Boas notícias que chegam de Istambul

Erdogan bem tentou, mas a repetição do escrutínio apenas veio aprofundar os números da derrota eleitoral. Que seja o princípio do fim para o autoritário presidente turco.

Notícias do sultão do Bósforo

Claro que o sultão do Bósforo não iria conseguir suportar a ferroada que lhe provocou a vitória, em Istambul, do maior partido da oposição nas últimas eleições municipais, após 25 anos de domínio do seu Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP). “Quem ganha Istambul, ganha a Turquia”, havia ao longo dos tempos dito e repetido Recep Tayyip Erdogan, ele que, na década de 1990, também foi presidente da câmara de Istambul, a cidade onde vive um quinto da população do país.

Seguiu-se o pressionamento da comissão eleitoral, até que esta (após contagens e recontagens que não alteraram o resultado final) acabou por anular a eleição – note-se: apenas esta que não conveio ao sultão. Nas dos conselhos municipais, que ocorreram na mesma ocasião, mas lhe correram de feição, nessas já não houve irregularidades… apesar de terem sido realizadas com as mesmas pessoas e de os boletins de voto estarem todos no mesmo envelope, colocados na mesma urna. Foi assim convocada nova votação para o próximo dia 23 de Junho, altura em que muitos turcos estão de férias e não poderão votar (só se pode votar presencialmente). É uma vitória que dói fundo ao déspota, que durante a campanha eleitoral andou a fazer propaganda pelo AKP no avião presidencial; e que foi conseguida apesar de a presença do AKP nos meios de comunicação ter sido pelo menos dez vezes maior do que a dos outros partidos. [Read more…]

Jornalismo independente é crime

Imagem retirada do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2018

Ontem, um tribunal turco condenou a penas de prisão de dois anos e meio a oito anos vários colaboradores do jornal da oposição Cumhuriyet, num processo emblemático da erosão da liberdade de imprensa na Turquia.

Com mais de uma centena e meia de jornalistas encarcerados, a Turquia é, no ranking dos Repórteres sem Fronteiras, “a maior prisão do mundo para os profissionais dos meios de comunicação”.

O sultão do Bósforo anunciou a semana passada a antecipação das eleições presidenciais e legislativas para 24 de Junho, um ano e meio antes da data prevista. Dá-lhe mais jeito.

Nota: No âmbito das ajudas de pré-adesão à UE está previsto para a Turquia um montante total de 11,69 mil milhões de euros (valor indicativo), do qual, para o período actual (2014 a 2020) está prevista a atribuição de 4,45 mil milhões de euros (valor indicativo).

Para a promoção do sector „Democracia e Estado de Direito” foram alocados 780,5 milhões de euros, tendo já sido desembolsados 193,6 milhões de euros.(Informação prestada pelo Bundestag, a 15 de Junho de 2017)

Negociata de “gestão” de refugiados inteiramente à parte.

Bombaças do sultão do Bósforo

Digo a todos os meus compatriotas na Alemanha: Não apoiem o CDU, nem o SPD, nem os Verdes! São todos inimigos da Turquia”, declarou a semana passada o presidente turco, instando a comunidade turca na Alemanha – com os seus 1,25 milhões de eleitores inscritos – a não votar em nenhum dos três maiores partidos nas eleições legislativas de 24 de Setembro. E como é de esperar nesta cepa de homens cuja virilidade se enfoca numa sensibilidade exacerbada àquilo que entende por sua honra e numa desmedida ambição de poder,  acrescentou: “Trata-se de uma luta pela honra de todos os nossos cidadãos que vivem na Alemanha”.

Esta foi mais uma conta no longo rosário da subida de tensão entre os dois governos. [Read more…]

Valores limitados

Recep-Tayyip-ErdoganFoto: AP

A democracia é um comboio do qual se desce quando se chega ao destino”, Erdogan nunca deixou dúvidas quanto à sua convicção anti-democrática e, desde a fracassada tentativa de golpe, tem carta branca para a “caça às bruxas” que já levou à prisão mais de 40.000 pessoas – entre as quais militares, juízes, jornalistas, professores, polícias – e à suspensão de 80.000 funcionários públicos. As cadeias estão de tal modo sobrelotadas, que o governo anunciou que irá libertar 38.000 prisioneiros detidos antes do golpe, para arranjar lugar para todos os supostos simpatizantes do movimento Gülen, ao qual Erdogan achou por bem atribuir a tentativa de golpe. Segundo Erdogan, o golpe foi “um presente de Alá”, que o legitima a dar largas às ganas de liquidar tudo o que se lhe oponha, falando de expurgação, punição exemplar e de reintrodução da pena de morte. Para tudo isto Erdogan conta com o apoio ilimitado de uma substancial parte da população turca. No regresso a Istambul após a debelação do golpe, Erdogan foi recebido por milhares de pessoas no aeroporto, muitas das quais bradando “ordena-o e mataremos, ordena-o e morreremos”, e, sucessivamente, “Alá é grande!”. À gigantesca manifestação orquestrada pelo presidente três semanas depois do golpe, acorreram mais de um milhão de pessoas. Quem ainda se atreve a ter uma posição crítica, tem o destino marcado. A divisão de poderes foi desmantelada, a Turquia a caminho da ditadura.
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Ditaduras acarinhadas pela direita nacional

TU

Se eu seguisse a cartilha de uns quantos académicos do ministério da propaganda, que catalogam de socialista tudo o que mexe à esquerda, como se o Syriza, o PS e a catástrofe venezuelana fossem a mesma coisa, diria que o que se passa na Turquia é o neoliberalismo em todo o seu esplendor, bastando para isso recorrer ao mesmo argumento dos iluminados – o facto do AKP de Erdogan ser um partido de direita, conservador e apologista do liberalismo económico. [Read more…]

Je ne suis pas turc

je ne suis pas turc

Carta do Canadá – Sombra dos nossos dias

Na Europa e no Mundo, não estamos a viver dias claros e límpidos. Somam-se as sombras da angústia, da preocupação, da incerteza.

Erdogan, o ditador turco cujas subterrâneas simpatias pelo Daesh são tão inexplicadas como as suas opiniões fanáticas acerca das mulheres que estudam, trabalham e vestem à ocidental, acaba de decretar o estado de emergência por três meses – depois dum golpe militar de origem mais do que suspeita que ele aproveitou para caír como um milhafre sobre a população. Tem sido um trágico cortejo de prisões e despedimentos de militares, magistrados, professores e jornalistas. Alguns turcos que fugiram para o mundo livre fazem saber, através das televisões, que há populares decapitando opositores de Erdogan na ponte do Bósforo. Tal qual fazem os membros da seita Daesh, a que não esconde querer estender o Califado à Europa ao mesmo tempo que as suas hostes são bombardeadas e dizimadas no Médio Oriente. Os sequazes de Erdogan que enchem as ruas de Istambul não precisam que a pena de morte seja instituída, por via parlamentar. Já a praticam. Impunemente.
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Às portas da União

Erdogan

Golpe de Estado ou encenação, o poder de Erdogan sai reforçado e a União Europeia fragiliza-se perante um estado a quem entregou 3000 milhões de euros para controlar os fluxos migratórios de refugiados sírios, acompanhados de promessas de um novo impulso nas negociações para a adesão da Turquia. A mesma Turquia que pretende agora reinstituir a pena de morte, cenário incompatível com a adesão mas apreciado por ditadores locais como Viktor Orbán. E enquanto a fronteira leste da Europa se radicaliza de forma aterradora, os donos da União brincam à austeridade, castigando exemplarmente as ovelhas tresmalhadas do sul. Entretanto, em Ancara, a purga de Erdogan soma e segue. E, segundo o comissário europeu Johannes Hahn, o regime turco já tinha em sua posse a lista de alegados golpistas, mesmo antes do caos se instalar. Mas isso não interessa para nada, pois não?

“O Presente de Deus”, por José Goulão

Fala quem sabe

Golpe de tudo… ou nada

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Marco Faria

Na Turquia, o Presidente Erdogan teve um golpe de mestre – esse sim, o golpe de génio – ao falar ao povo, através do FaceTime, à CNN Türk. É o primeiro golpe de Estado, que me lembro, travado pelo iPhone. Nem Steve Jobs imaginaria o poder da sua “arma” de comunicação, capaz de barrar tanques (Maria da Fonte bem tentou com uma enxada pôr na ordem Costa Cabral, mas não conseguiu). Bastou Erdogan exortar a população para ir para as ruas travar o grupo de militares revoltosos e todos os comentadores portugueses na manhã seguinte já estariam a comer Nestum Mel com as “baboseiras” proferidas a quente na véspera. Que a polícia nunca teria meios para manietar os militares; que os militares são sempre mais fortes que os civis; que os militares em todo o mundo ou são respeitados ou dá bronca; que a Turquia caminhava para uma guerra civil…
Um helicóptero, um caça e meia dúzia de tanques a bloquear a Ponte do Bósforo em Istambul não chegam para mudar o rumo político-constitucional de um estado gigante. Pelo meio, os “comentólogos” diziam que Recep Tayip Erdogan teria tentado viajar para a Alemanha (com a recusa de Berlim) ou aterrado em Teerão. A diplomacia internacional esteve desta vez muito prudente e esperou por resultados, não fosse apoiar os derrotados (as diplomacias são como aquele emplastro, só querem aparecer na fotografia nos momentos de glória e do lado dos vencedores).
Outra curiosidade: Erdogan estava de férias em Marmaris, no Sul da Turquia, o que prova que os militares seguiram o manual – aproveitar o momento em que os líderes estão de férias a ler Tolstoi e a beber sumos naturais frescos.

[Fica para mais tarde a deriva perigosa que a Turquia tem conhecido. Este pode ter sido apenas o primeiro momento. Lamentável a perda de vítimas e a purga que se lhe está a seguir. ]

As mulheres são umas insensíveis

A brincar com coisas sérias…

A Europa da tragédia

Marco Faria

Vergonhoso. Na Alemanha, um humorista satirizou o presidente turco e os tribunais alemães vão julgá-lo com base numa lei do século XIX, tendo a abertura judicial sido autorizada pelo Governo de Merkel. Aí está mais uma boa razão para a Turquia nunca se juntar à União Europeia.
Ensinaram-nos que a Alemanha foi pioneira nas leis, em especial o BGB, o código civil que remonta a 1900, e que inspirou, por exemplo, o nosso Código Civil de 1966. O programa de TV foi retirado de emissão na ZDFneo (inacreditável!) e Angela Merkel, de quem se fala à boca cheia para se candidatar a secretário-geral da ONU, dá assim uma prova de como os estados se deixam acobardar pelos interesses diplomáticos, para evitar problemas incómodos. A Turquia é liderada por um presidente perigoso e intolerante, Recep Tayyip Erdogan. O Parlamento Europeu deveria pronunciar-se rapidamente sobre este caso, e talvez o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem possa repor alguma ordem nas leis alemãs.
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Rir ou punir, eis a questão!

erdogan

É sabido que os ditadores ou candidatos a tal têm pouco sentido de humor e adoram triturar quem arranja maneira de fazer humor sobre a sua falta de humor. Estamos a assistir a um caso apimentado que se enquadra nessa problemática humorística e tem honras de destaque nos média alemães de hoje. Um humorista alemão apresentou, num programa satírico, um poema com uma forte sátira ao presidente turco Erdogan. Segundo consta, chamou-lhe de tudo (não pude ver o vídeo porque já foi retirado da net; existe um outro vídeo, de outro programa de sátira política alemão, com legendas em inglês, que (ainda) não foi retirado). [Read more…]

Acordo UE-Turquia


É pena que o acordo entre a UE e a Turquia tenha sido precedido de um ataque à bomba em Ankara.

 

Assunto para crescidos

Um caça turco abateu com um míssil um avião russo que, alegadamente, teria violado o espaço aéreo da Turquia – embora o avião tenha caído vários quilómetros no interior da Síria, o que levanta seriíssimas dúvidas quanto aos factos e intenções.
Isto sim, é assunto para políticos adultos, se os houver. Para já, é uma evidente vitória do ISIS.
Os EUA já apoiaram a Turquia, alegando que é membro da NATO, quer dizer, a primeira resposta é perigosamente insana, mesmo sabendo nós que ainda não é Trump o presidente. Estou curioso sobre a reacção dos outros membros da NATO, postos perante o facto de um país que combate o terrorismo ser atacado por um outro, membro da organização, que apoia -discretamente…- o ISIS. E que fazer às recentes juras de amor entre Hollande e Putin?
( Que pensará Cavaco, o nosso Comandante Supremo?)

Inspiração não

Tendo perdido a maioria absoluta nas eleições legislativas de Junho passado, o AKP, partido conservador do presidente turco Erdogan, teria sido forçado a formar um governo de coligação. Ora o presidente deixou claro que essa não seria uma opção, referindo-se depois ao resultado como um erro, que os eleitores teriam de corrigir em novas eleições. E eis senão quando, nas eleições ontem realizadas, o AKP obteve a maioria absoluta que lhe permite formar um governo de partido único, tal como nos anos anteriores. Felizmente para Portugal, a situação e os métodos não são, de todo, comparáveis. Menos seguro seria porém que Cavaco Silva, se tivesse essa possibilidade, não se sentisse inspirado pela ideia de corrigir resultados eleitorais através de uma nova ida às urnas… Esperemos que o seu sucessor não se incline tanto para julgamentos próprios quanto a erros do eleitorado…

Refugiados:

prossegue a ignomínia.
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Mais sírios naufragados que foram dar à costa.
Um menino, ontem, em Bodrum, na Turquia.

A nova-velha Turquia!

TURQUIA EST. ISL

A Turquia iniciou uma nova política face ao auto-proclamado “estado islâmico” (“ei”), em consequência do atentado de Suruç, há 10 dias (20 de Julho), na fronteira turco-síria. A famigerada Kobane, na Síria, fica a apenas 10 km de Suruç, sendo aliás esse o destino dos membros da Juventude Socialista dos Oprimidos (assim mesmo, Partido Socialista dos Oprimidos), cuja acção de voluntariado visava ajudar à reconstrução desta cidade anteriormente ocupada pelos criminosos do “ei” e, bombardeada pela Força Aérea da Coligação. O atentado de Suruç saldou-se em 32 mortos e 104 feridos.

Este foi a mote, a razão convenientemente encontrada pelo Presidente da República (PR) Erdogan para esta mudança, mas a qual nada tem a ver com os acontecimentos do passado dia 20 de Julho. [Read more…]

Mais um alucinado islâmico

Idiota

O indivíduo na fotografia chama-se Mücahid Cihad Han, e tal como o lunático que negou o heliocentrismo há uns meses atrás numa universidade saudita, também este nos chega de um estimado aliado da civilização, neste caso a Turquia, onde prega alucinações numa estação de televisão, um pouco à semelhança de certas pessoas que temos por cá, só que muito pior.

E então o que nos diz este indivíduo?

Diz-nos tão somente que quem pratica a masturbação terá as mãos grávidas na vida após a morte.

E era isto.

Boa noite.

Percebem, ó curdos?

turco armenios
Funcionário turco mostra pão a crianças arménias esfaimadas. 1915.

Kahkaha

Na Turquia, as mulheres riem (na foto, a escritora Ece Temelkuran).

O 1o. de Maio por esse mundo fora…

Hoje o dia foi assim, um pouco por todo o lado:

 

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Hilti é marca de produtos de prazer

hilti martelo

Não me perguntem como é que descobri isto, todos temos os nossos segredos obscuros que não pretendemos revelar.

Posso apenas revelar que, ao fazer uma busca na internet, o Sr. Google apresentou-me esta notícia que não tem nenhum interesse, não fosse eu ver já aqui um nicho de mercado. Tal como o gato, lá fui eu movida pela curiosidade. [Read more…]

“Eleito com 50% dos votos”,

diz o Primeiro-ministro turco Erdogan, para usar o argumento da legitimidade democrática. Resta saber quantos votaram, isto é, o que representa 50% desses cidadãos eleitores. Não há volta a dar-lhe: a democracia representativa não funciona em lado nenhum.

«Bella Ciao» na Praça Taksim

De canto de trabalho rural a hino da resistência partigiana, «Bella Ciao» já conheceu versões em dezenas de línguas e tornou-se um hino dos povos oprimidos.  Na noite passada, ao piano de  Yiğit Özatalay e David Martello juntaram-se as vozes dos cidadãos  turcos que, com máscaras de gás e armaduras improvisadas, têm dançado no centro de uma praça em chamas.

Una mattina mi son svegliato / o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao! / Una mattina mi son svegliato,  /e ho trovato l’invasor.

A foto do momento

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Embora não o querendo, esta «woman in red» tornou-se um símbolo da luta do povo Turco contra o seu governo.

Parecendo calma, desarmada, com todo o ar de quem só lá foi para «ver a bola», é atacada por um polícia que lhe atira gás lacrimogéneo. Terá ela feito alguma coisa que as câmaras fotográficas não captaram? Terá ela provocado os agentes da autoridade até que este senhor não aguentou mais e deitou mão daquilo que tinha mais à mão, passo a redundância? Aquele aparentemente inocente saco branco esconderá sabe-se lá que armas perigosas e ilícitas? Acredito que foi o seu vestido de cor ousada que chamou a atenção do polícia. Que o fez desejar aniquilá-la. [Read more…]

A Grécia e Portugal: uma crise em dois casos da geopolítica (1)

O título do post, resume o conteúdo. Obcecados alguns dos Estados europeus com as suas astronómicas dívidas, correm sérios rumores que parecem garantir a existência de um chamado Plano B para a sobrevivência do Euro. Num artigo (ver abaixo, na íntegra), The Economist longamente apresenta os dois cenários possíveis, entre os quais uma expulsão em massa satisfaria as necessidades imediatas dos países do chamado núcleo duro da moeda única. Persistindo no erro que tem varrido a Europa na última década, a leitura do artigo apenas nos apresenta aspectos relacionados com a dívida e finanças, pouco falando de economia e totalmente ignorando aquele aspecto fundamental e hoje em dia inatingível pelas cúpulas dirigentes europeias: a política.

Para o que mais nos importa de imediato, apresentemos então dois casos bastante distintos como a Grécia e Portugal. Não nos referindo especificamente às agruras e misérias da dívida, salientamos então os ignorados aspectos políticos que a situação geográfica destes dois Estados implicam.

1. A Grécia.

A situação parece ser insolúvel e de quase certeiro vaticinar de falência do todo. Por mais planos e cabazes de dinheiro vertidos nos cofres de Atenas, o resultado parece ser aquele que todos há muito adivinharam. Os gregos não percebem a austeridade, não a aceitam, nem estão dispostos a deixar para trás os sonhos de telenovela dos últimos vinte e cinco anos. Simplesmente, as condições políticas da Grécia impelem à rejeição de qualquer modelo de austeridade e a Europa deveria ter em conta o conturbado século passado, onde uma guerra civil por quase todos os estrangeiros esquecida ou minimizada, serve ainda como pano de fundo ao confronto das várias famílias políticas daquele país balcânico. Para agravar a situação, a ascensão turca e o incontido desejo do restaurar de uma hegemonia perdida, coloca a Grécia numa posição central na luta pelo domínio regional. Sendo um membro da NATO , o país dos helenos foi ao longo das décadas da Guerra Fria, um dos pilares do controlo ocidental – leia-se norte-americano – do acesso russo ao Mediterrâneo e Médio Oriente, garantindo uma longa hegemonia da Aliança Atlântica e aquele indisfarçável sentimento de cerco de que o poderosamente armado regime soviético de forma inglória se queixava.

 

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Palestina – Porquê agora a Frota da Liberdade?

Não há situação nenhuma de calamidade eminente. Não há Intifada. O Muro  é profundamente eficaz, não há “mártires suícidas” nem mortes de inocentes.

Mas os “autodenominados” defensores da causa palestiniana, mais não têm feito que diminuir a possibilidade de se encontrarem soluções justas, como seja um estado autónomo a que os palestinianos têm direito nem a uma vida normal. Pelo contrário, sempre prontos a fazerem o papel de “idiotas úteis” uma e outra vez, o que fazem é que a causa tome mediatismo pelas razões erradas.

Correcto, e onde há unanimidade de posições, é trazer para a luz do dia a politica de colonatos que , na prática, inviabiliza as fronteiras de um estado palestiniano com um território digno desse nome. Os colonatos, depois do sofrimento humano, é a maior barreira para se encontrar uma solução aceitável de coexistência pacífica, devia estar na frente das preocupações da comunidade mundial. Mas a verdade é que dá trabalho e não dá folclore, é preciso determinação, trabalho de sapa, fora das objectivas e dos holofotes da televisão.

Porque não seguiu a frota para a parte de Gaza controlada pelo Egípto? Ou pelo Líbano onde os palestinianos experimentam condições de vida bem mais dificeis? Ficam aqui perguntas que não pretendem obter respostas, nem encobrir o que o exército israelita fez de excessivo, mas antes chamar a atenção para factos que exigem explicações, e que vão direitinhos para a Turquia e para sua política de liderança de toda uma região, encostando-se a países como o Irão, e a Síria .( Estados democráticos e moderadíssimos, exemplos de virtudes humanistas…)

Os “idiotas úteis” e os menos idiotas, mas igualmente úteis, verberando o que nem sequer alcançam na  complexidade das políticas geoestratégicas, deixando que o povo mártir da palestina e a sua causa, sejam usados em operações que em nada o ajudam , fazem o papel que lhes é distribuído, agora a favor da Turquia , o estado que “gazeia” milhões de Curdos. A Turquia que faz aos Curdos( assassinando-os aos milhões e arrazando povoações inteiras com o “gaz pimenta”) o que Israel ainda não conseguiu ( ou não pode fazer por se tratar de um estado democrático e de Direito) aos Palestinianos, passou agora a ser o paladino da paz!

O preconceito ideológico, pretensamente superior, em todo o seu esplendor! Agora estão ao lado da Turquia que assassinou milhões de Curdos, e ai de quem não pensar como os “bonzinhos” da esquerda! A esquerda jacobina, que herdou, não se sabe de quem nem por que meios, uma clarividência moral superior aos que não pensam da mesma forma, que estão sempre de acordo entre si mesmo quando não sabem bem do que se trata.

Bloqueio a Gaza – as razões Israelitas!

Era capaz de ser mais politicamente correcto que a “ajuda” a Gaza fosse permitida, pese embora se terem encontrado entre alimentos objectos um pouco mais agressivos, tais como armas de diverso tipo. Ter-se-ia evitado o confronto com o feroz inimigo, o verdadeiro objectivo dos “humanitários”.

A acção da “Frota da Liberdade” é uma provocação política de uma dimensão inédita. Nos dias anteriores Israel avisou, repetidamente, que não permitiria a abordagem a Gaza e tinha proposto que a descarga dos mantimentos se fizesse no porto Israelita de Ashod, o que foi, evidentemente, recusado. Cerca de 800 activistas, muitos dos quais de nacionalidade Turca e outros árabes israelitas decidiram desafiar os avisos sucessivos.

O Hamas, que recentemente pôs a circular um desenho animado de um caixão supostamente com o corpo do soldado israelita Guidad, como se o entregasse a um pai desesperado, que não tem direito a ver o filho e que nem a Cruz Vermelha internacional tem autorização para visitar, vem agora fazer de conta que é “humanitário”.

Israel é um estado soberano, dificilmente podia não reagir a uma provocação desta dimensão, quem está por trás desta acção, é o verdadeito culpado das mortes que, infelizmente, aconteceram. Os soldados Israelitas foram recebidos com uma resistência violenta e armada e um dos barcos arvorava a bandeira Turca. Não são, pois, civis indefesos como se quer fazer crer.

O bloqueio a Gaza tem como objectivo impedir a entrada de armas para o Hamas, e não, para matar a população à fome. Os militantes “pro-Palestina” sabem isso muito bem, estão longe de serem os “cordeiros” que certa “ideologia oficial” quer fazer crer. Os ataques soezes e vergolhosos, com linguagem de carroceiro que utilizam, tentam esconder o facto de que muitas destas pessoas que entram nestas “caravanas humanitárias” não são mais que uns “idiotas úteis”.

Só a boa fé, conversações entre gente de bem, poderá trazer a PAZ a esta martirizada região, e o ódio que se adivinha em tantas opiniões em nada contribui para a PAZ! Entretanto, a Turquia, utiliza à exaustão, as mortes destes “bem intencionados” na sua política” de controlo regional. É para isto, para os objectivos de estados em confronto em estratégias de domínio,  que servem os idiotas úteis deste mundo!