pele genuína

Ontem passei uma hora com dois dos filhos do Luiz Pacheco. A Câmara das Caldas da Rainha – terra onde viveu e deixou milhares de histórias maravilhosas na memória de muitos – entregou a medalha de mérito cultural a título póstumo ao escritor-pai. Escolheram-me para a entregar em mão, por razões que conheço e não divulgo. Bem sei o que diria desta condecoração o próprio Luiz Pacheco. E por isso ainda mais me diverte a simpatia deferente dos seus filhos por um reconhecimento público, autárquico, (esse tão maldito poder local), vindo de um universo literário tão anti-institucional como o de Luiz Pacheco. Mas que havemos nós de fazer perante quem nos prova, documenta e assevera a fragilidade triunfante da Beleza e da Inocência sobre a irrefutável sordidez da vida? Cru, acre e luminoso, Luiz Pacheco recebe finalmente, contra muitas vontades resistentes, o que sempre mereceu das mãos de uma cidade onde teve e tem admiradores fiéis. Que podíamos nós fazer quando o libertino incomestível nada mais fez senão depor a sua poesia nas nossas mãos para que a usássemos como luvas? De pele genuína. Segunda pele. Mais humana que a primeira.

Comments


  1. Luiz Pacheco, mostrou-nos, mostra-nos a VIDA sem máscaras, com Verdadeira HUMANIDADE.

  2. maria celeste ramos says:

    Vivi tantos anos nas Caldas da Rainha e fui obrigada a sair e chorei de saudades daquela cidade luminosa – mas não conheci Luiz Pacheco – só agora oiço falar dele – mas já não tenho saudades desse lugar que era mais evoluído do que Lisboa quando o deixei – os habitantes de Lisboa antes do Algarve e estrangeiro íam passar as férias grandes à Caldas da Rainha e Foz do Arelho e São Martinho do Porto, além de ter sido cidade de abrigo de muitos refugiados da II guerra mundial que não quizeram ir para os USA – a partir desses novos habitantes a cidade abriu para uma mentalidade mais aberta e feliz – hoje o Colégio onde estudei passou a ser Universidade e a cidade continua a ser polo importante económico e cultural e de grande valor arquitectónico – e procurada desde há muito turisticamente também com os velhos concursos hípicos já internacionais – e se persiste a fábrica Bordado Pineiro há 2 anos que a fábrica da magnífica loiça da SECLA foi fechada – Caldas da Rainha situa-se em polo importante de riqueza regional entre eles Alcobaça passando por património secular como as “caldas” da raínha (termas) fundadora da Cidade e a sua Igereja do Populo e o lindo Jardim das Caldas, o Casino e o grande parque – também o Quartel de Infantaria ficou na história do país e do 25 de abril – vizinha ainda dessa terra de artes do Vidro artístico e utilitário da Marinha Grande – como se mata uma região tão rica
    Mas já não tenho saudades de nada mas é com alegria que oiço falar da cidade onde passei a minha infância e adolescência excepto no que nele é destruído por ignorância e má governação – a vizinhança de Alcobaça e a sua fruta famosa dava à praça das caldas a feérie de fruta e legumes que só por si era uma festa de beleza e abundância


  3. Querida Celeste, se passou pelo Colégio Ramalho Ortigão, gostará certamente de visitar este blog excelentemente dinamizado pelo Joāo Jales, onde encontrará muitos motivos para aguçar saudades. http://externatoramalhoortigao.blogspot.pt/ obrigado pela sua nota.

  4. A. Silva says:

    Actualmente está em cena no Teatro-Estudio Mário Viegas o espectáculo ” O Libertino Passeia por Braga, a Idoláctrica, o seu Esplendor”, a partir do texto homónimo de Luiz Pacheco.

    O espectáculo é às QUARTAS-FEIRAS (excepto a próxima quarta, 23 de maio), até 20 de Junho, e tem a interpretação de André Louro.

    Para mais informação consultar no Facebook a página “O Libertino passeia por Braga”.

    Sobre o espectáculo disse Rui Monteiro, crítico da Time Out:
    “…uma peça singelamente provocadora: um olhar remoçado, vendo além da reliquia ou da excentricidade ou da bizarria literária (…), dando carne, melhor, um coração palpitante capaz de iluminar palavras, dar-lhes outro mundo, vida nova, e a mesma precisão, tarefa a que Louro se entrega com afinco, transformando-se no libertino perverso e irresponsável sem se perder em efeitos de representação e superficialidades, assim dando consistência à fragilidade original da peça com uma interpretação rigorosa e emocional.”

  5. Maria Teresa Ribeiro e Costa says:

    Encontrei-o um dia na Assirio e Alvin do Terminal do Rossio. Ele já tinha haviado uns copos e conversamos. Disse-me cobras e lagartos do meu ex-patrão Lyon de Castro. Lol

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