Eu vi o debate Hollande/Sarkozy. Eu vi Hollande seguro de si, em pose presidencial, encostar Sarkozy a um canto. Eu vi Sarkozy perder a compostura e chamar pequeno caluniador a Hollande. Vi chamar-lhe Pôncio Pilatos. Vi Hollande quase hirto, de braços cruzados sobre o peito, avançar argumento atrás de argumento enquanto Sarkozy se desmanchava na cadeira em sofrida incomodidade. Eu vi os olhos de Sarkozy buscando compreensão e socorro. Vi aquela série fulminante de estocadas “Moi, président de la république,…”. Vi a surpresa e admiração no rosto dos jornalistas face a Hollande. Eu vi que, para a Europa, não é indiferente a eleição de um ou de outro. Vi aquele a quem chamavam frouxo tornar-se forte e o dito forte afrouxar. Vi que ambos se passeiam com antigos cadáveres no armário. Eu vi.
E vi que, até para Portugal, é mais importante esta eleição do que uma qualquer eleição presidencial entre portas, mesmo que os portugueses possam pensar o contrário. O senhor que se sentar no Eliseu vai determinar mais as nossas vidas do que quem quer que se sente em Belém. Eu vi o debate Hollande/Sarkozy e gostei mais da Europa a que Hollande se refere. Domingo, os franceses escolherão.







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