Este é um país adiado

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Este é o país onde um deputado ‘toma posse’ de gravadores de jornalistas mas, 50 dias depois, nada ainda lhe aconteceu.

Este é o país cujos governantes aumentam impostos por ficarem surpreendidos – em permanência – com o que acontece no mundo, mesmo depois de terem sido alertados por dezenas de especialistas em economia.

Este é o país que não obriga os alunos a estudar, preferindo transita-los de ano como medida de ‘incentivo’.

Este é o país que mascara estatísticas de desemprego ou de criminalidade por ‘erros‘ ou para ‘corrigir’ as fórmulas.

Este é o país onde um governo quer aplicar impostos de forma retroactiva.

Este é o país de um governo que aumenta impostos mas continua a querer gastar milhões no TGV.

Este é o país de um governo que constrói uma auto-estrada (A29) em cima de uma estrada nacional (EN 107) e depois quer cobrar pela sua utilização.

Este é o país de líderes de oposição tão patriotas que preferem gerir os seus calendários políticos em função das conveniências pessoais e não das necessidades da população.

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SCUTs: entre o ‘não tens cão, caça com gato’ e o ‘com papas e bolos se enganam os tolos’

Os elementos do PS na Câmara do Porto tiveram uma ideia genial. Como não estão em posição confortável para contrariar o governo PS na questão da cobrança de portagens nas SCUT, os vereadores do PS sacaram um trunfo da manga: que a empresa responsável pelo Sistema de Identificação Electrónica de Veículos (SIEV) tenha sede no Porto e não em Lisboa como previsto na sua constituição.

É uma espécie de “se não tens cão, caça com gato”. Talvez uma compensação. A malta rica do Porto e do Norte tem de pagar portagens que os pobres de outras regiões, como o Algarve, não têm, por isso ficamos menos incomodados se a sede da empresa ficar na Invicta.

Na realidade, em vez da metáfora do gato e do cão, que serve de justificação política, talvez seja melhor lembrar aquela de “com papas e bolos se enganam os tolos”. Pagamos, mas sempre temos a sede da empresa no Porto. Se assim for, seremos todos mais felizes.

SCUT, a grande oportunidade do transporte público

A propósito da notícia do Público sobre como as SCUT poderiam ser “uma grande oportunidade para o transporte público“. Eu também acho que o transporte público colectivo é uma peça fundamental na mobilidade urbana. Aliás, (quase) todos os dias faço questão de os usar nas minhas deslocações casa-trabalho. Mas essa afirmação esbarra na realidade:

De facto esta poderia ser uma grande oportunidade para o transporte público… mas não me parece que o vá ser…

Fim das SCUT igual a mais desemprego

José Sócrates foi peremptório na defesa das portagens antes das eleições. Os portugueses ao reelegerem-no, tinham por obrigação de saber isso. Pelo que o fim das SCUT, estava, pois anunciado, e foi aceite pela maioria que votou nas legislativas.

Eu sou contra o fim das SCUT por diversas razões de ordem económica e social, onde releva a falta de alternativas rodoviárias efectivas  na esmagadora maioria dos casos. Mas não irei debruçar-me sobre isso, agora.

Existe algo com que ninguém parece estar preocupado, e até os respectivos sindicatos parecem andar a dormir: a aplicação dos meios tecnológicos de  pagamentos das novas portagens – Via Verde ou o famoso “chip de matrícula” que será obrigatório para todos os veículos – irão, em pouco tempo tornar obsoleta a a manutenção do actual número de portageiros. Ou então acredita-se no Pai Natal, e vai-se crer que depois da vulgarização da Via verde – que já cobre mais de 50% da frota portuguesa – e do denominado “chip de matrícula” obrigatório, os concessionários vão continuar a gastar dinheiro em salários e em custos sociais laborais em portageiros, sem fazer reduções radicais.

Já agora, estou para ver como é que vai ser com os espanhóis, franceses e demais camaradas europeus? Como é que a coisa vai-se resolver com as novas portagens que só podem ser cobradas por meios electrónicos? Apenas um pequeno entrave num país que diz  apostar no turismo, ou então não pagam, e que se lixe a lógica utilizador/pagador.