícolas por jeeps e os filhos dos lavradores passaram a gerir cafés e croissanterias na periferia das grandes cidades. Idem quanto à frota pesqueira que virou Pescanova, pois no que aos têxtis se refere, as importções Zara, Mango ou Pull & Bear fizeram o resto.

Não se pode fazer passar a ideia de facilidade no regresso ao campo. As vilas estão despovoadas de gente jovem e aquilo que se investiu no autoestradismo militante, poderia ter sido aproveitado para criar as condições destinadas a garantir a permanência de gentes e actividades. Essa era a modernização desejável, até porque teria uma componente industrial – a tal maquinaria que denota a modernidade tão evocada – muito acentuada. É que sendo Portugal um país tradicional, a sua razão de ser aí está, precisamente naqueles sectores que Adam Smith nos apontava há mais de duzentos anos. No  entanto, torna-se impossível a satisfação de um capricho – porque é disso mesmo que hoje politicamente se fala – para agradar a potenciais estômagos roncantes de fome. Em suma, o medo vai-se instalando e para o contrariar, apresentam-se promessas recheadas de batatas, nabos ou grelos.

O novo governo bem poderá ir preparando o caminho que sem dúvida será longo e quase imperceptível. Talvez os bisnetos de Cavaco Silva tenham as condições materiais, anímicas, para esse regresso à terra. Por enquanto, contentemo-nos com A Portuguesa que, tal como ontem muito bem dizia Adriano Moreira, faz soar o necessário “sobre a terra, sobre o mar”. Sem isto, nada feito.

A Sala Oval


A propósito da bisbilhotice no WikiLeaks, consta que o sr. Cavaco Silva é vingativo e que o seu despeito quanto aos EUA, deve-se ao facto de jamais ter sido convidado para a Sala Oval. Não podemos crer!

Descaramento barrosão


Uma das questões que sempre se colocou à economia portuguesa, consiste no papel desempenhado pelo Estado como uma das essenciais ferramentas que garante o funcionamento do país como comunidade autónoma. Critique-se a sua função motora ou procure-se com ela terminar, voltamos sempre a um beco sem saída. De facto, a iniciativa privada portuguesa sempre do Estado dependeu e nele se apoiou para incipientemente medrar. De secretaria em secretaria, de ministérios em ministério, de almoço em almoço, os empresários lá vão conseguindo os urgentes óbulos que garantam o seu estatuto, permitindo depois, a recompensa dos benfeitores com cargos pós-políticos que estabeleçam rendas e um relativo fare niente prazenteiro. Daí, a total subsidiariedade relativa aos poderes públicos e a permanente osmose entre agentes económicos, financeiros e políticos, ser uma das características basilares desta construção nacional, não se adivinhando nem remotamente, uma alteração substancial nesse pressuposto.

[Read more…]

21 Milhões para Belém!

Esta também passou de fininho. Olarilololó, “Viva” a República… Numa época de contenção e sempre de “Falconaria para cá e Falconaria para lá”, chega agora a notícia do reforço da verba para a presidência da comemoracionista república. Gatucho escondidinho de rabo de fora, os módicos 17,7 milhões de Euros anuais, sobem às alturas do nirvana e atingem agora os 21 milhões. Algumas sugestões para a justificação deste bodo aos pobres:

1. Contratação de professores de etiqueta e protocolo do Estado.
2. Mais duas dúzias de assessores ventríloquos que estejam incumbidos dos discursos e apartes públicos dos residentes de Belém.
3. Renovação urgentíssima da frota automóvel que como se sabe, é velhota de 12 meses.
4. Contratação a tempo inteiro de José António Tenente e de Miguel Vieira.

*Aceitam-se mais sugestões que iremos acrescentando a esta lista.

O errático

«Eu não acredito que se chegue a uma situação de bancarrota, isso é qualquer coisa que nem nos deve passar pela cabeça. Era preciso que cometêssemos muitos, muitos erros. Não podemos comparar Portugal nem com a Grécia, nem com a Islândia nem tão pouco com a Irlanda. A nossa situação é mais favorável do que estes países”.

Erros? Mas tem o residente de Belém alguma dúvida acerca dos erros crassos que cometeu ao longo da sua carreira política? Que tipo de gente promoveu ao estatuto de “novos empreendedores”, que Estado nos deixou, que obras públicas executou, que políticas de renovação do tecido industrial, agrícola e da educação não fez ou desleixou? Não tem a consciência de ser uma parte fundamental do problema?

«Portugal não corre risco de falência, nem vai sair da Zona Euro».

Para afirmar tal coisa, é porque corremos sérios riscos disso mesmo.

Limusina+Falcon aos cavacos


Custa-nos perto de Dezoito Milhões de Euros por ano, aos quais se somam todas as despesas inerentes aos seus antecessores vivos. Comitivas enormes e restante acessorizing on the rocks, são parte integrante do estafadíssimo Esquema a que nos habituámos. A tudo isto teremos ainda de somar Cimeiras, eventos festivos fora de Palácio, ajudas de custo para o servicismo permanente, viagens de Estado e consequentes imprevistos técnicos, ciclónicos, vulcânicos, etc, etc, etc.

E se Sua Excelência fizesse precisamente aquilo para que serve um Chefe do Estado, ou seja, representar de quando em vez o nosso país? Bem sabemos que um chefe de Partido – mais ou menos oculto mas nem por isso menos evidente – terá sempre dificuldades para encarnar a totalidade do povo de um país quase milenar.

[Read more…]

O Checo sem papas na língua e Cavaco encavacado

O Presidente Cavaco sofreu um soco no estômago. Foi, de certeza, muito indigesto ouvir o homólogo checo, Václav Claus, classificar de ‘inimagináveis’ os deficits que alguns países atingiram – notícia SIC online.

Assumiu o aspecto de uma descortesia, embora sincera, da qual o Prof. Cavaco Silva se defendeu inabilmente. Retorquiu que o importante era estabilizar a situação na Grécia pelos perigos que ela comporta de contágio. Mesmo com aprumado respeito pelo protocolo, se o caso fosse para divertir, diríamos, a sorrir, ter-se tratado de troca de palavras entre duas personagens desentendidas nos discursos, mas hipócrita e simultaneamente cordiais entre si. Na cruel linguagem popular, talvez alguém ousasse dizer tratar-se de uma conversa de doidos.

A tese do contágio grego, à laia da ‘gripe das aves’ ou do H1N1, é no mínimo disparatada. Se o nosso PR, ou algum seu conselheiro, tivesse lido hoje New Yor Times, julgo que teria tido outra postura perante a crítica de Claus. Olhava para o lado e falava do tempo, por exemplo. É que a débil situação de Portugal, para além de muito preocupante para os portugueses, é notícia que corre mundo e não pode varrer-se para debaixo do tapete do ‘contágio grego’.