FMI – Fundo da Miséria Internacional e a União Europeia

O Cavaleiro do FMI

FMIO sistema capitalista internacional, de forma mais evidente na periferia europeia, vive intensa crise. Todavia, a irracionalidade dos defensores do sistema e das teorias de Adam Smith continua a bater-se pela  excelência do modelo  classificado de neoliberalismo.

Tal ideário económico e social, embora constantemente desmascarado, teima na dogmática aplicação de instrumentos e medidas que, na Europa e em outras partes do mundo, conduzem milhões de cidadãos à precariedade do emprego, ao desemprego,  à miséria e à fome. Tudo isto, imagine-se, também facilitado pelo ‘capitalismo comunista de Estado’ e dos paraísos fiscais. Os grandes líderes actuais constrangem, sufocam e dizimam a vida de milhares de milhões de cidadãos ao redor do planeta – Robert Zoeleck, presidente do Banco Mundial, dizia há pouco tempo: “Há mais de mil milhões de seres humanos que se deitam todos os dias de ventre vazio”. Eloquente, até por ser afirmado por quem foi.  

Com a dupla Merkel e Sarkozy no comando, a UE, do ‘euro’ e de múltiplas incoerências, prossegue nas propositadas políticas de incoesão a que condenam os países ditos periféricos, a enfrentar profundas, mas assimétricas crises. Uma parte devido a incapacidades dos governos locais, mas a outra – haja clarividência de análise! – derivada à falta de solidariedade e de coesão nas políticas das lideranças europeias. Prova disto é, sem dúvida, o estranhamente classificado efeito de contágio que está a recair sobre Portugal e Espanha. Os países ibéricos, depois do recurso da Irlanda ao ‘Fundo Europeu’ e ao FMI, estão sob pressão dos especuladores financeiros, com a elevação de taxas de juro que, cada vez mais, deprimem a vida económica de ambos os países, já de si extremamente debilitada.

O cenário esperado, do ponto de vista social, tem, porém, coloração mais negra. O FMI, esse monstro emanado das trevas, segundo o DN, vem agora recomendar que Portugal, no Código de Trabalho, revogue a legislação no sentido de reduzir os custos de indemnização aos trabalhadores mais antigos a demitir pelos empregadores. Com o contributo de medidas deste tipo, dizem os supremos cérebros do FMI, que o nosso País resolverá os problemas económico-financeiros com que se confronta. Para quem está ligado ao mundo empresarial, com a noção honesta das obrigações humanistas, é duro de ler ou ouvir esta petulância neoliberal. Com a agravante de, neste caso, estar envolvido António Borges, um PSD ex-governador do Banco de Portugal, homem de Alter do Chão. Cavalga a galope, derrube quem derrubar. Sobretudo, os mais frágeis.

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