É só para lembrar que o Pai Natal não existe

sint

A arte é tramada. Muitas vezes, bem ou mal feita, incomoda. É como uma verruga que nos nasce no nariz, um quisto que insiste em aparecer numa nádega, um qualquer conhecido que se julga amigo e nos chateia durante horas com uma conversa da treta. Chateia. Sobretudo quando mexe na consciência de uma série de pessoas sem creatividade e muito espaço no cránio.

Na Holanda, um grupo de pessoas desatou a protestar contra os cartazes de promoção de um filme de terror. A fita é apenas para adultos, diga-se. Os cartazes é que estão espalhados pelas ruas. É este que está aqui, neste mesmo post. Ora vejam com atenção. Já viram? Viram, então, um personagem negro, ameaçador, com vestes vermelhas em jeito de bispo, sublinhado pelo chapéu, em cima de um cavalo branco que não inspira muita confiança. Ambos  enquadrados pela Lua e um leve manto de neve.

O filme chama-se “Sint”, que é como quem diz São Nicolau, o bispo que acabou por ser ‘transformado’ em pai natal. Porque, dizem as lendas locais, a 5 de Dezembro São Nicolau viajava pelo país levando presentes aos mais pequenos. Só que, desta vez, em alternativa a um enternecedor filme típico da quadra, os autores, e o realizador Dick Maas, decidiram fazer uma história de terror. Pegaram no personagem colocando-o como um assassino que decapita crianças a 5 de Dezembro.

Algumas pessoas que ficam incomodadas por qualquer coisinha que estrague o dia a dia de ilusão decidiram não gostar da ideia e recorreram à comissão reguladora da publicidade na Holanda, que não retirou o cartaz. As tais pessoas já apresentaram recurso.

O realizador Maas diz que a polémica é desnecessária, que não há nenhum drama, que é só um filme e tal, que até há filmes de terror com cartazes mais assustadores e que os pais devem explicar aos meninos e meninas que aquele não é o pai natal, mais sim um “primo”. O que também dá uma ideia perfeita do tipo de família a que pertence o gajo de robe vermelho.

Por mim, deixo uma sugestão: digam à ganapada que o pai natal não existe, que é uma ficção, uma treta. Não há nenhum velhote gordinho a descer chaminés, nem a distribuir prendas. Confessem que os andavam a enganar, tal como se queixam de que são enganados pelos políticos. Ganhem coragem, respirem fundo e gritem: “Sim, é verdade, o pai natal não existe!”.

Comments

  1. Arminda says:

    Não, o Pai Natal não existe. O Natal também não. O Carnaval, sim. O Ramadão também.
    E bombistas suicidas, desflorações de meninas de 5 anos para curar a sida, também existe.
    As coisas boas, carinhosas, que tragam Amor, Fraternidade e nos façam lembrar que ainda se pode fazer algo por este mundo podre, cujo grande culpado é o Pai Natal, são para abolir.
    Bom mesmo, é a miséria.
    O estado a que tudo isto chegou é culpa do Pai Natal.
    Matem o Pai Natal e o Natal também.
    Para muitos, aqui em Portugal era bem melhor que nem se aproximasse. Que farão milhares e milhares de pessoas nesse dia que ainda há dois anos era bom?
    Há um anormal qualquer que à falta de jeito para coisa melhor, faz um filme, certamente subsidiado à semelhança das drogas, nessa Holanda tão boa, que o promove à custa da ofensa a valores e tradições e é louvado por ser assim tão progressista. Louvado aqui? Neste esgoto em que transformaram uma Nação com quase MIL Anos de História?

    Um desperdício.


  2. Ó Dona Arminda, comoveu-me. A sério. Estou tão comovido que nem lhe vou contar que ao contrário do esgoto o Pai Natal tem pouco mais de 100 anos.

  3. Arminda says:

    Nós sabemos a idade do Pai Natal.
    Sabemos a idade desta Nação, deste Portugal que já várias vezes quiseram dar e vender.
    Também sabemos o queremos dizer.
    Às vezes fazemos de conta que somos bonzinhos, outras vezes muito avançadinhos, muito progressistazinhos para fazer de conta que todos os outros são atrasadinhos, parvinhos.
    Sabemos tudo isso. Sabemos que não temos nem cassetttes, nem livrinhos.
    Temos outras coisas. Coisas boas.


  4. Cara Arminda, que o pai natal não existe é um facto. Trata-se, portanto, de um personagem de ficção. Tal como o pato donald ou o rato mickey. Já do abominável homem das neves não tenho tantas certezas.
    Até gosto de muitas personagens de ficção mas acho o pai natal algo enfadonho. Mas sei que não tem culpa da crise.

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