O punho e a rosa

José Xavier Ezequiel

PS_punho  PS_rosa

A maioria dos cidadãos talvez não saiba, mas o logo-punho-erguido do Partido Socialista foi apenas fruto das circunstâncias. Ao que me contaram, havia várias propostas para um símbolo que, mesmo depois do 25 de Abril, pura e simplesmente ainda não existia. O PREC e a ‘guerra dos cartazes’ obrigavam a tomar decisões, coisa sempre difícil no PS ‘histórico’. Parece que um funcionário do partido, a meu ver com um enorme sentido de humor, escolheu para os primeiros cartazes aquele punho sobre um fundo amarelo-e-vermelho e, tal como na clássica tradução do latim — ‘ite, missa est’. Ou seja, assim ficou.

É certo que o primeiro PS, não sendo propriamente marxista, era, pelo menos, claramente igualitarista. E anti-clerical. Ora, quando um partido assim tão jacobino é assaltado por uma vaga muito mais dada a missas e ladaínhas, havia que mudar de logo. Foi o que o bondoso engº Guterres tentou fazer, ao substituir o velho punho erguido por uma rosa com ‘désainhe’.

O velho PS torceu o nariz a este vistoso reposicionamento, como agora se diz, em marketês. Na verdade, excepto na extensão de marca JS, nunca o punho-e-a-rosa apareceu sem o punho-erguido ao lado. E, com a fuga intempestiva do engº Guterres para Nova York, o desgraçado foi mesmo caindo em desuso, desaparecendo da comunicação do partido a partir o consulado socrático.

Pode parecer-vos assunto de ‘lana caprina’, este dos símbolos do PS. Mas olhem que não é bem assim. [Read more…]

Símbolos, soberania e a espuma dos dias

Muito se tem falado de bandeiras a propósito da ostentação da bandeira monárquica, primeiro na CML, depois no alto do Parque Eduardo VII.

Segundo o Público “A Comissão de Utentes do Centro de Saúde de Valença está a mobilizar a população, através de SMS, para colocar, na próxima terça-feira, em todas as janelas da cidade uma bandeira espanhola.”.

O artigo em questão conta, à hora a que escrevo, com cerca de 170 comentários. Há-os de todas as sensibilidades e tendências. Mais do que o texto, os comentários reflectem a forma como franjas representativas  da população olham o estado actual do país, os seus símbolos, os seus representantes e a sua soberania. “Se o Dantas é português eu quero ser espanhol”, dizia Almada de Negreiros no seu Manifesto Anti-Dantas. Se me derem mais qualquer coisinha eu quero ser espanhol, dizem hoje muitos portugueses. Retrato de um país estilhaçado e de um povo à deriva.

Referência também no Tvi24.