Ermida e Picão, concelho de Castro Daire (contributo para uma reorganização administrativa do País)


Quando vêm com histórias de extinguir concelhos e freguesias como forma de resolver o problema financeiro do País, começo logo a estrebuchar. Não é por aí – o défice combate-se, sim, extinguindo os privilégios pornográficos dos políticos passados e presentes, dos gestores públicos e de todos os «boys» do PS e do PSD que pululam pelo País. Combate-se, sim, acabando com Parecerias Público-Privadas que mais não são do que presentes dados às empresas amigas do poder e que oneram as gerações futuras até à exaustão. Combate-se, sim, acabando com os inqualificáveis benefícios fiscais dados anualmente à Banca e às grandes empresas e que, por si só, eram suficientes para comprar dois submarinos por ano.
Mas a verdade é que há situações que merecem um reajustamento no mapa administrativo do País. Não porque é preciso poupar, mas porque é urgente servir melhor as populações e introduzir uma certa lógica na forma como estas questões são abordadas. É o caso do concelho de Castro Daire (distrito de Viseu), que alberga no seu seio essa famosa aldeia que dá pelo nome de Colo de Pito.
Na parte norte do município, há duas freguesias cuja configuração é no mínimo estranha: Ermida e Picão. Mais do que as palavras, é suficientemente esclarecedor olhar para o mapa que publico. A primeira parte da freguesia de Ermida fica encostada à sede do concelho. Um outro bocado fica mais para ocidente, enquanto que o terceiro bocado fica a norte. Três membros desgarrados, entrecortados por uma freguesia «intrusa» que aparece pelo meio, Picão.
Pode haver razões históricas para esta situação, mas actualmente não se justifica. Ermida (que até já foi concelho) tem 267 habitantes, Picão tem 297. Mais do que a reduzida população, a proximidade em relação à sede do concelho garante, dentro do possível, o cumprimento das necessidades mínimas. E para além de tudo isto, não tem lógica esta situação. Porque uma freguesia é uma unidade administrativa. Uma unidade. E era o que fazia sentido neste caso: uma freguesia e não duas.
É assim que deve ser feita a reorganização administrativa do país. Pegando em casos concretos e não através de critérios cegos do género «com menos de x habitantes, extingue-se». Não é assim, não pode ser assim.

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