Estado, burocracia, governantes, a tralha do costume…

Não satisfeito por  cobrar IVA sobre donativos, mesmo que depois tenha garantido canalizar as receitas obtidas com o roubo imposto para a protecção civil, o governo ainda chamou a si a gestão do dinheiro obtido com a generosa contribuição solidária dos portugueses, através da criação de Fundo financeiro. À boa maneira lusa, a burocracia atrasa a ajuda, praticamente um mês decorrido após a tragédia, ajuda às populações afectadas nem vê-la. Não é com abraços, afectos ou palavras, mas com acção que se pode retornar à normalidade, se é que isso algum dia será possível. Um verdadeiro lixo este país, governado por trastes ao serviço de parasitas…

Os suicídios de Pedrógão Grande, ou Como levar Portugal a sério 

Foto: Nuno Veiga/Lusa@Funchal Notícias

Pedro Passos Coelho deslocou-se a Pedrógão Grande para fazer política e não resistiu à tentação do dividendo fácil pós-tragédia. Após ter sido briefado por João Marques (PSD), um “dinossauro” autárquico que governou o município fustigado pelas chamas entre 1997 e 2013, posteriormente afastado pela lei da limitação de mandatos e novamente candidato este ano, depois de curto interregno como provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão, Pedro Passos Coelho agarrou a oportunidade e decidiu roubar os holofotes ao jornalista Sebastião:

eu tenho conhecimento já de vítimas indirectas deste processo, pessoas que puseram termo à vida, pessoas que em desespero se suicidaram, e que não receberam em tempo o apoio psicológico que deveria ter existido

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Factos alternativos em Pedrógão Grande

Vários órgãos de comunicação social, senão mesmo todos, noticiaram na passada Terça-feira a queda de um avião que combatia o fogo em Pedrógão Grande. As horas foram passando, os detalhes chocantes acumulavam-se e até testemunhas apareceram. A coisa foi de tal forma grave que o próprio comando operacional terá colocado em marcha uma operação de busca e salvamento, mobilizando para isso meios aéreos e uma equipa do INEM, alegadamente concentrados na área noticiada pela imprensa. [Read more…]

E ninguém se demite?

Segundo o PSD, um bombeiro ferido com gravidade no incêndio de Pedrógão Grande teve que esperar cerca de 10 horas até chegar ao hospital.  Pelo caminho, contam-se duas idas ao centro de saúde de Castanheira de Pera, unidade sem condições para tratar o bombeiro Rui Rosinha, que acabaria por dar entrada no Hospital da Prelada por volta das 06h de Domingo.

A confirmar-se o relato, estamos perante uma situação de absoluta gravidade, que deve ser alvo de um rigoroso inquérito para que as responsabilidades sejam devidamente apuradas. Não é compreensível que uma situação destas aconteça. Não é aceitável que um bombeiro gravemente ferido espere 10 horas por tratamento adequado. Não é admissível que tudo isto aconteça sem que rolem cabeças. Os ministérios da Saúde e da Administração Interna têm explicações a dar ao país.

Foto: Lusa@RTP

Premiar o Abandono, Castigar o Cultivo

As causas do estado da floresta portuguesa estão mais do que discutidas, como se disse no Domingo, no Público, “Não há rigorosamente nada de novo a dizer“. Apesar disso e sem menosprezar todos os outros factores que contribuem para a presente situação, penso que vale a pena destacar a seguinte a opinião de Pedro Bingre do Amaral sobre o ordenamento das florestas e a responsabilização dos proprietários:

É preciso evitar falar em responsáveis

A verdade sobre o que aconteceu em Pedrógão é insuportável. É esse o motivo pelo qual os agentes políticos e os seus porta-vozes evitam, a todo o custo, falar em responsabilidades. Foi conhecendo já a verdade insuportável que o Presidente da República se apressou a dizer que “fez-se o máximo que se podia ter feito”. Mas não fez. E a própria declaração apressada do Presidente foi o primeiro sinal de que uma gravíssima negligência tinha ocorrido e que a estratégia de protecção mútua dos responsáveis políticos tinha começado.

Enquanto os bombeiros apagam o fogo e as televisões facturam, por detrás da cortina há reuniões permanentes de gabinetes, encontros assessorados por empresas especializadas na gestão da comunicação em ocasiões de crise, há snipers anónimos espalhados pelas redes sociais, cooptados nas juventudes ou entre dirigentes partidários arruaceiros contumazes, mais propensos à cacetada e ao vernáculo de taberna, cuja missão é insultar quem questione a palavra de ordem: é preciso proteger a imagem do governo. É preciso evitar que se fale em responsáveis. Daqui a uma semana já ninguém se lembra disto.

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Pedrógão, conhecer é lembrar

O ministro Capoulas dos Santos atribuiu hoje a tragédia de Pedrógão a fenómenos meteorológicos paranormais.
Há aspectos em que este governo se está a tornar melhor do que o anterior. Um deles é a falta de vergonha.

Notícia de 18 de Maio de 2017:

“4 horas à espera do 112”

Em Pedrógão. Lá no fundo. Lá longe.

Falha total do sistema de Protecção Civil

© Expresso

A consternação, cada um que a viva a sós consigo, para que ninguém mais possa avaliar a sinceridade com que o faz.
A denúncia da tentativa de desresponsabilização imediatamente iniciada por governantes e políticos, essa, deve ser pública e sem tréguas.

Há vários factos inéditos nesta tragédia. Um deles é a imediata resposta do sistema de propaganda e contra-informação que, de modo muito eficaz, procurou culpabilizar a trovoada seca e os relâmpagos pela absoluta inaptidão dos meios de protecção civil, inaptidão essa que ainda há poucos dias foi denunciada, pela segunda vez, pelo presidente da Câmara Municipal de Vila Real e líder dos autarcas socialistas, a propósito do acidente ocorrido no túnel do Marão que, felizmente, causou apenas danos materiais. Desta vez.

A “optimização de recursos” e o governo do país guiado pelas folhas de Excel tem os seus custos. Por vezes incomportáveis, como é o caso vertente. Em ano de eleições autárquicas, seria importante avaliar a quantidade de dinheiros públicos que estão a ser desviados para festas, festivais culturais, conferências sobre investimento inteligente, inaugurações de pedras, subsídios a instituições para compra de votos, pagamento a snipers anónimos que campeiam pelos blogues, perfis falsos de feicebuque, compra de meios de comunicação locais e o mais que constitui o regabofe dos orçamentos autárquicos em ano de eleições, ao mesmo tempo a que se assiste à degradação contínua dos serviços públicos e ao abandono do interior do país.

Sábado, 17 de Junho de 2017, cerca das 9h00, quase toda a comunicação social fez eco do aviso lançado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera, que colocou quatro distritos em Alerta Vermelho, prevendo temperaturas de 44 graus para algumas zonas do país e elevado risco de incêndio em praticamente todo o território, com natural agravamento nas zonas do interior.

Eram 14h00 quando o incêndio teve início, em Escalos Fundeiros, no concelho de Pedrógão Grande. Só às 19h00 o IC8 foi cortado, entre a zona industrial de Pedrógão e o nó de Outão. Estavam no terreno 180 bombeiros, dois meios aéreos e 52 viaturas, num dos maiores incêndios de sempre em Portugal. A Barragem do Cabril, um imenso reservatório de água, fica a escassos dois ou três quilómetros do centro de Pedrógão Grande.

Às 21h30, já com várias aldeias cercadas pelas chamas, um bombeiro desaparecido, vários feridos entre civis, o Presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande afirma: “É impossível acudirmos a todas as aldeias. Estamos a todo o custo a ver se nos chegam bombeiros de Lisboa”.

Às 23h45, quase dez horas depois do início do incêndio, o Secretário de Estado Jorge Gomes fala e confirma a morte de, pelo menos, 19 civis.

Às 00h35 o primeiro-ministro chega à Autoridade Nacional de Protecção Civil. Cinco minutos depois, chega o Presidente da República a Pedrógão Grande, afirmando que “se fez o máximo que se podia ter feito”.

Às 5h00 o Governo declara “estado de contingência activa”, explicando que “isso torna possível o acesso a mais meios e a outras possibilidades” (!)

Às 9h00 confirma-se a existência de 43 vítimas mortais.

Às 10h00 estavam no terreno, segundo o jornal Expresso, “cerca de 800 operacionais, apoiados por 244 viaturas”. Quando chegaram, não se sabe.

Às 10h10 o director da Polícia Judiciária afirma ter sido encontrada “a árvore que foi atingida por um raio”, alegadamente responsável pelo maior e mais mortífero incêndio de que há memória em Portugal.

Às 10h30, cerca de vinte horas depois de ter início o incêndio, chegam meios aéreos de Espanha e estão a caminho três aviões fornecidos pela República Francesa.

Às 13h30 o governo decreta três dias de luto.

 

Paulo Fernandes, do departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em declarações à RTP, afirma que houve uma “falha total do nosso sistema de proteção civil”. Em causa, por exemplo, “o não encerramento de algumas estradas ao trânsito” e o facto de “não haver um único meteorologista especializado em incêndios florestais que esteja a trabalhar em situação operacional.

 

O que fazer para ajudar bombeiros e vítimas?

Segue a transcrição do texto de Andreia Sanches e Sérgio B. Gomes, no Público. Convém prestar atenção às actualizações.

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Muitas pessoas questionam-se sobre [Read more…]

O abraço do Presidente

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Há quem afirme conhecer pessoalmente o Presidente da República e assegure que o seu Abraço ao homem em sofrimento foi genuíno, porque Marcelo Rebelo de Sousa é mesmo assim, fraterno, espontâneo, empático.
Não duvido.
O problema não está no Abraço. Está em fotografá-lo.

Horror

Madeira

Foto: Gregório Cunha/Lusa@DN

Coincidências

coincidencias

No Porto.

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EN 103, Barcelos, ontem à tarde.

Barcelos, capital do fogo e da água

Os Fogos São Chatos