Premiar o Abandono, Castigar o Cultivo

As causas do estado da floresta portuguesa estão mais do que discutidas, como se disse no Domingo, no Público, “Não há rigorosamente nada de novo a dizer“. Apesar disso e sem menosprezar todos os outros factores que contribuem para a presente situação, penso que vale a pena destacar a seguinte a opinião de Pedro Bingre do Amaral sobre o ordenamento das florestas e a responsabilização dos proprietários:

Duplo pensar na política – o CDS e a propriedade privada

pousio

“CDS acusa Governo de estar a atingir o coração da propriedade privada”, lê-se na comunicação social sobre um eventual novo imposto sobre as doações. Muito bem, vamos lá defender os portugueses do papão Estado, que come tudo e não deixa nada. Imagine-se, por exemplo, se as terras, ícone da propriedade privada, ficassem na mira deste guloso mostro. O que faria o CDS, o ex-partido da terra? Discursos inflamados, cheios de um ar mais sisudo do que teriam numa segunda revolução dos cravos, seria o mínimo que se poderia esperar. O Observador e a Helena Matos fariam a reportagem sobre os abusos estatais, o Camilo Lourenço traria os números da situação e alguém com jeito para a piadola faria uma fotomontagem sobre “outro” conselho do Costa. A fórmula usada e abusada da desacreditação, forjada com a reportagem opinativa, tornada séria com números e ridicularizada com sarcasmo.

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O dogma dos direitos adquiridos

Ao que parece a ministra da Justiça decidiu legislar contra a crise, cortando nas gorduras inúteis do estado e promovendo a solidariedade social, dois em um que se obtém acabando com os longos processos em tribunal porque um sem-abrigo rouba um pacote de bolachas ou um sabonete.

A direita já lhe chamou de socialista para baixo (a direita não faz a mínima ideia do que é o socialismo mas gosta de usar a palavra como insulto, a sua imitação do clássico “fácista”), horrorizada, como diria Noronha de Nascimento, com a perda do direito adquirido à propriedade privada, neste caso em formato microscópico. Quando as hordas de pobres lhes invadirem as macro-propriedades vão ter outro colapso, tipo 75. Habituem-se, saiam da zona de conforto, emigrem para a Alemanha e deixem-se de pieguices.