Contos Proibidos – Memórias de um PS Desconhecido. A CIA financia o PS em 1976

continuação daqui

Grande parte do apoio [ao PS] vinha em notas e cheques em moedas estrangeiras e, apesar dos contactos que o PS detinha na Banca, sempre que o tesoureiro, Fernando Baroso, procedia a operações cambiais, saíam notícias e circulavam rumores. (…) As notícias inicialmente difundidas pelo «New York Times» de que o PS estaria a receber avultadas quantias da CIA e do estrangeiro «obrigariam» Mário Soares a veementes desmentidos e a uma conferência de imprensa, a 8 de Fevereiro, não só para desmentir o que era verdade mas, sobretudo, para camuflar esses apoios, anunciando o lançamento pelo PS de uma campanha de angariação de fundos. Diria então que «o nosso Partido é um Partido de trabalhadores, é um Partido de Esquerda e, como tal, um Partido pobre. Têm-nos sido dirigidas muitas calúnias por parte dos que nos acusam de recebermos fundos estrangeiros. Essas calúnias nunca foram provadas, nem o poderiam ser, porque são efectivamente calúnias. Estamos no início desta campanha, que vai ser extremamente dinâmica e esclarecedora para o país, com grandes dificuldades financeiras, porque a campanha eleitoral é efectivamente dispendiosa. Por isso rewsolvemos iniciar a nossa actuação, neste período pré-eleitoral em que nos encontramos, por uma campanha de recolha de fundos. (…)
Nesse ano eleitoral de 1976, vários Partidos e entidades estrangeiras entregariam avultadíssimas somas em dinheiro, por todos os meios, as quais a Administração Financeira ia classificando como campanha de «angariação de fundos». Só os recibos que me foram entregues ultrapassariam, então, os 40 mil contos, embora à medida que iam sendo entregues na rua da Emenda a Fernando Barroso fossem, inadvertidamente, sendo classificados em moeda estrangeira e, às vezes, referindo mesmo a entidade doadora. O Partido Trabalhista, segundo me foi comunicado, tinha unicamente enviado, em 1975, para a conta da Holanda, a quantia de 4108 libras, o que equivalia a 240 contos na altura. Os «pacotes de biscoitos» do M 16, «CH», o último dos quais seria entregue em 7 de Abril de 1976, representavam a extensão do conceito político da «Europa Connosco» ao outro lado do Atlântico! (…)

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