O Tempo das hienas

Há uns anos, apareceu na Europa um movimento – chamemos-lhe assim – com o nome de Zeitgeist, uma palavra da língua alemã que pode ser traduzida por Espírito do Tempo. O principal instrumento de comunicação deste movimento foi um documentário, um filme, com o mesmo nome, produzido por Peter Joseph, que abordava, na mesma linha argumentativa, temas como a História do Cristianismo, os ataques de 11 de Setembro, a Federal Reserve, a Guerra e aquilo que ficou conhecido por NWO, a sigla inglesa da Nova Ordem Mundial.

O filme teve um impacto muito significativo em certos meios internacionais e ajudou, de algum modo, a estabelecer e promover uma leitura da História que não era comum encontrar-se nos ambientes ortodoxos do mainstream que, normalmente, veiculam uma narrativa histórica estabelecida de acordo com padrões ideológicos pré-definidos, que servem de cimento psico-político e psico-social à mais poderosa estrutura de poder instalada no mundo, que é, de facto, uma Religião que dá pelo nome de Protestantismo, e cujo Deus, o seu instrumento mágico, espiritual e operativo fundamental, é o Dinheiro.

A verdade é que, sob a aparência de uma sociedade laica, totalmente dessacralizada, com Instituições “profanas” depositárias do Poder terreno e corporizadas num Estado que se afirma separado das Igrejas e dos cultos confessionais, aquilo a que realmente assistimos é uma exímia e poderosíssima expansão global do poder Protestante, que soube, como nenhuma outra religião, adoptar as transfigurações simbólicas e mitológicas adequadas no sentido de conferir aparência secular e profana a estruturas que, na verdade, assentam em rituais, símbolos e arquétipos religiosos, alguns dos quais mágicos, cuja origem se estabeleceu in illo tempore.

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O nome e a coisa nomeada

Partido Trabalhista da Holanda. Um Punho na Rosa. Um homem sério. Trabalhador. Isto, sim.

O regresso da Rosa

A Rosa reapareceu na Informação da RTP3.
É o 18 e são falsos. É o PSD de dentro, de dentro do PS.

A etimologia, o latim, o futuro

Com dedicatória ao meu amigo Fernando Nabais e suas declinações ortográficas.

o meu poema azul

 

(adão cruz)

 Não sei fazer uma rosa nem me interessa

não sei descer à cidade  cantando

nem é grande a pena minha.

Não sei comer do prato dos outros nem quero

não sei parar o fluir dos dias e das noites

nem isso me apoquenta

não sei recriar o brilho do poema azul…

…e isso dá-me vontade de morrer.

Procuro para além das sílabas e dos versos

a voz poderosa mais vizinha do silêncio

o meu poema azul…

o suspiro de Outono onde a brisa se aninha

no breve silêncio do perfume do alecrim.

Lugar das palavras e dos versos

no caminho do teu rosto junto ao rio dos teus olhos

onde a vida se faz  poema

e o mar se deita nos lençóis de luz do fim do dia.

Procuro para lá das sílabas e dos versos

encontrar meu barco à entrada do mar

onde repousa teu corpo entre algas e maresia

meu amor perdido num campo de violetas.

O meu poema é tudo isto

que me vive que me ilude que me prende

ao lugar azul que procuro dia e noite

por entre os versos do meu ser.

O poema mais lindo da minha vida ainda não nasceu

não tem asas nem olhos nem sentimento

que o traga um dia o vento se vento houver

que a saudade o encontre onde ele estiver.

Dizem que no cimo dos pinheiros ainda é primavera

mas tão alto não chego.

Mais à mão

molho a minha camisa primaveril

no regato cristalino

que vai correndo por entre os dedos

num solo de violino.

Vestido de tempo sem espaço e de espaço sem tempo

tento fundir a neve com o calor da nudez

em versos que tecem mais tarde ou mais cedo

o mundo das sombras.

Não sei colher uma rosa

nem sei descer à cidade cantando

sou apenas aquele que ontem dormia

sobre um poema azul

e das asas da ilusão se desprendia.

Sou aquele que ontem se despia

nos braços do poema que vivia.

Sou aquele que ontem habitava

em silêncio

o poema que acontecia.

Sou aquele que ontem sonhou… 

em vão…

com o poema azul de mais um dia.

Como Se Fora Um Conto – Rosa de Porcelana Pintada

CONTA-SE NA MINHA FAMÍLIA

No princípio do século vinte os hotéis e pensões tinham quartos para alugar que não possuíam quarto de banho. Este situava-se normalmente ao fundo do corredor e servia todos os quartos desse andar. Havia até pensões que tinham um só quarto de banho para os diversos andares dos quartos.

Na minha família havia um Padre. Quase todas as famílias tinham pelo menos um. Este, pelos anos vinte do século, era já entrado na idade. Teria bem mais de sessenta anos.

O Tio Padre, fazia palestras e orava em muitos locais para onde era convidado. Um dia teve de se deslocar a Chaves, em pleno Inverno, para falar, a convite de uma qualquer organização. Foi de Paços de Ferreira, onde residia, para Chaves, de charrete, como era hábito naquelas alturas.

Chegou a Chaves já o dia tinha acabado havia muito tempo, [Read more…]

Reabriu o ‘Café Central’

Inúmeras cidades e vilas do País têm o seu ‘Café Central’. Sem dispensar a fotografia do fundador numa parede, é sala de visitas de forasteiros e, em simultâneo, local de convívio e cultivo social e político das personalidades mais distintas da terra. Nos tempos da ditadura, as tertúlias dividiam-se entre apoiantes e opositores do regime. Havia também grupos de gente dedicada, sobretudo, a bate-papos futebolísticos.

O ambiente político-social transformou-se e suscitou metamorfoses e arrumações dos relacionamentos entre a clientela politizada de qualquer Café Central. Sumariamente, pode dizer-se que, após alguma refrega, consagraram-se duas grandes tribos rivais: uma chamada “rosa” e outra “laranja”. A escolha de cores, ao que se dizia, era de natureza partidária; mas é questão de mero preciosismo.

O ‘Café Central’ da minha vila passou por diversas vicissitudes; fechou e acaba de iniciar a reabertura. O encerramento, por considerável intervalo de tempo, é justificado por conflitos de interesses e ambições entre as tribos “rosa” e “laranja”. Ambas perseguiam idêntico objectivo: ter uma posição de domínio sobre a rival nas mesas e nos lugares do café. Contudo, o fecho não sossegou espíritos nem trouxe maior tranquilidade à comunidade. À falta do ‘Central’, os boatos, as verdades, os ditos e contra-ditos desceram à rua e às páginas dos jornais da terra que, desgraçada, entrou numa espiral de endividamento.

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